22/05/2013

Estado de saúde de gavião raro achado ferido é grave


Se sobreviver, a ave de rapina dificilmente será devolvida à natureza

Jornal Cruzeiro do Sul
Verônica Viudes
veronica.viudes@jcruzeiro.com.br
programa de estágio

O gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) que foi encontrado ferido na beira da estrada de São Roque recebe tratamento da equipe do Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. A espécie, uma ave de rapina, está em extinção em várias partes do Brasil e encontra-se em situação vulnerável no Estado de São Paulo. De acordo com Rodrigo Teixeira, chefe de Seção de Biologia e Veterinária da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o gavião teve fratura no úmero esquerdo e está em estado grave, sob medicação. A ave foi achada pela Polícia Rodoviária Estadual na manhã da última segunda-feira, na rodovia Quintino de Lima, em São Roque, de onde foi levada para o zoo de Sorocaba. 

Segundo Teixeira, a fratura provavelmente foi provocada após a ave ser atingida por disparo de arma de fogo, na sexta-feira. "Nós tínhamos a opção de amputar a asa, onde está a fratura e a infecção, mas optamos por deixar, preservando a asa, já que a amputação é algo irreversível. Inicialmente também havia a possibilidade dela ir até a Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) de Bauru para ser tratada, mas, essa transferência seria de muito risco". O tratamento do gavião continuará sendo feito no zoo, onde é medicado com antibiótico, anti-inflamatório e soro, duas vezes ao dia. "Uma vez de manhã e outra no final do dia", explica. 

Ainda de acordo com Teixeira, o gavião, provavelmente, é fêmea. Esta é a primeira vez que essa espécie de ave chega ao zoo de Sorocaba e dificilmente será devolvida à natureza. "Nós não temos expectativa exata de quanto tempo pode demorar a recuperação. Talvez uns 30, 40 dias. Não temos certeza disso, assim como não há destino certo para ela depois, mas as chances dela voltar à natureza são remotas. A intenção é parear, por ser um animal extinção. Não vale sustentar uma ave dessas sozinha", completa.

Segundo Teixeira, o curativo, uma tala na asa esquerda da ave, seria trocado no fim da tarde de ontem. "No momento em que formos fazer a troca do curativo, vamos avaliar a necessidade de realizar uma pequena cirurgia, como por exemplo, colocar um pino. Se acontecer essa cirurgia e ela ficar bem, a gente não perde mais ela. E a cada dia que passa, a chance dela sobreviver aumenta. Estamos bem otimistas", finalizou. (Supervisão: Eduardo Santinon)

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