20/02/2026

SME SP:organizar e planejar o trabalho educacional no Ciclo de Alfabetização de acordo com os princípios desta Orientação Normativa,

 


SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO

NÚCLEO ADMINISTRATIVO - EXPEDIENTE E PUBLICAÇÃO

Rua Diogo de Faria, 1247 - Bairro Vila Clementino - São Paulo/SP

Telefone:

PROCESSO 6016.2026/0005903-3

Atos Normativos e Despachos SME/NÚC_ADM-PUBL Nº 151376200

GABINETE DO SECRETÁRIO

SME

 

ORIENTAÇÃO NORMATIVA SME Nº 1, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2026

SEI 6016.2026/0005903-3

 

As Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino (RME) devem organizar e planejar o trabalho educacional no Ciclo de Alfabetização de acordo com os princípios desta Orientação Normativa, no âmbito das Escolas Municipais de Ensino Fundamental - EMEFs, Escolas Municipais de Ensino Fundamental e Médio - EMEFMs e Centros Educacionais Unificados - CEUs, que atendam estudantes nesse ciclo de aprendizagem.

Esta Orientação objetiva destacar os princípios orientadores que fundamentam as concepções de alfabetização inicial do Currículo da Cidade e as implicações didáticas de tais concepções, explicitadas nas Orientações Didáticas do Currículo da Cidade, com vistas à garantia dos direitos de aprendizagem dos estudantes de se alfabetizarem na idade certa, por meio do acesso pleno aos conteúdos e às experiências de aprendizagem consideradas fundamentais para seu desenvolvimento.

 

I. Alfabetização no Currículo da Cidade:

● A alfabetização não corresponde a uma aprendizagem estritamente escolar, mas sim aos processos cognitivos que as crianças realizam para compreender o funcionamento do sistema de escrita alfabética, ao mesmo tempo, em que compreendem o funcionamento da linguagem escrita em práticas sociais de leitura e escrita;

● De acordo com a perspectiva psicogenética da língua escrita (Ferreiro e Teberosky, 1986), que embasa o Currículo da Cidade, as crianças são sujeitos ativos de seus processos de aprendizagem, mediados pelo(a) professor(a);

● As crianças têm o direito de participar de muitas situações em que leiam e escrevam mesmo antes de saberem ler e escrever convencionalmente;

● As crianças formulam hipóteses e as testam, constroem critérios, categorizações e estabelecem relações com os elementos da linguagem para justificar suas escritas e leituras, que são observáveis nas etapas que vivenciam até chegarem à elaboração do sistema de escrita alfabética;

● O direito à alfabetização envolve mais do que se apropriar do sistema de escrita alfabética. Está relacionado a compreender os usos sociais das práticas relacionadas à linguagem escrita. Todo o processo de alfabetização necessita garantir que as crianças desenvolvam procedimentos leitores e escritores, cada vez mais complexos, durante o ciclo de alfabetização, que permitam sua utilização em situações em que a leitura e a escrita sejam desenvolvidas em situações comunicativas. Desta forma é possível formar leitores e escritores competentes.

● A linguagem é concebida como lugar de interlocução. É por meio da linguagem que os(as) estudantes participarão de atividades de leitura e escrita por meio do(a) professor(a) e por si mesmos(as), além de participarem de situações de aprendizagem que favoreçam a reflexão sobre as características do sistema de escrita.

● Os processos de construção dos conhecimentos matemáticos devem garantir experiências significativas que favoreçam o desenvolvimento do raciocínio lógico, da comunicação, da argumentação, da elaboração de hipóteses e da resolução de problemas, respeitando os tempos, os modos de aprender e as estratégias próprias das crianças. Essas aprendizagens ocorrem a partir da exploração de situações do cotidiano, de jogos, brincadeiras, investigações e diferentes formas de registro e representação.

● As representações pessoais das crianças são valorizadas como ponto de partida para a construção de conhecimentos matemáticos, favorecendo a aproximação gradual às formas de registro e representação socialmente convencionais. As práticas pedagógicas devem possibilitar que as crianças atribuam sentido à Matemática, reconhecendo-a como uma linguagem presente em diferentes contextos sociais e culturais, e a utilizem de maneira significativa ao longo de sua trajetória escolar.

II - Análise de dados de aprendizagem

Toda ação pedagógica, conforme o Currículo da Cidade, inicia-se pela análise e sistematização de dados relativos às aprendizagens dos(as) estudantes, identificando aquelas que já estão consolidadas, aquelas que necessitam de fortalecimento e aquelas que ainda não foram mobilizadas.

No Ciclo de Alfabetização, o planejamento das ações considera o diagnóstico das aprendizagens dos estudantes, realizado por meio de avaliações diagnósticas. Na RME, esse diagnóstico contempla os procedimentos descritos no Documento Orientador de Sondagens, e outros instrumentos organizados pelo(a) professor(a).

Assim, considerando a função formativa da avaliação e a necessidade de um acompanhamento mais abrangente dos processos de alfabetização inicial, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática, os instrumentos que compõem o conjunto de ações do(a) professor(a) devem garantir um olhar ampliado sobre os processos cognitivos das crianças, contemplando todos os eixos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento previstos no Currículo da Cidade.

