domingo, 30 de julho de 2017

Temer, não brinque com o Rio de Janeiro e com o Exército

demag
Ridícula a exploração demagógica feita hoje por Michel Temer com o drama da segurança pública no Rio de Janeiro.
48 horas depois de uma chegada espalhafatosa das tropas do Exército, vir “passar em revista” (aérea, naturalmente, por mão pode ir à rua em lugar nenhum) para posar de “general da banda” (podre, a considerar por seu ordenança, Moreira Franco) de uma “vitória sobre o crime” é coisa de demagogo debochado.
“O número de roubos, em especial o de cargas, já diminuiu extraordinariamente” disse. Claro, com dois dias de tropas e tanques nas vias mais importantes do Grande Rio, era para ter acontecido o quê? A questão óbvia é que nenhuma cidade pode funcionar com blitz militar em suas artérias todo dia, o dia inteiro.
A lógica de usar efetivos militares em ações ostensivas e maciças é exatamente a sua transitoriedade, sua intensidade e limitação no tempo.
O objetivo de fazer “demonstração de força” está mais do que claro, só resta dúvidas sobre se virá, depois alguma ação efetiva. O Estado está sob uma intervenção federal de fato, mal encoberta por um atrapalhado decreto de “Garantia da Lei e da Ordem” e pelo fato de sua administração financeira encontrar-se, virtualmente, nas mãos do Ministério da Fazenda.
Aliás, com conseuências dramáticas, como as que estão hoje no jornal Extra: Sem salários, aposentados do Estado do Rio vivem em abrigos públicos e pensionatos.
Que planejamento sério pode ser esperado de uma operação que “prevê a atuação das Forças Armadas (no Estado) até o fim de 2017”, mas que, nas palavras de Temer, “pode ser que, em janeiro, este prazo seja estendido até o fim de 2018 e nada impede também que esta ação seja ampliada para outros anos”?
Boa parte das ações de surpresa que se justificariam, com a apreensão de paióis de armamento e munição, perdeu-se.
Não se pode usar nem o Exército Brasileiro nem a população do Rio de Janeiro, seus medos e sua ânsia por um pouco de segurança para fazer operações demagógicas.
É o mínimo de respeito que se pede.

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