11/05/2013

Sem acordo no TRT, greve de instrutores de autoescolas continua


 Jornal Cruzeiro do Sul

Os instrutores e demais trabalhadores de autoescolas de Sorocaba e Campinas decidiram continuar em greve, após não ter sido estabelecido nenhum acordo ontem, durante audiência realizada na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas. Aqui na cidade cerca de 250 profissionais do setor estão paralisados há três semanas, o que deve acarretar em atraso na emissão de carteiras de habilitação.

No início da greve, os empregados queriam reajuste salarial de 19%, porém ontem a proposta apresentada por eles foi de 13%, mas mesmo assim os proprietários de autoescolas mantém a oferta de reajuste de 6,5% mais aumento real de 1%, e não fizeram ontem nenhuma contraproposta. Os trabalhadores também reivindicam tíquete-alimentação no valor de R$ 20 enquanto os patrões propõem R$ 12. Atualmente os funcionários recebem R$ 10 para as refeições.

Os trabalhadores também reivindicam adicional por tempo de serviço, já que atualmente quem começa na profissão recebe o mesmo salário de quem está há 20 anos na área, e pedem para que o convênio médico seja gratuito, pois no sistema atual o trabalhador tem de arcar com a metade do valor.

Ilda Boaventura, advogada do Sindicato dos Trabalhadores e Empregados em Auto Moto Escola (Sintrautodescamp) explica que a entidade representa 140 municípios, porém as únicas cidades que paralisaram as atividades são Sorocaba e Campinas. "O sindicato não teria condições de parar 140 cidades do Estado", diz.

A advogada afirma que os patrões de Sorocaba não precisam necessariamente esperar que haja um acordo geral, para todas as cidades. "Nós podemos fechar um acordo só com Sorocaba, se eles estiverem abertos para negociação", esclarece.

Ilda pede para que os empregadores tenham consciência da situação precária financeira de seus trabalhadores e entrem em contato com o sindicato para a negociação. "A greve permanece, mas até o julgamento nós estamos abertos para qualquer negociação", enfatiza.

Conforme Sandro Rodrigues Ferreira, presidente da Associação das Autoescolas de Sorocaba, entidade que tem como afiliados os proprietários das autoescolas, na terça-feira o TRT irá julgar a legalidade ou não da greve, momento em que será decidido se os trabalhadores devem voltar e se serão descontados os dias que ficaram sem trabalhar. "Nós vamos aguardar a decisão do juiz", afirma Sandro. Para ele, o sindicato agiu de forma arbitrária, obrigando os empregados a parar. "Acredito que 10% aderiu à greve, o resto foi forçado", diz.

O salário atual dos instrutores é de R$ 1.431,00.

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