Sendo assim, estabelece-se a seguinte organização:

a) Sondagem de Língua Portuguesa:

link:

https://diariooficial.prefeitura.sp.gov.br/md_epubli_visualizar.php?IERRHz6gBEntPZuYtN_64cukrVCfkXjgzvA6zc-ZnKJYRPKsig6ChT7J9GHyL0ZxLuZjIF1REv8fXtBHVao-LQ,,

 

ESCRITA

SONDAGEM DE ESCRITA

EIXO: PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE TEXTOS ESCRITOS

Objetos de conhecimento:

1º Ano

2º Ano

3º Ano

CAPACIDADES DE AQUISIÇÃO DO SISTEMA DE ESCRITA ALFABÉTICA

Atividade:

 

Para crianças com escritas

PS, SSVC, SCVC e SA[1]:

Ditado de lista de palavras do mesmo campo semântico.

 

Para crianças com escritas SA² e A:

Escrita de texto de memória.

 

Objetivo:

Compreender as formas como as crianças conceitualizam o sistema de escrita e observar os procedimentos epilinguísticos envolvidos na reflexão sobre a escrita.

 

 

CAPACIDADES DE RELATAR EXPERIÊNCIAS VIVIDAS, SITUADAS NO TEMPO

 

Atividade:

Escrita de texto da ordem do relatar.

 

Objetivo:

Mapear os níveis de apropriação pelas crianças dos recursos da linguagem escrita, respeitando as características da situação comunicativa situadas no tempo.

 

 

CAPACIDADES DE ELABORAÇÃO DE TEXTOS ORGANIZADOS EM GÊNEROS DA ORDEM DO NARRAR

 

 

Atividade:

Reescrita com modificações

(mudar o final) - Produção híbrida.

 

Objetivos:

Mapear os níveis de apropriação pelas crianças dos recursos da linguagem escrita e de organização do texto, respeitando o registro literário, o tema e a progressão temática do texto-fonte. Além disso, precisa focalizar a necessidade de considerar a articulação entre os aspectos apresentados no texto e a produção da modificação.

IMPORTANTE: Para as crianças do 2º e 3º anos que ainda apresentam escritas nos níveis PS, SSVC, SCVC e SA, deverá ser realizada, em caráter excepcional, a sondagem de Capacidades de Aquisição do Sistema de Escrita Alfabética, conforme orientações dispostas neste campo da tabela. Essa sondagem tem por objetivo compreender as formas de conceitualização do sistema de escrita pelas crianças e observar os procedimentos epilinguísticos mobilizados no processo de reflexão sobre a escrita.

 

LEITURA

SONDAGEM DE LEITURA

EIXO: PRÁTICAS DE LEITURA DE TEXTOS

Objetos de Conhecimento

1º Ano

2º Ano

3º Ano

CAPACIDADE DE COMPREENSÃO DE TEXTOS

Localização de informação explícita.

 

Atividade: Leitura de textos curtos ou trechos de histórias conhecidas com perguntas objetivas (múltipla escolha) de localização.

 

Objetivos: Verificar se a criança localiza informação explícita.

Localização de informação explícita e inferência local.

 

Atividade: Leitura de textos curtos ou trechos de histórias conhecidas com perguntas objetivas (múltipla escolha) de localização e de inferência local.

 

Objetivos: Verificar se a criança localiza informação explícita e realiza Inferência local.

Localização de informação explícita e inferência local.

 

Atividade: Leitura de textos curtos ou trechos de histórias conhecidas com perguntas objetivas (múltipla escolha) de localização e de inferência local.

 

Objetivos: Verificar se a criança localiza informação explícita e realiza Inferência local.

CAPACIDADE DE APRECIAÇÃO E RÉPLICA

 

 

 

Apreciação e réplica de textos escritos

 

Atividade: Leitura de textos curtos ou trechos de histórias conhecidas. Com pergunta de apreciação e réplica em relação ao texto lido.

 

Objetivos: Verificar se a criança realiza apreciação e réplica de textos escritos.

 

b) Sondagem de Matemática:

SONDAGEM DE ESCRITA DE NÚMEROS

EIXO: NÚMEROS

 

1º ANO

2º ANO

3º ANO

OBJETO DE CONHECIMENTO

Sistema de numeração decimal: escrita de números naturais.

ATIVIDADE

Escrita de uma lista de números, ditados pelo(a) professor(a), pertencentes a diversas ordens e classes.

OBJETIVOS

Analisar a escrita dos números e sua relação com a escrita convencional no Sistema de Numeração Decimal.

O ditado de números é uma estratégia pedagógica que ajuda a identificar nos estudantes a composição, decomposição e compreensão do sistema decimal de numeração, além de associar as diferentes funções dos números naturais: quantificar, ordenar, comparar, medir e codificar.

 

MAPEAMENTO DOS EIXOS DA MATEMÁTICA

EIXO: ÁLGEBRA

SONDAGEM DE MAPEAMENTO DOS EIXOS DA MATEMÁTICA

EIXO: ÁLGEBRA

 

1º Ano

2º Ano

3º Ano

OBJETOS DE CONHECIMENTO

Padrões numéricos ou

figurais.

 

 

Sequências repetitivas

e recursivas;

Padrões numéricos ou

figurais.

 

 

Relação de equivalência

em diferentes sentenças matemáticas

envolvendo adições

ou subtrações.

