Segundo a polícia, cerca de 40% dos veículos furtados em Sorocaba são recuperados
Notícia
publicada na edição de 19/04/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 7
do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado
diariamente após as 12h.
Os
crescentes índices de furtos de veículos têm tirado o sono das
autoridades policiais em Sorocaba. Em apenas três meses, foram
registrados 609 casos, número 42% maior ao mesmo período de 2010.
Segundo a última estatística da criminalidade, divulgada pela Secretaria
da Segurança Pública do Estado, essa foi a única modalidade de crime
com aumento de ocorrências em Sorocaba no primeiro trimestre, comparado
ao ano passado. Segundo o delegado seccional André Moron, embora seja um
número preocupante, houve uma desaceleração em relação ao último
trimestre de 2010, quando o número de ocorrências chegou a avançar em
57% no comparativo a igual período do ano anterior.
Segundo ele, ações recentes realizadas em parceira com a Polícia Militar devem influenciar positivamente na redução dos casos de furtos na cidade, como as operações de combate a desmanche e receptação de peças, além da prisão de três dos principais furtadores de veículos ocorridas na última semana. "Essas atuações devem inibir a ação dos bandidos e diminuir os números de ocorrências nos próximos meses", estima. Ele cita que na última semana de março já foi verificada uma queda de cerca de 19% de casos, que caíram de 217 registrados nas duas primeiras semanas do mês, para 175.
O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Vítor Gusmão, disse que somente neste ano foram presos 52 pessoas envolvidas com interceptação, roubo e furtos de veículos em Sorocaba. O grande problema, reconhece ele, é a reincidência por parte dos envolvidos nos crimes, que depois de cumprirem uma pena considerada leve voltam a agir. Nos casos de flagrante de furtos de veículos e interceptação, a pena é de dois a oito anos de prisão. A maioria, no entanto, não chega a cumprir nem isso, já que são raros os casos de flagrante. O comandante reconhece que a ação policial contra os furtos de veículos é dificultada pela rapidez com que agem os marginais, por isso as operações têm sido mais direcionadas aos receptadores, como forma de dificultar a destinação desses veículos. De acordo com o comandante, cerca de 40% dos veículos furtados em Sorocaba são recuperados.
O aumento da frota de veículos, avalia o delegado Moron, é outro fator que tem influenciado o aumento nas estatísticas de furtos na cidade. Ele diz que por dia chegam a ser emplacados 60 de 80 veículos, com um aumento médio de 2 mil veículos por mês. "Quanto mais carros em circulação, maior é a atuação dos marginais." A região que abrange o 3º Distrito Policial, que responde pela Zona Sul da cidade, é onde se concentra o maior número de furtos de veículos. O delegado André Moron diz que devido à concentração maior de patrulhamento nessa área, existe uma migração pontual para outras áreas da cidade, como a região da Vila Progresso e Zona Norte. Os carros populares, como Uno e Gol, de cores brancas e cinza, são apontados pelo delegado como os principais alvos de furto, devido à maior dificuldade de identificação. Os modelos mais antigos, com ano de fabricação entre 1995 e1998, são os mais procurados para desmanche. Já os novos modelos são procurados para clonagem e adulteração de chassi.
Roubos caem
Ao contrário dos furtos, os casos de roubos de veículos, em que as vítimas sofrem algum tipo coação, tiveram uma acentuada redução. No primeiro trimestre, esse tipo de ocorrência caiu em 33% em relação ao mesmo período de 2010, passado de 120 para 80 casos registrados em Sorocaba. Essa tendência de queda também foi verificada nas ocorrências de outros tipos de roubos, como em estabelecimentos comerciais, residências e pedestres. Nos três primeiros meses do ano foram somados 496 casos, enquanto no mesmo período de 2010 foram 513, com redução de 3%.
Outro índice considerado positivo pelo delegado seccional foram as ocorrências de homicídio. Moron diz que embora o número de casos tenha se mantido praticamente o mesmo, caindo de 17 para 16 casos no trimestre, o número está dentro da média estadual e do preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que estabelece até 10 mortes para cada 100 mil habitantes ao ano. Segundo o delegado André Moron, mais de 60% dos casos de homicídios registrados em Sorocaba são esclarecidos, o que também favorece a redução do número de ocorrências, sendo que a maior parte delas está relacionada ao tráfico de drogas e crimes passionais.
