domingo, 23 de julho de 2017

Ex-diretor do Metrô de SP, Sérgio Corrêa Brasil é alvo de delações


Segundo cinco executivos da Odebrecht, ele recebeu propinas em gestões tucanas

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Trens do Metrô de SP: empresa investigou seu ex-diretor e achou incompatibilidade patrimonial - Nelson Antoine/AP/6-6-2014
SÃO PAULO — Citado por cinco dos 77 executivos da Odebrecht e alvo da primeira delação fechada pelo Ministério Público paulista em relação a fraudes em contratos do metrô, o ex-diretor da estatal Sérgio Corrêa Brasil atuou em licitações bilionárias no governo de São Paulo mesmo depois de seu nome aparecer nas investigações da Operação Castelo de Areia, em 2009. Segundo delatores, Corrêa Brasil recebeu propinas referentes a obras de quatro linhas do metrô ao longo de diferentes gestões tucanas no governo paulista.
Em planilhas de pagamento das empreiteiras Odebrecht e Camargo Corrêa, o ex-diretor foi identificado com os apelidos de “Brasileiro”, “Encostado” e “Mel de Abelha”. Funcionário de carreira, Corrêa Brasil foi gerente de compras do Metrô de São Paulo entre agosto de 1994 a julho de 2008.
Em agosto de 2008, foi promovido a diretor de assuntos corporativos, posto que ocupou até dezembro de 2010. No período como diretor, ele assinou 118 contratos que somam R$ 9,7 bilhões.
Mas, mesmo antes de assumir o posto no primeiro escalão da estatal, Corrêa Brasil já era um agente influente, segundo depoimento de delatores. De acordo com o executivo da Odebrecht Fabio Gandolfo, no fim de 2003, quando a empreiteira iniciou tratativas para que o metrô retomasse um contrato para expansão da linha 2 que estava parado havia mais de dez anos, o então presidente da estatal, Luiz Carlos Frayze David, disse que a empreiteira precisaria pagar “um apoio” para um funcionário que cuidaria do ajuste contratual. Nos anos de 2004, 2005 e 2006, o então gerente do metrô teria recebido R$ 1,5 milhão.
Um relatório da Polícia Federal produzido em outubro de 2009 no âmbito da Operação Castelo de Areia identificou que uma outra empreiteira, a Camargo Corrêa, pagou propina a Corrêa Brasil também por causa das obras linha 2. Em uma anotação apreendida na sala do então executivo Pietro Bianchi na sede da construtora, há menção ao pagamento de R$ 170 mil, que os investigadores concluem, com base em outros documentos achados com um doleiro, teriam como beneficiário Corrêa Brasil. Nos papéis do doleiro, ele é identificado como “Mel de Abelha”.
A Operação Castelo de Areia foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a decisão, as investigações tiveram início a partir de fontes anônimas. Na época, Corrêa Brasil trabalhava na licitação de R$ 4 bilhões para a expansão da linha 5 do metrô. O processo licitatório só foi concluído em outubro de 2010.
— Ele era o líder do processo licitatório — disse o executivo da Odebrecht Carlos Paschoal, em sua delação.
Após a assinatura do contrato, Corrêa Brasil, segundo delatores, cobrou o pagamento de 0,5% do valor do contrato porque teria atendido a reivindicações para modificar o edital. No mês passado, dois executivos da Camargo Corrêa, Jorge Yazbek e Eduardo Maghidman, disseram terem pago R$ 2,5 milhões em propina ao ex-diretor.
Em dezembro de 2010, Corrêa Brasil deixou o posto de direção na estatal. Quatro meses depois, foi cedido para a Secretaria de Planejamento a atuou no conselho gestor de Parceria Público Privadas (PPPs) do estado. Em 2013, fez parte da comissão de licitação para concessão da linha 6 do Metrô.
De acordo com o executivo da Odebrecht Celso Rodrigues, na época Corrêa Brasil tinha até uma sala no Palácio dos Bandeirantes, a sede do governo paulista. E foi no restaurante usado pelos funcionários do palácio que ele fez uma reunião com representantes das empresas e acertou que elas lhe pagariam 0,1% dos R$ 8 bilhões referentes às obras civis da linha 6. Rodrigues também relatou pagamentos a Corrêa Brasil relativos à linha 4.
METRÔ SE DIZ VÍTIMA
O Metrô informou que, “mesmo com a Operação Castelo de Areia tendo sido anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), investigação instaurada pela Corregedoria Geral da Administração (CGA) no ano passado e concluída em maio deste ano identificou a incompatibilidade da evolução patrimonial de Corrêa Brasil em relação aos seus vencimentos”. Um outro procedimento, segundo a estatal, foi instaurado pela Corregedoria este mês para investigar as acusações dos delatores.
O governo do estado e o Metrô dizem ser vítimas dos crimes praticados pelo ex-diretor da estatal. O governo ainda informou que, no período em que Corrêa Brasil esteve na Secretaria do Planejamento, não havia “fato jurídico impeditivo à sua atuação”. O advogado de Corrêa Brasil foi procurado, mas não retornou as ligações da reportagem.


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