ATIVIDADE

Observar um padrão e completar uma sequência.

Construir sequência de números naturais ou figurais; observando um padrão e completando uma sequência.

Escrita de diferentes sentenças que obtém o mesmo resultado.

 

OBJETIVO(S)

Verificar se o estudante identifica elementos figurais ausentes de uma sequência.

 

Verificar se o estudante identifica o padrão e os elementos ausentes em uma sequência numérica ou figural.

 

Verificar se o estudante compreende a ideia de equivalência para escrever diferentes sentenças de adições ou de subtrações de dois números naturais que resultem na mesma soma ou diferença.

 

EIXO: GEOMETRIA

SONDAGEM DE MAPEAMENTO DOS EIXOS DA MATEMÁTICA

EIXO: GEOMETRIA

 

1º Ano

2º Ano

3º Ano

OBJETOS DE CONHECIMENTO

Reconhecimento de figuras geométricas espaciais e relações com objetos conhecidos

Localização e movimentação de pessoas ou objetos em representações planas do espaço, a partir de pontos de referência e da indicação de posição, de direção e sentido

Similaridades e

diferenças entre figuras

planas e espaciais;

Planificação de figuras

espaciais.

ATIVIDADE

Relacionar objetos com figuras geométricas espaciais.

Localizar a movimentação de pessoas ou objetos em representações planas do espaço.

Observar similaridades e

diferenças entre figuras planas e espaciais;

 

Relacionar uma figura geométrica espacial à sua planificação ou às suas características.

OBJETIVOS

Verificar se o estudante identifica, entre objetos, os que se parecem com algumas figuras geométricas espaciais (blocos retangulares, cubos, esferas, cones, cilindros etc.).

Verificar se o estudante localiza e indica a posição ou a movimentação de um objeto ou de uma pessoa, a partir de pontos de referência.

 

Verificar se o estudante reconhece similaridades e diferenças entre figuras planas, espaciais e planificações (cubo, bloco retangular, pirâmides, cone e cilindro).

 

 

EIXO: GRANDEZAS E MEDIDAS

SONDAGEM DE MAPEAMENTO DOS EIXOS DA MATEMÁTICA

EIXO: GRANDEZAS E MEDIDAS

 

1º Ano

2º Ano

3º Ano

OBJETOS DE CONHECIMENTO

Unidades de medidas

de tempo e uso do

calendário.

Sistema monetário

brasileiro: equivalência

de valores entre

cédulas e moedas.

Medidas de comprimento,

capacidade e massa: uso de unidades padronizadas, comparações e estimativas.

ATIVIDADE

Identificar e escrever uma determinada data usando um calendário;

Identificar a sequência dos dias da semana, usando a

nomenclatura ontem, hoje e amanhã e identificar essas relações no

calendário.

Obter valores a partir da junção entre cédulas e moedas.

Comparar e expressar numericamente as medidas de capacidade, massa e comprimento.

OBJETIVOS

Verificar se o estudante produz a escrita de uma data completa (dia, mês e ano);

Verificar se o estudante conhece a sequência dos dias da semana, usando a

nomenclatura ontem, hoje e amanhã e identificar essas relações no

calendário.

Verificar se o estudante estabelece a equivalência de valores entre moedas e cédulas do sistema monetário brasileiro.

Verificar se o estudante compara comprimento,

capacidade e massa, utilizando unidades de medida padronizadas mais usuais.

 

EIXO: PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA

SONDAGEM DE MAPEAMENTO DOS EIXOS DA MATEMÁTICA

EIXO: PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA

 

1º Ano

2º Ano

3º Ano

OBJETOS DE CONHECIMENTO

Leitura e comparação de dados expressos em

gráficos e tabelas simples.

Ideias de acaso em situações do cotidiano.

Leitura, interpretação, representação e comparação de dados em tabelas de dupla entrada e gráficos de barras ou de colunas.

ATIVIDADE

Ler dados em gráficos e tabelas simples.

Identificar a probabilidade em eventos cotidianos.

 

Identificar e comparar dados apresentados em tabelas e gráficos.

OBJETIVOS

Verificar se o estudante lê e identifica dados expressos em tabelas simples ou em gráficos de colunas simples.

Verificar se o estudante

soluciona e/ou classifica

resultados de eventos

cotidianos aleatórios.

Verificar se o estudante identifica e/ou compara dados apresentados em tabelas e gráficos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EIXO: NÚMEROS

SONDAGEM DE MAPEAMENTO DOS EIXOS DA MATEMÁTICA

EIXO: NÚMEROS

 

1º Ano

2º Ano

3º Ano

OBJETOS DE CONHECIMENTO

Problemas do campo aditivo envolvendo o significado de composição e/ou de transformação.

Problemas do campo aditivo envolvendo os significados de composição e de transformação e/ou Problemas do campo multiplicativo envolvendo o significado de proporcionalidade.

Problemas do campo aditivo envolvendo os significados de composição, transformação e comparação e/ou Problemas do campo multiplicativo envolvendo o significado de proporcionalidade e configuração retangular.

ATIVIDADE

Resolver problemas que envolvem a ideia de composição e/ou de transformação.

Resolver problemas que envolvem a ideia de composição, transformação e/ou proporcionalidade.