O comandante da PM destaca que a redução da maior parte dos índices de criminalidade é resultado de uma estratégia conjunta entre as polícias, que favorece tanto as ações preventivas e ostensivas, como investigativas. Até o final do ano, ele diz que Sorocaba deve ganhar reforço ainda maior no patrulhamento, com o aumento do efetivo policial que irá suprir a defasagem de 20% do quadro atual. (Por Rosimeire Silva - rosimeire.silva@jcruzeiro.com.br)
Segundo ele, ações recentes realizadas em parceira com a Polícia Militar devem influenciar positivamente na redução dos casos de furtos na cidade, como as operações de combate a desmanche e receptação de peças, além da prisão de três dos principais furtadores de veículos ocorridas na última semana. "Essas atuações devem inibir a ação dos bandidos e diminuir os números de ocorrências nos próximos meses", estima. Ele cita que na última semana de março já foi verificada uma queda de cerca de 19% de casos, que caíram de 217 registrados nas duas primeiras semanas do mês, para 175.
O comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Vítor Gusmão, disse que somente neste ano foram presos 52 pessoas envolvidas com interceptação, roubo e furtos de veículos em Sorocaba. O grande problema, reconhece ele, é a reincidência por parte dos envolvidos nos crimes, que depois de cumprirem uma pena considerada leve voltam a agir. Nos casos de flagrante de furtos de veículos e interceptação, a pena é de dois a oito anos de prisão. A maioria, no entanto, não chega a cumprir nem isso, já que são raros os casos de flagrante. O comandante reconhece que a ação policial contra os furtos de veículos é dificultada pela rapidez com que agem os marginais, por isso as operações têm sido mais direcionadas aos receptadores, como forma de dificultar a destinação desses veículos. De acordo com o comandante, cerca de 40% dos veículos furtados em Sorocaba são recuperados.
O aumento da frota de veículos, avalia o delegado Moron, é outro fator que tem influenciado o aumento nas estatísticas de furtos na cidade. Ele diz que por dia chegam a ser emplacados 60 de 80 veículos, com um aumento médio de 2 mil veículos por mês. "Quanto mais carros em circulação, maior é a atuação dos marginais." A região que abrange o 3º Distrito Policial, que responde pela Zona Sul da cidade, é onde se concentra o maior número de furtos de veículos. O delegado André Moron diz que devido à concentração maior de patrulhamento nessa área, existe uma migração pontual para outras áreas da cidade, como a região da Vila Progresso e Zona Norte. Os carros populares, como Uno e Gol, de cores brancas e cinza, são apontados pelo delegado como os principais alvos de furto, devido à maior dificuldade de identificação. Os modelos mais antigos, com ano de fabricação entre 1995 e1998, são os mais procurados para desmanche. Já os novos modelos são procurados para clonagem e adulteração de chassi.
Roubos caem
Ao contrário dos furtos, os casos de roubos de veículos, em que as vítimas sofrem algum tipo coação, tiveram uma acentuada redução. No primeiro trimestre, esse tipo de ocorrência caiu em 33% em relação ao mesmo período de 2010, passado de 120 para 80 casos registrados em Sorocaba. Essa tendência de queda também foi verificada nas ocorrências de outros tipos de roubos, como em estabelecimentos comerciais, residências e pedestres. Nos três primeiros meses do ano foram somados 496 casos, enquanto no mesmo período de 2010 foram 513, com redução de 3%.
Outro índice considerado positivo pelo delegado seccional foram as ocorrências de homicídio. Moron diz que embora o número de casos tenha se mantido praticamente o mesmo, caindo de 17 para 16 casos no trimestre, o número está dentro da média estadual e do preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que estabelece até 10 mortes para cada 100 mil habitantes ao ano. Segundo o delegado André Moron, mais de 60% dos casos de homicídios registrados em Sorocaba são esclarecidos, o que também favorece a redução do número de ocorrências, sendo que a maior parte delas está relacionada ao tráfico de drogas e crimes passionais.
O comandante da PM destaca que a redução da maior parte dos índices de criminalidade é resultado de uma estratégia conjunta entre as polícias, que favorece tanto as ações preventivas e ostensivas, como investigativas. Até o final do ano, ele diz que Sorocaba deve ganhar reforço ainda maior no patrulhamento, com o aumento do efetivo policial que irá suprir a defasagem de 20% do quadro atual. (Por Rosimeire Silva - rosimeire.silva@jcruzeiro.com.br)
19/04/2011
Jogo de cena Nem os alckmistas, recém-instalados no comando do diretório paulistano, nem os vereadores, insatisfeitos com a nova ordem, fizeram esforço real para impedir a implosão. Os primeiros não confiam na bancada, eminentemente kassabista. Os segundos buscavam um expediente legal para deixar o PSDB.
