segunda-feira, 10 de julho de 2017

Em vez de “retomada”, caos, fome e desemprego. Mas não vem ao caso

CRISE
O Estadão, insuspeito de estatismos, dá manchete hoje para o que todo mundo que precisa dos serviços públicos já sabe faz tempo: os cortes orçamentários inviabilizaram o funcionamento normal dos serviços públicos.
Claro que o assunto tomou corpo quando chegou aos passaportes tão queridos da classe média, mas é coisa sabida, faz tempo, na rede hospitalar e escolar federal – e nas estaduais e municipais, que vão todas bem mal das pernas.
E vai piorar, porque – como “não se admite” estouro das contas públicas e muito menos aumento de impostos, os cortes terão de ser ainda maiores.
Em O Globo, cenário ainda pior para nossos irmãos mais pobres:
 Na próxima semana, durante reunião do Conselho Econômico e Social da ONU, em Nova York, 40 entidades civis, como ActionAid, Ibase e Fundação Abrinq, apresentarão documento mostrando que a fome assombra famílias brasileiras. São histórias como a da cozinheira desempregada Rita de Cássia Souza, mãe de seis crianças: “À noite, meus filhos pedem: ‘Mãe, tem leite?’ Tenho de dizer: ‘Vão dormir que a fome passa’.” No armário suspenso sobre a geladeira quase vazia, sacos de farinha de milho empilhados de uma lateral a outra são a única abundância no casebre onde moram três adultos e uma criança, no alto de um morro do bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.
Na Folha, Vinícius Torres Freire ,primeiro registra seu espanto com a situação de São Paulo:
A gente se horroriza de ver tantas pessoas largadas na degradação da miséria nas ruas do centro rico da cidade mais rica do Brasil, São Paulo. Não raro remexem o lixo à procura de comida ou de latas que lhes renderão centavos. Dormem nas calçadas geladas. Não lembrava de ver tantos faz bem mais de uma década.
Mas logo vai aos números do Nordeste, onde “os três anos de recessão desgraçaram mais a vida de uma região bem mais pobre”.
“Em Pernambuco (…) se registrou a maior baixa nacional na massa de rendimentos do trabalho: perda de 17% em relação a 2014 (no Brasil, de 2,5%). Em seguida, nos próximos Alagoas e Sergipe, com perdas em torno de 9%. Depois, Bahia e Ceará, quase 6%, desgraça semelhante à do Rio de Janeiro.
Mas nos três jornais, nas televisões, nas colunas políticas e econômicas, tudo o que se lê ou se escuta é o “Fica Meirelles”, porque é irrelevante quem preside o país, se Temer ou Maia, desde que o arrocho reine.
Hospital sem médico, escola sem aulas, famílias sem comida, pessoas sem empregos? Isso é uma bobagem, estamos a caminho do sucesso e não devemos deixar que a política – e, sobretudo, as malditas eleições – atrapalhem a obra do “dream team” da economia.
O importante é manter as “mulas do capital”, o que não digo para ofender, mas por lembrar do que disse um ex-ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, ao então jovem Leonel Brizola que o visitava nos amplos salões – estão lá até hoje – do prédio do Ministério no Rio:
– Rapaz, estas são as mulas da Fazenda. Trabalham muito, mas são inférteis.

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