Resolver problemas que envolvem a ideia de composição, transformação, proporcionalidade e/ou configuração retangular.

OBJETIVOS

Verificar se o estudante soluciona problemas do campo aditivo (composição e/ou transformação),

utilizando diferentes estratégias pessoais de representação.

 

Verificar se o estudante soluciona problemas que envolvem as ideias de composição e transformação (campo aditivo) e proporcionalidade (campo multiplicativo).

 

Verificar se o estudante soluciona problemas que envolvem as ideias de composição e transformação (campo aditivo), proporcionalidade e/ou configuração retangular (campo multiplicativo).

 

Os dados coletados por meio desses instrumentos são organizados pelo(a) professor(a) na plataforma Sondagem SME, para registro do acompanhamento da progressão das aprendizagens, oferecendo elementos importantes para o planejamento docente, o acompanhamento pela equipe gestora e a elaboração de políticas públicas. A análise de todos esses dados é uma ação fundamental da escola para conhecer seus estudantes e organizar processos de ensino desafiadores que propiciem aprendizagens significativas. O conjunto de registros pedagógicos do acompanhamento das aprendizagens é composto por:

● Planilhas de acompanhamento com o mapeamento em língua portuguesa e em matemática;

● Produções das crianças (sondagem de escrita, de leitura, ditado de números e mapeamento dos eixos em matemática) e marcações de análise pelo(a) professor(a);

● Registro na plataforma Sondagem SME;

● Registros no Sistema de Gestão Pedagógica (SGP) de observações do desenvolvimento das crianças e dos processos avaliativos da escola, por meio das Avaliações Internas, Observações do Estudante, Conselho de Classe e Mapeamento dos Estudantes.

Para além dos instrumentos de sondagem mencionados, faz-se necessária a análise sistemática dos dados provenientes das avaliações consideradas essenciais para o acompanhamento e a qualificação das aprendizagens dos estudantes da Rede Municipal de Ensino de São Paulo: Prova São Paulo, Avaliação Contínua da Aprendizagem do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, SARESP, SAEB e Fluência em Leitura, conforme Comunicado nº 430, de 31 de outubro de 2025.

Todos os instrumentos aqui relacionados são imprescindíveis para o acompanhamento dos processos de aprendizagem. Seu preenchimento e participação são obrigatórios, sob a responsabilidade de todos os docentes envolvidos, sendo de responsabilidade das equipes gestoras seu acompanhamento sistemático, bem como a organização das condições necessárias para sua efetivação. Para estudantes que demandem recursos de acessibilidade, as avaliações e registros deverão ser realizados com os apoios e recursos necessários, preservando a finalidade pedagógica do instrumento.

É importante que as avaliações diagnósticas componham o portfólio da turma para acompanhamento pela equipe da escola durante o ano letivo, oferecendo subsídios à organização de agrupamentos, intervenções e encaminhamentos, inclusive nos anos seguintes, historicizando as trajetórias escolares.

A análise do conjunto de registros de acompanhamento das aprendizagens é o ponto de partida de todo o planejamento docente. Mapear os saberes já construídos pelas crianças, mesmo antes de ingressarem no Ensino Fundamental e suas necessidades de aprendizagem, oferece o contexto para a seleção dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento a serem trabalhados, num movimento intencional, para a garantia das aprendizagens necessárias.

III. Planejamento didático

O Currículo da Cidade traz os quadros de Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento (OADs) organizados por ano/ciclo. Este material é a referência para o planejamento docente na RME, subsidiando as equipes escolares na compreensão de objetivos e princípios que são inegociáveis no trabalho pedagógico com as turmas de alfabetização, considerando direitos e a progressão das aprendizagens até a consolidação da alfabetização.

É importante ressaltar que o planejamento docente deve contemplar não apenas os OADs específicos para cada ano, mas também os comuns do Ciclo. Isso porque os objetivos comuns correspondem a capacidades, procedimentos e comportamentos que as crianças desenvolvem ao longo dos três anos e que complementam os OADs específicos.

 

ANO

OADs a serem contemplados em todos os componentes curriculares

1º ano

OADs do 1º ano + OADs do Ciclo de Alfabetização

2º ano

OADs do 2º ano + OADs do Ciclo de Alfabetização

3º ano

OADs do 3º ano + OADs do Ciclo de Alfabetização

 

Para estudantes elegíveis ao AEE, as ações de alfabetização devem ser planejadas e acompanhadas de forma articulada entre docentes regentes, equipe gestora e profissionais dos Serviços de Educação Especial, com registro e monitoramento no SGP, considerando o Estudo de Caso e o Plano de AEE, quando aplicável, e a adoção de recursos de acessibilidade e Tecnologia Assistiva necessários à participação e à aprendizagem.

 

a) Implicações didáticas da concepção de alfabetização do Currículo da Cidade:

● A alfabetização corresponde muito mais aos processos cognitivos de construção de saberes pelas crianças do que aos conteúdos factuais;

● As crianças devem participar, diariamente, de situações em que leiam e escrevam, ainda que não o façam de forma convencional;

● As hipóteses que formulam sobre o funcionamento da linguagem, tanto sobre a escrita quanto sobre a leitura, devem ser consideradas nos planejamentos dos(as) professores(as), para a construção de aprendizagens significativas.