Despachante Ex-secretário municipal de Esportes, o tucano Walter Feldman negocia com siglas da base de Kassab o destino dos dissidentes. A meta, além de adensar o PSD, é vitaminar partidos como PV e PPS, parceiros do prefeito em 2012.
Opções A aliados Kassab diz não acreditar que Serra venha a ser candidato. No momento, o prefeito promove Eduardo Jorge (PV), seu secretário de Meio Ambiente.
Resta um Diante da terra arrasada, Alckmin abraçou o que restou do DEM paulista. Assim o partido ganhou força para desalojar Guilherme Afif, sócio-fundador do PSD, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado.
EUA recebem alerta pelo risco da dívida
Agência de classificação de risco coloca o país em "perspectiva negativa", o que derruba Bolsas pelo mundo
S&P avalia que políticos não se entendem sobre a necessidade de reduzir o deficit publico e a alta dívida norte-americana
ANDREA MURTA
DE WASHINGTON
Os EUA receberam ontem projeção "negativa" para sua nota de risco da dívida soberana, dada pela Standard & Poor's, uma das principais agências de avaliação de investimentos do mundo. A notícia derrubou diversas Bolsas ao redor do mundo.
A mudança na perspectiva representa um alerta de que aumentou o risco de o país não poder pagar a sua dívida no futuro. A perspectiva negativa é um passo anterior à decisão de rebaixar a nota de risco de um país.
A projeção anterior para os EUA era "estável". O país hoje tem nota AAA, a melhor da agência, denotando que sua capacidade de cumprir compromissos e pagar no prazo os papéis de dívida que emite é extremamente alta.
Um possível rebaixamento indicaria que a S&P crê que essa capacidade diminuiu, o que pode afugentar investidores. Segundo a agência, há uma chance em três, pelo menos, de a nota dos EUA cair em dois anos.
O motivo da projeção negativa é a situação do deficit federal americano, que deve atingir US$ 1,6 trilhão antes do final do ano, e a crescente dívida pública dos EUA, calculada hoje em mais de US$ 14,2 trilhões.
"Mais de dois anos depois do início da crise, políticos dos EUA ainda não concordaram em como reverter a deterioração fiscal ou resolver as pressões fiscais de longo prazo", disse a S&P.
Quanto maior o buraco da dívida, mais difícil é para o governo pagar no prazo seus compromissos.
A S&P se disse preocupada com a chance de a Casa Branca e o Congresso não se entenderem sobre o Orçamento do ano fiscal de 2013. O alerta chega após duras batalhas sobre os gastos públicos de 2011 e 2012.
O governo dos EUA criticou o anúncio. "Fundamentalmente, a S&P está fazendo um julgamento político, e não acho que ele está correto", disse Austan Golsbee, conselheiro econômico da Casa Branca. O Tesouro disse que "a projeção subestima a capacidade dos líderes americanos de se unir".
Não é, porém, a primeira vez que uma agência alerta para as dificuldades relacionadas ao déficit americano.
A Moody"s, uma das principais concorrentes da S&P, não chegou a divulgar um alerta oficial sobre a dívida dos EUA, mas no fim de março um dos seus altos executivos declarou que, se nada for feito, "uma avalanche se formará em 2012 e depois".
BOLSAS EM QUEDA
Ainda que um calote siga quase inimaginável, a projeção sacudiu as Bolsas pelo mundo. Preocupações crescentes com a crise fiscal na Europa também contribuíram para o movimento.
O índice Dow Jones, uma referência mundial, caiu 1,14% e o Nasdaq, 1,06%. Já o Stoxx Europe 600 caiu 1,7%, e a Bovespa caiu 1,9%. O petróleo cru e outras commodities também caíram, devido a temores de que a demanda nos EUA diminua. O ouro, considerado mais seguro em tempos nebulosos, subiu.
