Usuários temem impacto devido ao aumento a motoristas
Jornal Cruzeiro do Sul
Leandro Nogueira
leandro.nogueira@jcruzeiro.com.br
Os novos salários conquistados pelos trabalhadores do transporte na quarta-feira preocupa usuários do transporte coletivo em Sorocaba quanto a um possível aumento no preço das tarifas. O reajuste de 10,22% foi o maior conquistado pela categoria, ao menos desde 2008. Nenhum diretor da Urbes aceitou falar sobre assunto. "Ainda não temos nada a dizer sobre este assunto", limitou-se a empresa pública, em nota por e-mail. Enquanto isso, passageiros ouvidos ontem à tarde no Terminal Santo Antônio concordam que, tradicionalmente após o acordo com os trabalhadores, a Urbes - Trânsito e Transportes anuncia o aumento das passagens.
Todos os anos a Urbes divulga que as novas tarifas são calculadas conforme o aumento dos custos para manter os ônibus em circulação, entre eles os salários e outros direitos dos profissionais, gastos com os veículos, despesas para manter a frota rodando, combustíveis e seguros. "O reajuste da tarifa se faz necessário para manter a qualidade e regularidade dos serviços de transporte prestados", foi o argumento da Urbes ao anunciar o reajuste da tarifa há exato um ano, no dia 24 de maio de 2012. Naquela ocasião os trabalhadores no transporte conquistaram 8,42% e a passagem subiu 4,10%. O passe social passou de R$ 2,85 para os atuais R$ 2,95; o vale-transporte, comprado pelos empresários para fornecer aos empregados, de R$ 2,95 para os R$ 3,15 cobrados hoje, enquanto o preço para estudantes ficou mantido em R$ 1,50.
Reajuste dos motoristas
Dos 10,22% de reajuste conquistado pelos trabalhadores do transporte urbano, 8,7% será pago retroativo a 1º de maio e outros 1,4% a partir de 1º de novembro, o que vai elevar o salário inicial do motorista a R$ 2,5 mil a partir de maio e a R$ 2.535, em novembro. Os 6,7% são referentes à reposição da inflação no período e os outros 3,52% representam aumento real. O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região divulgou que ao reivindicar o reajuste salarial buscou, como em toda campanha, repor as perdas causadas pela inflação dos 12 meses que antecedem a data-base, e garantir que o trabalhador tenha um aumento no seu poder aquisitivo em relação ao ano anterior.
O reajuste obtido em Sorocaba ficou próximo ao conquistado pelos demais sindicatos do setor, em outras região do Brasil: Jundiaí, com 13%; São Paulo, 10%; Osasco, 10%; Campinas, 8,5%; ABC, 8%; Guarulhos, 8%; a cidade do Rio de Janeiro, 10% e Teresina (PI), com 9,05%. "Na prática isso significa conquistar para a categoria uma porcentagem de aumento salarial que esteja acima do índice da inflação do período, segundo os principais índices de medição de inflação do Brasil", divulgou o sindicato.
Opiniões
O porteiro e estudante Edilson Aurélio Provinzale, 46 anos, mensalmente gasta de R$ 90 a R$ 100 com passagens de ônibus e tem medo que a Urbes não absorva parte do porcentual do aumento. Mas também ponderou que caso a nova tarifa receba subsídio da Prefeitura, o município terá que tirar esse dinheiro de outro lugar, o que atingiria a população por meio dos impostos. "Já custa caro, para o nosso bolso é complicado porque a faixa de salário média na cidade está entre R$ 800 a R$ 1,3 mil." Porém, ressaltou que antes de fazer críticas gostaria de saber o que a Prefeitura está planejando em relação a isso.
O autônomo Manoel Francisco Lira, 57, recentemente esteve em Recife, capital de Pernambuco, onde o passe de ônibus custa R$ 2,40 e o de metrô, R$ 1,55. Reclamou que a tarifa em Sorocaba é cara, se comparada com aquele numa capital, e teme que seja reajustada para R$ 3,15 ou R$ 3,20. O ambulante que há mais de 20 anos vende passagens (cartões) da Urbes, Francisco Machado dos Santos, 47 anos, disse ontem que o comentário pelo Terminal Santo Antônio é que a tarifa será reajustada no dia 1º de junho e o cartão social passará a ser vendido a R$ 3,10. "Quando a Urbes anuncia o aumento a gente vende bastante porque as pessoas querem estocar para não pagar mais caro, depois as vendas caem."
Jefferson Nunes da Silva, 31, lamentou que pode ficar mais caro seu gasto com o ônibus nas saídas à procura de emprego. Não arriscou valores, mas acredita que se o reajuste dos salários dos funcionários foi maior do que nos outros anos, a passagem corre o risco de aumentar mais. Autônoma que presta serviços como vendedora, Erica Janaína Andrade, 25, teme que o valor da passagem suba muito: "Vai ser um grande prejuízo no meu bolso, já está difícil do jeito que está, se subir vai piorar". A estudante Letícia dos Santos, 18, revelou que a situação gera "um pouco de medo", pois se comprar o cartão para estudante, mais barato, seu orçamento seria comprometido. A auxiliar de almoxarife, Ariane Barrios, 26, teme que a nova tarifa chegue a R$ 3,50.
leandro.nogueira@jcruzeiro.com.br
Os novos salários conquistados pelos trabalhadores do transporte na quarta-feira preocupa usuários do transporte coletivo em Sorocaba quanto a um possível aumento no preço das tarifas. O reajuste de 10,22% foi o maior conquistado pela categoria, ao menos desde 2008. Nenhum diretor da Urbes aceitou falar sobre assunto. "Ainda não temos nada a dizer sobre este assunto", limitou-se a empresa pública, em nota por e-mail. Enquanto isso, passageiros ouvidos ontem à tarde no Terminal Santo Antônio concordam que, tradicionalmente após o acordo com os trabalhadores, a Urbes - Trânsito e Transportes anuncia o aumento das passagens.