● As crianças formulam hipóteses sobre o funcionamento da linguagem escrita e sobre o funcionamento do sistema de escrita alfabética no contato com textos reais, em situações comunicativas;

● Todos os dias, as crianças devem escrever por si mesmas, escrever por meio do(a) professor(a), ler por si mesmas e ler por meio do(a) professor(a). Essas são as quatro situações didáticas fundamentais da alfabetização inicial;

● Quanto maior for a regularidade de situações didáticas de produção de texto, mais hipóteses sobre a escrita e seu funcionamento as crianças constroem. Isso tanto em situações de escrita pelo(a) estudante quanto em situações de produção oral com destino escrito (escrita por meio do(a) professor(a));

● A mediação pelo(a) professor(a), em situações didáticas intencionalmente planejadas, amplia e qualifica as possibilidades de produção de saberes pelas crianças, numa relação de duplo-protagonismo;

● O movimento metodológico do Currículo da Cidade favorece que as crianças vivenciem situações em que o(a) professor(a) atua como leitor(a) e/ou escritor(a) experiente e construam comportamentos e procedimentos, que não seriam aprendidos de maneira transmissiva;

● As propostas organizadas pelo(a) professor(a) devem oferecer problemas reais para que as crianças façam conceitualizações sobre o sistema de escrita alfabética, desenvolvam estratégias de localização, interpretação, realizem inferências e produzam textos, mesmo sem ter se apropriado do sistema de escrita alfabética convencional;

● A heterogeneidade de saberes é fundamental nas turmas de alfabetização, já que os diferentes conhecimentos das crianças favorecem o intercâmbio de saberes e, assim, as crianças ampliam suas estratégias cognitivas na interação com o outro e com o objeto de conhecimento;

● A organização do trabalho no Ciclo de Alfabetização precisa considerar o movimento metodológico em todos os componentes curriculares. É fundamental que a prática da sala de aula integre situações de trabalho coletivo, de trabalho em duplas/grupos até chegar em situações de trabalho autônomo, garantindo a construção de autonomia pelas crianças;

● As rotinas devem garantir momentos para o brincar, as interações e os usos dos espaços externos enquanto condições privilegiadas para que a criança se sinta acolhida na Unidade Escolar e tenha as suas diversas linguagens respeitadas em seu processo de construção dos saberes, respeitando as especificidades da infância.

b) Procedimentos didáticos da alfabetização:

Considerando tais implicações didáticas, alguns procedimentos didáticos são inegociáveis na organização da ação pedagógica para as turmas de alfabetização:

 

Periodicidade

Procedimentos didáticos

Diariamente

● Situações didáticas de leitura e escrita que favoreçam a reflexão sobre o sistema de escrita alfabética, articulado à apropriação da linguagem escrita, que contemple pelo menos uma das quatro situações didáticas fundamentais da alfabetização: leitura por meio do(a) professor(a) e por si mesmo, escrita por meio do(a) professor(a) e por si mesmo, considerando a articulação de tais situações didáticas com diferentes gêneros textuais e portadores de leitura e de escrita, em diferentes áreas de conhecimento;

● Leitura em voz alta por meio do(a) professor(a) garantindo a diversidade de culturas, orientados pelo Currículo da Cidade;

● Realização de intervenções docentes intencionais, por meio de perguntas e solicitação às crianças para justificarem suas escolhas sobre os aspectos quantitativos (quantas letras usar) e os aspectos qualitativos (quais letras e em que posição dentro das palavras).

● Promoção de contagens em sequências numéricas e de agrupamentos de diversas maneiras (de um em um, de dois em dois, de cinco em cinco, de dez em dez), estabelecendo comparações e classificações (do menor para o maior e do maior para o menor), utilizando o quadro numérico como apoio para refletir sobre as regularidades do Sistema de Numeração Decimal;

● Leitura de calendário, explorando as regularidades e análise de suas categorizações, como dias da semana, final de semana, organização de sete em sete, número de dias que formam o mês, dias da semana, ordem dos meses, feriados, conceitos de ontem, hoje e amanhã.

● Exploração, contagem e reflexão sobre os usos sociais dos números, a partir de perguntas como, por exemplo: número da casa, telefone, quantidade de estudantes presentes e ausentes na sala, entre outros.

Semanalmente/

quinzenalmente (conforme planejamento e análise da progressão das aprendizagens.)

● Uso do material Caderno da Cidade: Saberes e aprendizagens para o apoio ao planejamento e as práticas em sala de aula.

● Uso dos Kits de experiência pedagógica ou similar, atrelado ao planejamento da rotina com a intencionalidade de aprimoramento das aprendizagens.

● Situações didáticas de reflexão sobre a leitura e sobre a escrita, a partir de atividades que contemplem as quatro situações didáticas fundamentais da alfabetização: leitura por meio do(a) professor(a) e por si mesmo, escrita por meio do(a) professor(a) e por si mesmo, considerando a articulação de tais situações didáticas com diferentes gêneros textuais e diferentes portadores de leitura e de escrita, em diferentes áreas de conhecimento;

● Situações didáticas que promovam a leitura pelo(a) estudante, com ênfase na fluência leitora, garantindo propostas de leitura e compreensão do texto por meio de estratégias leitoras como antecipação, verificação e inferência, entre outras.