O FMI afirmou em seu último relatório sobre a situação fiscal mundial que a dívida dos EUA é um risco para a economia global. A dívida americana e de vários países cresceu após a crise de 2008 porque os governos tiveram de investir fortemente e assumir por algum tempo o lugar dos gastos privados.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1904201101.htm
Prédio da prefeitura vira cracolândia da zona leste
Caio do Valle e Rivaldo Gomes
do Agora
do Agora
A insegurança aumentou no Jardim Iva, na região de Aricanduva (zona
leste de SP). Uma construção abandonada pela prefeitura na praça da
esquina das ruas Altena e Miguel Bastos Soares tem atraído diversos
usuários de drogas, criando uma nova cracolândia na cidade. Moradores
dizem que a presença de usuários de drogas também tem aumentado os
furtos e os roubos.
O imóvel, de acordo com eles, originalmente seria utilizado como
pista de bocha, mas, desde que foi concluído, há cerca de cinco anos,
nunca foi aberto para este fim. "Queremos que derrubem logo isto aqui,
já que não está sendo usado para nada de bom", diz a advogada Rosa
Eliziane Santos, 41 anos, que vive perto da construção que se
transformou em ponto de consumo de crack e maconha. Uma área ao lado do
prédio é usada como banheiro pelos viciados, o que provoca um forte odor
na região.
A reportagem esteve ontem no local e encontrou, em uma passagem ao
lado do imóvel, diversos pinos vazios. Um homem que afirmou viver na
construção disse que eles são usados para armazenar drogas, entre elas,
crack. No interior do local, o teto, feito de metal, está todo queimado.
Também há colchões e muitas marcas de fogo no chão, além de pichações
nas paredes.
Painel
Tucanos feridos
Maior do que previam aliados do governador Geraldo Alckmin, a debandada de 5 dos 13 vereadores tucanos projeta um cenário de isolamento para o PSDB na eleição paulistana. Tudo caminha para que os polos aglutinadores do apoio de partidos -e portanto de tempo de TV- sejam os candidatos do PT, de um lado, e do prefeito Gilberto Kassab (PSD), de outro.
Essa escrita poderá se romper se José Serra aceitar concorrer, o que amarraria Kassab. Mas não apenas Serra diz que não topa como, a esta altura da desagregação, é incerto que sua presença na cabeça da chapa baste para fazer aquilo que um dia foi a aliança demotucana em São Paulo trabalhar por objetivo comum.
Maior do que previam aliados do governador Geraldo Alckmin, a debandada de 5 dos 13 vereadores tucanos projeta um cenário de isolamento para o PSDB na eleição paulistana. Tudo caminha para que os polos aglutinadores do apoio de partidos -e portanto de tempo de TV- sejam os candidatos do PT, de um lado, e do prefeito Gilberto Kassab (PSD), de outro.
Essa escrita poderá se romper se José Serra aceitar concorrer, o que amarraria Kassab. Mas não apenas Serra diz que não topa como, a esta altura da desagregação, é incerto que sua presença na cabeça da chapa baste para fazer aquilo que um dia foi a aliança demotucana em São Paulo trabalhar por objetivo comum.
Jogo de cena Nem os alckmistas, recém-instalados no comando do diretório paulistano, nem os vereadores, insatisfeitos com a nova ordem, fizeram esforço real para impedir a implosão. Os primeiros não confiam na bancada, eminentemente kassabista. Os segundos buscavam um expediente legal para deixar o PSDB.
Despachante Ex-secretário municipal de Esportes, o tucano Walter Feldman negocia com siglas da base de Kassab o destino dos dissidentes. A meta, além de adensar o PSD, é vitaminar partidos como PV e PPS, parceiros do prefeito em 2012.
Opções A aliados Kassab diz não acreditar que Serra venha a ser candidato. No momento, o prefeito promove Eduardo Jorge (PV), seu secretário de Meio Ambiente.
Resta um Diante da terra arrasada, Alckmin abraçou o que restou do DEM paulista. Assim o partido ganhou força para desalojar Guilherme Afif, sócio-fundador do PSD, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado.
Hiperativo Pressionado a deixar a pasta, o vice
fez chegar a Alckmin relatórios sobre o programa "Via Rápida do
Emprego", a implantação da Universidade Virtual e a reestruturação do
Centro Paula Souza, mantenedor da rede de escolas técnicas.
Cadê? No clipping de jornais distribuído ontem na Assembleia de Minas, deputados notaram a ausência de menções à blitz que flagrou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) com a carteira de habilitação vencida no Rio.
