domingo, 30 de julho de 2017

O duelo Temer x Meirelles pelo rombo. É a política, estúpido

pesnab
A elevação do déficit previsto na meta fiscal do Tesouro não é mais uma questão de “se”.
É apenas uma questão de quanto, quando  e como.
Hoje, no Correio Braziliense, em off, todos “jogam a toalha”:
A equipe econômica está fazendo as contas para anunciar, até o fim de agosto, a revisão das metas fiscais deste ano e de 2018. Já está certo que não há como se limitar aos deficits previstos, de até R$ 139 bilhões e de até R$ 129 bilhões, respectivamente. Cálculos preliminares indicam que, dentro do aperto que se vê nas contas deste ano, com a máquina pública a ponto de parar, o rombo de 2017 deve ficar entre R$ 150 bilhões e R$ 155 bilhões.
Isso, claro, se tudo der certo nas privatizações – e a das usinas hidrelétricas está cada vez mais longe de poder ser feita depressa – e a receita não decepcionar.
A disputa, por isso, não é econômica, é de suporte político no “mercado”.
É a política que vai determinar o que vai ocorrer depois que Temer conseguir, na primeira etapa, livrar-se do risco de ser afastado pelo processo do Supremo Tribunal Federal que Rodrigo Janot solicita à Câmara autorizar.
É notório – sem provocar maiores protestos dos “mercadistas” de plantão – que Michel Temer tem de escancarar o “saco de bondades” não só agora como, adiante, com uma deterioração econômica que facilite a tramitação de uma segunda denúncia.
O que está sendo jogado, neste final de ano perdido, é o futuro e os ganhos que se pretendem para 2018, como observa hoje, na Folha, Janio de Freitas:
Mas não só por essa expectativa Temer e seu grupo batalham pela admissão de um rombo maior nas contas do governo. Faltam cinco meses para o fim de um ano em que os políticos governistas só têm, até agora, notícias negativas para o eleitorado. E o ano que vem será de eleições. Alguma recuperação de imagem nos próximos cinco meses é ansiada pelo “centrão” pró-Temer. Seja evitando a aprovação de propostas impopulares do governo, seja com afrouxamento do arrocho aplicado pelo governo, a pretexto de uma reabilitação nacional que, todos sentem, não está nem à vista.
Antes de desligar-se do PSDB para entrar no governo Lula, e antes mesmo de entrar no PSDB, o Henrique Meirelles retornado de longa vida como banqueiro nos Estados Unidos planejou candidatar-se à Presidência (posso fazer tal afirmação porque, na época, uma assessoria contratada por Meirelles me procurou para um encontro que não aconteceu). Aspiração dessa grandeza não morre jamais, José Serra que o diga. O êxito na recuperação do crescimento econômico é, porém, a única possibilidade hoje perceptível para uma tentativa da ambição de Meirelles. Logo, para ele é indispensável a preservação do que lhe parece a maneira de chegar a tal êxito, não importa o que, quem e quantos caiam pelo caminho.
Se a ambição de Meirelles é aparentemente tola, como parece, hoje, é coisa para se ver depois, se a mídia e o mercado o transformarem no “austero e honesto” ex-presidente do Conselho da JBS, contra o “malvado gastador” Michel Temer.
Por via das dúvidas, espertamente, Rodrigo Maia vai transitando do barco temerista para o meirellista, guarnição que lhe será indispensável no caso da nau do golpe peemedebista vir a soçobrar.
Volto ao texto de Janio, definitivo:
O tabuleiro em que Henrique Meirelles e Michel Temer passaram a jogar é o da política. Um e outro tornam-se seus piores antagonistas. Entre um e outro, a economia do país de 200 milhões de pessoas é um dispositivo de fazer política.
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