 

● Situações didáticas de leitura por si mesmo, de textos conhecidos (parlendas, adivinhas, poemas, canções, trava-línguas etc.), ainda que seja por um procedimento de ajuste do falado ao escrito

 

● Situações didáticas de leitura por si mesmo em voz alta, para eventos de leitura, como saraus, feiras, mediação de leitura, clube de leituras, entre outros.

 

● Realização, pelo menos quinzenal, a depender do foco escolhido para tematização (sistema de escrita alfabética, análise linguística ou questões da linguagem), de uma revisão textual coletiva, com o planejamento prévio, progredindo para revisões em dupla e até individuais de pequenos textos;

 

● Realização, de leitura por meio do(a) professor(a), por meio da modalidade didática de leitura compartilhada, com o planejamento prévio de que considere pausas e perguntas que apoiem a construção de capacidades de leitura, principalmente inferências locais e globais pelos estudantes.

● Situações didáticas que englobam os diferentes tipos de problemas (sem solução, com mais de uma solução, com excesso de dados, problemas de lógica, não-Convencionais, entre outros.)

● Situações didáticas que favoreçam a reflexão e progressão das aprendizagens nos diferentes eixos da matemática (álgebra, grandezas e medidas, probabilidade e estatística, geometria e números);

● Promoção do intercâmbio de saberes entre as crianças, utilizando como estratégia painéis de soluções para consulta por todos os(as) estudantes, tendo como objetivo a ampliação de estratégias de resolução;

● Situações didáticas que favoreçam diferentes registros das estratégias pessoais de resolução, onde os estudantes possam justificar oralmente e por meio de desenhos, escritas, cálculos não convencionais e algoritmos seus pensamentos sobre a questão apresentada, tanto no coletivo, quanto em pequenos grupos ou duplas.

● Promoção de situações didáticas que favoreçam a construção de estratégias de cálculo mental;

● Escrita de números identificando regularidades do sistema de numeração decimal, utilizando as fichas sobrepostas, ou outros materiais manipuláveis, pensando na composição, decomposição dos números.

● Organização de propostas em uma perspectiva investigativa, onde os (as) estudantes devem ser instigados a transformar curiosidades em ações de investigação, identificando elementos do mundo natural, comparando situações e objetos, além de classificá-los em agrupamentos que permitam a percepção de organizações sistematizadas, admitindo a construção de relações entre observações feitas e hipóteses elaboradas e testadas.

● Vivências de jogos e brincadeiras de diferentes culturas, contemplando práticas, originárias, indígenas, latino-americanas, africanas, afro-brasileiras, quilombolas, bem como de povos migrantes e refugiados de diferentes continentes, que possibilitem discussão sobre regras, condições e materiais disponíveis para a realização das brincadeiras, além da reflexão acerca de seus objetivos, dos objetos utilizados, de suas materialidades e de seus usos sociais.

● Apreciação e leitura de imagens, paisagens, mapas e textos, bem como a participação em rodas de debate, articulando a linguagem aos conhecimentos espaciais e geográficos, construindo interações entre a leitura textual e a leitura espacial, favorecendo o desenvolvimento de noções de espacialidade a partir das semelhanças e diferenças, da relação entre parte e todo, local e global e da compreensão das contradições que marcam o uso social dos recursos naturais

Mensalmente

● Organização prévia de rotina, no mínimo, semanal, tendo como base o Boletim Pedagógico, considerando a distribuição intencional das atividades/áreas do conhecimento realizadas ao longo da semana e o encadeamento das atividades propostas, considerando as modalidades organizativas de trabalho e os objetivos propostos no Currículo da Cidade;

● Planejamento das propostas didáticas conforme a progressão das aprendizagens e as necessidades dos(as) estudantes;

● Reflexão sobre o movimento metodológico usado com a turma (situações de trabalho coletivo, em duplas/grupo, autônomo) conforme as diversas intencionalidades, nas diversas áreas do conhecimento e replanejamento para reorganização da rotina pedagógica.

● Organização de agrupamentos e duplas produtivas, considerando as hipóteses de escrita das crianças e os propósitos didáticos;

Bimestralmente

● Uso das diferentes modalidades organizativas do trabalho didático(sequências de atividade, atividades permanentes, projetos e atividades independentes contextualizadas com o plano bimestral;

● Considerando o Projeto Político Pedagógico da Unidade e as necessidades de seus estudantes, planejamento de projeto didático para aprofundamento, conforme indicações do Currículo da Cidade;

● Elaboração e reelaboração de planejamentos com base no diagnóstico das necessidades da turma, levando em consideração os avanços nas aprendizagens e as características do desenvolvimento dos estudantes;

● Realização de sondagens; registros atualizados em plataformas (SGP e Sondagem SME) para acompanhamento da progressão das aprendizagens;

● Planejamento de ações de recuperação contínua, por meio de ações diversificadas e intervenções específicas, observando eventuais dificuldades de aprendizagem e a oferta de desafios possíveis a todos os estudantes;

● Acompanhamento sistemático e contínuo dos dados de sondagem da aquisição do sistema de escrita alfabética, leitura, escrita, escrita de números e resolução de problemas, bem como o progresso das aprendizagens em todos os componentes curriculares.