Lula gastou mais que FHC com publicidade no fim do mandato
Despesas feitas pelo governo petista em 2010 foram 70% superiores às do ex-presidente tucano em 2002
Lula gastou mais de R$ 10 bilhões em oito anos, mas falta de dados sobre governo FHC impede comparações
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou com publicidade no ano passado, o último de seu mandato, 70,3% a mais do que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), gastou em 2002, quando encerrou os oito anos de seu governo.
Segundo dados que devem ser divulgados hoje pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, o governo Lula consumiu R$ 1,629 bilhão em publicidade em 2010.
O valor se refere aos gastos da administração direta (os ministérios) e indireta (autarquias, fundações e empresas estatais). Não há ainda informação disponível sobre o mandato de Dilma Rousseff.
No seu oitavo ano no Planalto, 2002, FHC registrou gastos com publicidade de R$ 956,4 milhões, em valores atualizados pelo índice de preços IGP-M. O cálculo foi feito pelo Planalto, que não divulga valores nominais, exceto para 2010.
Lula é o primeiro presidente para o qual há dados completos dos dois mandatos. A estatística oficial sobre gastos de publicidade começou a ser produzida em 1998 de forma precária. A Secom divulga as informações de maneira regular desde 2000.
Em oito anos no Planalto, Lula registrou um gasto total de R$ 10,304 bilhões. É o equivalente a um terço do total orçado para construir o trem-bala, projetado para o trajeto Campinas-São Paulo-Rio e com custo estimado em R$ 33,1 bilhões.
Não há como saber qual foi o gasto mensal do governo Lula no ano passado com publicidade. Essa informação não é divulgada.
Ontem, quando o site do Planalto mostrava os dados considerados só até 9 de dezembro, o gasto total no ano era de R$ 1,101 bilhão.
Agora, com a contabilidade final de 2010, sabe-se que a cifra atingiu R$ 1,629 bilhão -uma diferença de R$ 528 milhões. Mas Lula não consumiu toda essa diferença nos seus últimos 22 dias.
Há um lapso entre os comerciais serem feitos, veiculados, pagos e lançados na contabilidade oficial. Não se sabe quanto é esse tempo, pois o governo não diz.
No segundo semestre do ano passado, todos os governos estavam impedidos de fazer comerciais -exceto os de real utilidade pública- porque se tratava de um período eleitoral. O veto não atinge as empresas estatais que concorrem no mercado.
Por causa dessa liberação, as empresas do governo costumam fazer comerciais em períodos eleitorais. Em 2010, o gasto das estatais foi de R$ 1,001 bilhão -61% de tudo o que a administração federal investe em propaganda.
DADOS SECRETOS
A Folha indagou em março ao Planalto se poderia ter acesso à lista dos valores pagos a cada um dos meios de comunicação que veicularam propaganda federal. A resposta foi negativa.
"Os valores destinados a cada veículo de comunicação não são disponibilizados para preservar a estratégia de negociação de mídia promovida anualmente pela Secom com esses veículos. Desnudar esses valores contraria o interesse público, uma vez que implicará a perda de capacidade de negociação."
Nos dados divulgados, como tem sido a praxe, são revelados os valores totais investidos em cada tipo de meio. Assim, é possível saber que as TVs se mantêm como receptoras da maior parte do bolo: tiveram 61% quando Lula assumiu, em 2003; foram a 64% em 2010.
Jornais, emissoras de rádio, revistas e outdoors perderam receita. Internet, cinema e mídia exterior (carro de som, mobiliário urbano e TVs em aeroportos, entre outros) ganharam espaço.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1904201102.htm
Cadê? No clipping de jornais distribuído ontem na Assembleia de Minas, deputados notaram a ausência de menções à blitz que flagrou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) com a carteira de habilitação vencida no Rio.
Lula gastou mais que FHC com publicidade no fim do mandato
Despesas feitas pelo governo petista em 2010 foram 70% superiores às do ex-presidente tucano em 2002
Lula gastou mais de R$ 10 bilhões em oito anos, mas falta de dados sobre governo FHC impede comparações
FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gastou com publicidade no ano passado, o último de seu mandato, 70,3% a mais do que seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), gastou em 2002, quando encerrou os oito anos de seu governo.
Segundo dados que devem ser divulgados hoje pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, o governo Lula consumiu R$ 1,629 bilhão em publicidade em 2010.
O valor se refere aos gastos da administração direta (os ministérios) e indireta (autarquias, fundações e empresas estatais). Não há ainda informação disponível sobre o mandato de Dilma Rousseff.
