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Declaração do presidente do PSD gerou mal-estar no Palácio dos Bandeirantes e tirou Kassab da lista para compor a chapa de Tarcísio em 2026
247 - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vive um momento de tensão política com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo paulista. O desgaste, provocado por declarações recentes de Kassab sobre a relação do governador com a família Bolsonaro, já teria impacto direto na articulação eleitoral de 2026.
As informações foram divulgadas pela jornalista Letícia Casado, do UOL, que detalhou o incômodo no entorno do governador e o consequente afastamento de Kassab da possibilidade de integrar a chapa de reeleição de Tarcísio como vice-governador.
O episódio começou após entrevista de Kassab ao UOL, em 29 de janeiro, na qual ele analisou o cenário eleitoral de 2026 e comentou o vínculo político de Tarcísio com Jair Bolsonaro. Na ocasião, Kassab afirmou: “É fundamental que ele tenha a sua identidade. Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade; outra coisa é submissão”.
A fala foi interpretada como uma crítica direta ao governador e causou forte reação dentro da cúpula do governo paulista. Segundo a reportagem, a expressão “submissão” caiu muito mal entre aliados de Tarcísio, gerando um mal-estar relevante no Palácio dos Bandeirantes.
No dia seguinte, em 30 de janeiro, Tarcísio respondeu publicamente, rejeitando a interpretação de que sua posição política seria de dependência em relação ao ex-presidente. O governador afirmou: “Não tem absolutamente nada a ver com submissão. É fácil estar ao lado quando a pessoa está bem. Às vezes não se vê muito isso na política: estender a mão quando a pessoa está na pior, quando precisa da sua ajuda, perdeu o poder, quando está privada da sua liberdade”.
De acordo com Letícia Casado, o governador chegou a comentar internamente o caso, sustentando que é uma pessoa leal, mas que não aceita ser retratado como submisso. Ele também teria argumentado que sua decisão de permanecer à frente do governo paulista não poderia ser associada a qualquer tipo de submissão.
Diante da repercussão negativa, Kassab tentou recuar. Após a resposta de Tarcísio, o dirigente do PSD declarou que sua intenção não era atacar o governador e buscou reinterpretar sua própria fala: “Eu falei que ele não era submisso, que ele é uma pessoa que tem caráter, uma pessoa que sabe que reconhecimento é importante, seja na vida pessoal ou também na vida política. Esse gesto deles é correto e adequado para alguém que foi ministro, teve a oportunidade de ser ministro e foi lançado e apoiado na sua campanha de governador. Portanto, é mais que correto essa aliança, essa parceria e esse reconhecimento”.
Apesar da tentativa de recomposição, o estrago político já estaria consolidado. A reportagem aponta que o episódio ocorreu em um contexto de divergência estratégica: Kassab defendia que Tarcísio se lançasse candidato à Presidência da República em 2026, posição compartilhada por parte expressiva da classe política. No entanto, o governador decidiu permanecer em São Paulo, movimento que, segundo o relato, ocorreu sob forte pressão da família Bolsonaro, que passou a apostar no senador Flávio Bolsonaro como nome para a disputa presidencial.
O atrito, portanto, extrapolou a entrevista e passou a interferir diretamente nas alianças estaduais. Kassab, que antes era cogitado para integrar a chapa de Tarcísio em 2026, deixou de ser uma opção para o cargo de vice-governador. O governador já teria outros nomes em avaliação, e o dirigente do PSD, que estava no radar, passou a ser descartado.



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