 

Durante todo o ano letivo

● Organização de ambiente alfabetizador, com as crianças, com materiais diversos que propiciem a reflexão sobre a leitura, escrita, resolução de problemas e tarefas investigativas, como, por exemplo: alfabeto em letra bastão maiúscula sem diferenciação entre vogais e consoantes, cartazes, listas de palavras de mesmo campo semântico, listas de títulos de livros e textos lidos, jogos, quadro numérico, calendário, produções dos estudantes, painel de resolução de problemas, entre outros, garantindo reorganizações e atualizações periódicas, conforme o planejamento didático;

● Construção de portfólios para registro e acompanhamento da progressão das aprendizagens das crianças;

● Organização das propostas de modo que garantam a máxima circulação de informação possível;

● Propostas didáticas que mantém características de objeto sociocultural real, sem se transformar em objeto escolar vazio de significado social;

● Fomentar a interação entre as crianças, de modo que tenham problemas a resolver e decisões a tomar em função do que se propõem produzir e que coloquem em jogo tudo o que sabem e pensam sobre o conteúdo que se quer ensinar;

● Registros no Sistema de Gestão Pedagógica (SGP) de observações do desenvolvimento das crianças e dos processos avaliativos da escola, por meio das Avaliações Internas, Observações do Estudante, Conselho de Classe e Mapeamento dos Estudantes.

● Acompanhamento e engajamento na participação das avaliações externas que fazem parte do Compromisso Nacional da Criança Alfabetizada e do Alfabetiza Juntos, em regime de colaboração entre federação e estado: Avaliação Contínua da Aprendizagem do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, SARESP, SAEB e Fluência em leitura.

 

c) Princípios inegociáveis no Ciclo de Alfabetização:

Além da alfabetização em Língua Portuguesa, é preciso garantir um trabalho efetivo e sistemático com todos os componentes curriculares. Assim, alguns princípios precisam ser considerados nesse trabalho:

● Definição de objetivos de aprendizagem compatíveis com as reais possibilidades da turma, em consonância com o Currículo da Cidade;

● Análise dos conhecimentos prévios dos estudantes e de seu percurso de aprendizagem para o planejamento didático;

● Organização intencional de tempos, espaços, materiais e demais recursos, potencializando aprendizagens por meio da interação qualificada com os objetos de conhecimento;

● Oferta de propostas significativas e problematizadoras que engajem as crianças e que estejam articuladas ao planejamento bimestral e encadeadas, de forma a garantir o aprofundamento e ampliação do grau de complexidade dos objetos de conhecimento;

● Propostas que favoreçam a formação de crianças leitoras autônomas e fluentes, capazes de construir significados e atribuir sentido aos textos, como responsabilidade dos diferentes componentes curriculares.

● Planejamento de diversas modalidades organizativas, considerando as sequências de atividade, atividades permanentes e projetos, bem como de atividades independentes, considerando os propósitos didáticos e comunicativos de cada proposta

● Atendimento às diversidades na sala de aula e implementação de uma Educação Inclusiva, respeitando os ritmos de aprendizagem e planejando intervenções com vistas à eliminação de barreiras que impedem a participação plena dos estudantes;

● Acessibilidade Curricular e eliminação de barreiras: em consonância com a Política Paulistana de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (IN SME nº 14/2025), o planejamento do Ciclo de Alfabetização deve prever, desde a concepção das propostas, estratégias e recursos de acessibilidade (pedagógica, comunicacional, instrumental e tecnológica), assegurando participação e aprendizagem de todos(as) os(as) estudantes, em especial daqueles elegíveis ao AEE.

 

d) Consolidação de aprendizagens em todos os componentes curriculares:

É direito de todas as crianças, além de se alfabetizarem na idade certa, construir conhecimentos de todas as áreas, considerando o princípio da Educação Integral, Inclusiva e Equitativa.

Assim, todos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os componentes curriculares devem ser trabalhados até o final do 3º Ano do Ensino Fundamental e o trabalho sistemático é de responsabilidade de toda a equipe escolar, constituído por um planejamento articulado entre as áreas, para a garantia desses direitos a todos(as) os(as) estudantes.

 

e) Para a garantia dos direitos de aprendizagem dos estudantes, em todos os componentes curriculares, é necessário que:

● As situações didáticas e/ou projetos garantam a função social da linguagem;

● As situações didáticas sejam problematizadoras, ofereçam às crianças um problema real a ser resolvido, por meio de estratégias pessoais e uso de diferentes materiais que oportunizem o intercâmbio de saberes.

● A rotina semanal contemple os diferentes eixos conforme Currículo da Cidade de matemática, língua portuguesa, de história, geografia e ciências naturais.

● O ensino de ciências naturais, efetive-se por meio da abordagem do ensino por investigação, oportunizando a realização das práticas científicas no ciclo (Tratamento da informação, plano de trabalho e Construção de explicação), considerando a articulação entre os três eixos temáticos de Ciências Naturais (Matéria, Energia e suas Transformações; Cosmo, Espaço e Tempo; Vida, Ambiente e Saúde).

● As situações de ensino considerem as categorias de análise a partir do Currículo da Cidade de Geografia tais como: território, paisagem, lugar e natureza. Essas categorias, nos anos iniciais, favorecem a construção de princípios de: localização, unidade terrestre, individualidade de cada lugar, dinamismo da natureza, comparação entre as individualidades, colaborando para ampliação do repertório e leitura de mundo dos estudantes.