No seu oitavo ano no Planalto, 2002, FHC registrou gastos com publicidade de R$ 956,4 milhões, em valores atualizados pelo índice de preços IGP-M. O cálculo foi feito pelo Planalto, que não divulga valores nominais, exceto para 2010.
Lula é o primeiro presidente para o qual há dados completos dos dois mandatos. A estatística oficial sobre gastos de publicidade começou a ser produzida em 1998 de forma precária. A Secom divulga as informações de maneira regular desde 2000.
Em oito anos no Planalto, Lula registrou um gasto total de R$ 10,304 bilhões. É o equivalente a um terço do total orçado para construir o trem-bala, projetado para o trajeto Campinas-São Paulo-Rio e com custo estimado em R$ 33,1 bilhões.
Não há como saber qual foi o gasto mensal do governo Lula no ano passado com publicidade. Essa informação não é divulgada.
Ontem, quando o site do Planalto mostrava os dados considerados só até 9 de dezembro, o gasto total no ano era de R$ 1,101 bilhão.
Agora, com a contabilidade final de 2010, sabe-se que a cifra atingiu R$ 1,629 bilhão -uma diferença de R$ 528 milhões. Mas Lula não consumiu toda essa diferença nos seus últimos 22 dias.
Há um lapso entre os comerciais serem feitos, veiculados, pagos e lançados na contabilidade oficial. Não se sabe quanto é esse tempo, pois o governo não diz.
No segundo semestre do ano passado, todos os governos estavam impedidos de fazer comerciais -exceto os de real utilidade pública- porque se tratava de um período eleitoral. O veto não atinge as empresas estatais que concorrem no mercado.
Por causa dessa liberação, as empresas do governo costumam fazer comerciais em períodos eleitorais. Em 2010, o gasto das estatais foi de R$ 1,001 bilhão -61% de tudo o que a administração federal investe em propaganda.
DADOS SECRETOS
A Folha indagou em março ao Planalto se poderia ter acesso à lista dos valores pagos a cada um dos meios de comunicação que veicularam propaganda federal. A resposta foi negativa.
"Os valores destinados a cada veículo de comunicação não são disponibilizados para preservar a estratégia de negociação de mídia promovida anualmente pela Secom com esses veículos. Desnudar esses valores contraria o interesse público, uma vez que implicará a perda de capacidade de negociação."
Nos dados divulgados, como tem sido a praxe, são revelados os valores totais investidos em cada tipo de meio. Assim, é possível saber que as TVs se mantêm como receptoras da maior parte do bolo: tiveram 61% quando Lula assumiu, em 2003; foram a 64% em 2010.
Jornais, emissoras de rádio, revistas e outdoors perderam receita. Internet, cinema e mídia exterior (carro de som, mobiliário urbano e TVs em aeroportos, entre outros) ganharam espaço.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1904201102.htm
Lula inicia escolha de candidatos para 2012
Ex-presidente se reúne hoje com prefeitos do PT em São Paulo para traçar rumos do partido nas eleições municipais
Segundo presidente interino do PT, Lula vai negociar com outros partidos a aprovação da reforma política
FELIPE CARUSO
DE SÃO PAULO
Quatro meses após deixar o Palácio do Planalto, dedicar-se a palestras e viagens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atuar na política nacional.
Hoje, ele se reúne com prefeitos, deputados e vereadores do PT em São Paulo para discutir as eleições municipais de 2012 e antecipar a definição dos principais candidatos do partido.
Ao assumir essa articulação, Lula retorna ao varejo político no papel de articulador do partido, contrariando suas declarações ao sair do governo de que estava cansado da política partidária e se dedicaria aos grandes temas, como a fome na África.
REFORMA
Lula também atuará como articulador do partido na reforma política, em discussão no Congresso.
O ex-presidente discutiu o seu papel em reunião fechada ontem com dirigentes do PT na sede do Instituto Cidadania, em São Paulo.
Segundo Rui Falcão, presidente interino do PT, Lula será responsável por dialogar com partidos, entidades civis organizadas, centrais sindicais e ONGs.
Falcão definiu Lula como "catalisador" do processo, e não como condutor.
"A participação dele é fundamental para o sucesso da reforma e certamente será bem vista pelos outros partidos. Hoje, todo mundo atenderia um convite dele para expor as ideias e ouvi-lo."
Atualmente, o PT defende o financiamento público das campanhas e a adoção do sistema de lista fechada, pelo qual os eleitores votariam apenas nos partidos.