Todos os anos a Urbes divulga que as novas tarifas são calculadas conforme o aumento dos custos para manter os ônibus em circulação, entre eles os salários e outros direitos dos profissionais, gastos com os veículos, despesas para manter a frota rodando, combustíveis e seguros. "O reajuste da tarifa se faz necessário para manter a qualidade e regularidade dos serviços de transporte prestados", foi o argumento da Urbes ao anunciar o reajuste da tarifa há exato um ano, no dia 24 de maio de 2012. Naquela ocasião os trabalhadores no transporte conquistaram 8,42% e a passagem subiu 4,10%. O passe social passou de R$ 2,85 para os atuais R$ 2,95; o vale-transporte, comprado pelos empresários para fornecer aos empregados, de R$ 2,95 para os R$ 3,15 cobrados hoje, enquanto o preço para estudantes ficou mantido em R$ 1,50.
Reajuste dos motoristas
Dos 10,22% de reajuste conquistado pelos trabalhadores do transporte urbano, 8,7% será pago retroativo a 1º de maio e outros 1,4% a partir de 1º de novembro, o que vai elevar o salário inicial do motorista a R$ 2,5 mil a partir de maio e a R$ 2.535, em novembro. Os 6,7% são referentes à reposição da inflação no período e os outros 3,52% representam aumento real. O Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região divulgou que ao reivindicar o reajuste salarial buscou, como em toda campanha, repor as perdas causadas pela inflação dos 12 meses que antecedem a data-base, e garantir que o trabalhador tenha um aumento no seu poder aquisitivo em relação ao ano anterior.
O reajuste obtido em Sorocaba ficou próximo ao conquistado pelos demais sindicatos do setor, em outras região do Brasil: Jundiaí, com 13%; São Paulo, 10%; Osasco, 10%; Campinas, 8,5%; ABC, 8%; Guarulhos, 8%; a cidade do Rio de Janeiro, 10% e Teresina (PI), com 9,05%. "Na prática isso significa conquistar para a categoria uma porcentagem de aumento salarial que esteja acima do índice da inflação do período, segundo os principais índices de medição de inflação do Brasil", divulgou o sindicato.
Opiniões
O porteiro e estudante Edilson Aurélio Provinzale, 46 anos, mensalmente gasta de R$ 90 a R$ 100 com passagens de ônibus e tem medo que a Urbes não absorva parte do porcentual do aumento. Mas também ponderou que caso a nova tarifa receba subsídio da Prefeitura, o município terá que tirar esse dinheiro de outro lugar, o que atingiria a população por meio dos impostos. "Já custa caro, para o nosso bolso é complicado porque a faixa de salário média na cidade está entre R$ 800 a R$ 1,3 mil." Porém, ressaltou que antes de fazer críticas gostaria de saber o que a Prefeitura está planejando em relação a isso.
O autônomo Manoel Francisco Lira, 57, recentemente esteve em Recife, capital de Pernambuco, onde o passe de ônibus custa R$ 2,40 e o de metrô, R$ 1,55. Reclamou que a tarifa em Sorocaba é cara, se comparada com aquele numa capital, e teme que seja reajustada para R$ 3,15 ou R$ 3,20. O ambulante que há mais de 20 anos vende passagens (cartões) da Urbes, Francisco Machado dos Santos, 47 anos, disse ontem que o comentário pelo Terminal Santo Antônio é que a tarifa será reajustada no dia 1º de junho e o cartão social passará a ser vendido a R$ 3,10. "Quando a Urbes anuncia o aumento a gente vende bastante porque as pessoas querem estocar para não pagar mais caro, depois as vendas caem."
Jefferson Nunes da Silva, 31, lamentou que pode ficar mais caro seu gasto com o ônibus nas saídas à procura de emprego. Não arriscou valores, mas acredita que se o reajuste dos salários dos funcionários foi maior do que nos outros anos, a passagem corre o risco de aumentar mais. Autônoma que presta serviços como vendedora, Erica Janaína Andrade, 25, teme que o valor da passagem suba muito: "Vai ser um grande prejuízo no meu bolso, já está difícil do jeito que está, se subir vai piorar". A estudante Letícia dos Santos, 18, revelou que a situação gera "um pouco de medo", pois se comprar o cartão para estudante, mais barato, seu orçamento seria comprometido. A auxiliar de almoxarife, Ariane Barrios, 26, teme que a nova tarifa chegue a R$ 3,50.
Nenhum comentário:
Postar um comentário