● As situações de ensino articulem as aprendizagens previstas no Currículo da Cidade de História, de modo que a aprendizagem histórica contribua para que as crianças conheçam, questionem e narrem objetos, práticas e vivências sociais de seu universo infantil, em comparação com elementos de diferentes épocas, lugares em diferentes épocas, lugares, culturas, suas materialidades e relações sociais implicadas. Esse trabalho se realiza por meio de diversas linguagens, como relatos orais, livros, canções e vídeos, favorecendo a construção de narrativas e a compreensão de medidas de tempo socialmente construídas, no presente e em outros períodos históricos.

 

f) O trabalho dos(as) professores(as) especialistas no Ciclo de Alfabetização:

Os(As) professores(as) especialistas que atuam no Ciclo de Alfabetização precisam, também, articular seus planejamentos didáticos às necessidades de aprendizagem dos estudantes, em colaboração com o(a) regente. Tais componentes possuem Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento (OADs) próprios, organizados em seus cadernos de referência do Currículo da Cidade. Todos os OADs precisam ser considerados nos planejamentos, como direitos de aprendizagem das crianças e, de forma geral, é imprescindível:

● Para Arte, promover a ampliação do repertório dos estudantes nas diferentes linguagens artísticas: Artes Visuais, Teatro, Dança e Música;

● Para Educação Física, vivenciar práticas das esferas da cultura corporal, atrelando a cognição e a ludicidade, considerando as especificidades das diferentes infâncias;

● Para Língua Inglesa, promover práticas da vida cotidiana relacionadas ao universo da criança e às atividades sociais nas quais interage, com foco no brincar e na linguagem oral, priorizando gêneros textuais, tais como: contos tradicionais, contos de repetição, fábulas, parlendas, cantigas de ciranda, poemas, regras de jogos e brincadeiras e brincadeiras cantadas;

● Para Sala de Leitura e Educação Digital, organizar planejamentos que atendam às especificidades dessa fase de escolarização, garantido a articulação com os(as) professores(as) regentes do Ciclo de Alfabetização.

 

IV. Ciclo Avaliativo

A avaliação das aprendizagens, como um ato pedagógico, precisa efetivar-se numa perspectiva formativa. Além da avaliação diagnóstica, realizada no início de todo processo de planejamento, é preciso acompanhar a progressão das aprendizagens, para verificar o alcance dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e das metas de aprendizagem propostas pelos docentes, num movimento em que tais ações se retroalimentem. Deve, ainda, considerar as condições de acessibilidade necessárias à participação dos(as) estudantes, de modo a assegurar o acompanhamento dos processos cognitivos envolvidos, e não das barreiras impostas pelo contexto

Do ponto de vista das crianças, a avaliação também cumpre papel importante quando favorece a autorregulação da aprendizagem, o monitoramento dos seus percursos de ampliação de saberes e o engajamento nas atividades escolares.

 

V. Considerações finais

Todas as orientações organizadas neste documento têm o objetivo de subsidiar educadores e equipes na efetivação de processos de ensino e aprendizagem, visando o alcance:

● da consolidação hipótese de escrita alfabética pelas crianças até o final do 1º ano;

● da alfabetização das crianças até o final do 2º ano;

● do trabalho sistemático com a alfabetização matemática e seus cinco eixos estruturantes;

● do direito à alfabetização científica, cartográfica, artística, cultural, espacial e corporal; e

● da consolidação da alfabetização até o final do 3º ano do Ciclo de Alfabetização.

 

Referências Bibliográficas:

FERREIRO, Emília. e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

LERNER, Délia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002.

BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Relatório da Pesquisa Alfabetiza Brasil: Diretrizes para uma Política Nacional de Avaliação da Alfabetização das Crianças. Brasília, DF: Inep, 2023.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Orientações didáticas do Currículo da Cidade: Coordenação Pedagógica. - 2.ed. São Paulo: SME / COPED, 2019.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: Língua Portuguesa. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: Matemática. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: História. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: Geografia. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: Ciências. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: Arte. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: Educação Física. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Currículo da Cidade. Ensino Fundamental: Língua Inglesa. São Paulo: SME / COPED, 2018.

SÃO PAULO (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Orientações didáticas do Currículo da Cidade: Língua Portuguesa - vol. I. São Paulo: SME / COPED, 2018.

São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Documento orientador de sondagens no Ciclo de Alfabetização: Língua Portuguesa e Matemática. - São Paulo: SME / COPED, 2022.

São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Glossário da Educação Especial na Rede Municipal de Ensino. – São Paulo : SME / COPED, 2025.

INSTRUÇÃO NORMATIVA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO - SME Nº 14 de 4 de Março de 2025 que Regulamenta o Decreto nº 57.379, de 13 de outubro de 2016, que institui no Sistema Municipal de Ensino a Política Paulistana de Educação Especial, na Perspectiva da Educação Inclusiva.

Publicação Autorizada SEI, doc: 151239447

Fernando Padula Novaes

Secretário Municipal de Educação


[1] Para as crianças com escrita na hipótese silábico-alfabética, o(a) professor(a) verificará qual é o melhor instrumento para analisar a escrita do(a) estudante, lembrando que as crianças são capazes de escrever textos mesmo não escrevendo convencionalmente

 

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