O ex-presidente deixou a sede do Instituto Cidadania sem falar com a imprensa.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1904201104.htm
Ex-presidente se reúne hoje com prefeitos do PT em São Paulo para traçar rumos do partido nas eleições municipais
Segundo presidente interino do PT, Lula vai negociar com outros partidos a aprovação da reforma política
FELIPE CARUSO
DE SÃO PAULO
Quatro meses após deixar o Palácio do Planalto, dedicar-se a palestras e viagens, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atuar na política nacional.
Hoje, ele se reúne com prefeitos, deputados e vereadores do PT em São Paulo para discutir as eleições municipais de 2012 e antecipar a definição dos principais candidatos do partido.
Ao assumir essa articulação, Lula retorna ao varejo político no papel de articulador do partido, contrariando suas declarações ao sair do governo de que estava cansado da política partidária e se dedicaria aos grandes temas, como a fome na África.
REFORMA
Lula também atuará como articulador do partido na reforma política, em discussão no Congresso.
O ex-presidente discutiu o seu papel em reunião fechada ontem com dirigentes do PT na sede do Instituto Cidadania, em São Paulo.
Segundo Rui Falcão, presidente interino do PT, Lula será responsável por dialogar com partidos, entidades civis organizadas, centrais sindicais e ONGs.
Falcão definiu Lula como "catalisador" do processo, e não como condutor.
"A participação dele é fundamental para o sucesso da reforma e certamente será bem vista pelos outros partidos. Hoje, todo mundo atenderia um convite dele para expor as ideias e ouvi-lo."
Atualmente, o PT defende o financiamento público das campanhas e a adoção do sistema de lista fechada, pelo qual os eleitores votariam apenas nos partidos.
O ex-presidente deixou a sede do Instituto Cidadania sem falar com a imprensa.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1904201104.htm
Cinco vereadores de SP abandonam PSDB
Aliados de Kassab na bancada tucana deixam partido depois de serem alijados do poder por grupo de Alckmin
Depois de negociar pessoalmente com dois vereadores, governador Alckmin reduz total de desertores da sigla
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO
Cinco dos 13 vereadores que compunham a bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo decidiram deixar o partido. O presidente da Casa, José Police Neto, lidera o grupo dissidente.
A debandada é reflexo de uma disputa travada pelo prefeito Gilberto Kassab com o governador Geraldo Alckmin por causa das eleições municipais de 2012.
O grupo que decidiu deixar o PSDB agora apoia Kassab desde sua eleição, em 2008. Na época, Alckmin foi o candidato do partido, mas os vereadores tucanos e o então governador José Serra ficaram ao lado de Kassab.
Com a eleição de Alckmin como governador, seus aliados se movimentaram neste ano para recuperar o controle do diretório municipal do PSDB, afastando o grupo de Kassab, que decidiu fundar um novo partido, o PSD.
A decisão dos vereadores de deixar o PSDB foi antecipada ontem pela Folha.
Inicialmente, os dissidentes afirmaram que sete abandonariam a sigla, mas Alckmin conseguiu conter dois envolvendo-se pessoalmente nas negociações ontem, telefonando para vereadores e mobilizando aliados.
Além de Police Neto, deixaram o PSDB Dalton Silvano, Juscelino Gadelha, Gilberto Natalini e Ricardo Teixeira. Segundo eles, a "facção que assumiu o diretório" alijou o grupo dos centros de decisão do PSDB municipal.
Os vereadores Souza Santos e Adolfo Quintas, que chegaram a ser apresentados como integrantes do grupo dissidente, não oficializaram a saída. Quintas recebeu a promessa de que ocupará a secretaria-geral do diretório.
GUERRA
Apesar de Kassab ter estimulado a dissidência, nem todos os vereadores devem ir para o seu partido, o PSD.
Natalini negocia adesão ao PV, Juscelino conversa com o PMDB e Dalton trata com o PV e o PPS. Police Neto e Ricardo Teixeira seguirão o prefeito no PSD.
O secretário de Gestão, Julio Semeghini, aliado de Alckmin, assumiu a presidência do diretório municipal do PSDB na semana passada, derrotando o grupo de Kassab.
A gota d'água foi uma reunião de dirigentes tucanos na Câmara na última quinta-feira. Os vereadores que apoiam Kassab não participaram do encontro, mas ele foi gravado por câmeras do circuito interno de vigilância da Câmara.
"Disseram que vereador tinha que ser tratado à pexeirada", afirmou Natalini. "Se queriam que saíssemos, vamos lhes fazer esse favor."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1904201110.htm
Aliados de Kassab na bancada tucana deixam partido depois de serem alijados do poder por grupo de Alckmin
Depois de negociar pessoalmente com dois vereadores, governador Alckmin reduz total de desertores da sigla
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO
Cinco dos 13 vereadores que compunham a bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo decidiram deixar o partido. O presidente da Casa, José Police Neto, lidera o grupo dissidente.
A debandada é reflexo de uma disputa travada pelo prefeito Gilberto Kassab com o governador Geraldo Alckmin por causa das eleições municipais de 2012.
O grupo que decidiu deixar o PSDB agora apoia Kassab desde sua eleição, em 2008. Na época, Alckmin foi o candidato do partido, mas os vereadores tucanos e o então governador José Serra ficaram ao lado de Kassab.
Com a eleição de Alckmin como governador, seus aliados se movimentaram neste ano para recuperar o controle do diretório municipal do PSDB, afastando o grupo de Kassab, que decidiu fundar um novo partido, o PSD.
A decisão dos vereadores de deixar o PSDB foi antecipada ontem pela Folha.
Inicialmente, os dissidentes afirmaram que sete abandonariam a sigla, mas Alckmin conseguiu conter dois envolvendo-se pessoalmente nas negociações ontem, telefonando para vereadores e mobilizando aliados.
Além de Police Neto, deixaram o PSDB Dalton Silvano, Juscelino Gadelha, Gilberto Natalini e Ricardo Teixeira. Segundo eles, a "facção que assumiu o diretório" alijou o grupo dos centros de decisão do PSDB municipal.
Os vereadores Souza Santos e Adolfo Quintas, que chegaram a ser apresentados como integrantes do grupo dissidente, não oficializaram a saída. Quintas recebeu a promessa de que ocupará a secretaria-geral do diretório.
GUERRA
Apesar de Kassab ter estimulado a dissidência, nem todos os vereadores devem ir para o seu partido, o PSD.
Natalini negocia adesão ao PV, Juscelino conversa com o PMDB e Dalton trata com o PV e o PPS. Police Neto e Ricardo Teixeira seguirão o prefeito no PSD.
O secretário de Gestão, Julio Semeghini, aliado de Alckmin, assumiu a presidência do diretório municipal do PSDB na semana passada, derrotando o grupo de Kassab.
A gota d'água foi uma reunião de dirigentes tucanos na Câmara na última quinta-feira. Os vereadores que apoiam Kassab não participaram do encontro, mas ele foi gravado por câmeras do circuito interno de vigilância da Câmara.
"Disseram que vereador tinha que ser tratado à pexeirada", afirmou Natalini. "Se queriam que saíssemos, vamos lhes fazer esse favor."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1904201110.htm
EUA recebem alerta pelo risco da dívida
Agência de classificação de risco coloca o país em "perspectiva negativa", o que derruba Bolsas pelo mundo
S&P avalia que políticos não se entendem sobre a necessidade de reduzir o deficit publico e a alta dívida norte-americana
ANDREA MURTA
DE WASHINGTON
Os EUA receberam ontem projeção "negativa" para sua nota de risco da dívida soberana, dada pela Standard & Poor's, uma das principais agências de avaliação de investimentos do mundo. A notícia derrubou diversas Bolsas ao redor do mundo.
A mudança na perspectiva representa um alerta de que aumentou o risco de o país não poder pagar a sua dívida no futuro. A perspectiva negativa é um passo anterior à decisão de rebaixar a nota de risco de um país.
A projeção anterior para os EUA era "estável". O país hoje tem nota AAA, a melhor da agência, denotando que sua capacidade de cumprir compromissos e pagar no prazo os papéis de dívida que emite é extremamente alta.
Um possível rebaixamento indicaria que a S&P crê que essa capacidade diminuiu, o que pode afugentar investidores. Segundo a agência, há uma chance em três, pelo menos, de a nota dos EUA cair em dois anos.
O motivo da projeção negativa é a situação do deficit federal americano, que deve atingir US$ 1,6 trilhão antes do final do ano, e a crescente dívida pública dos EUA, calculada hoje em mais de US$ 14,2 trilhões.
"Mais de dois anos depois do início da crise, políticos dos EUA ainda não concordaram em como reverter a deterioração fiscal ou resolver as pressões fiscais de longo prazo", disse a S&P.
Quanto maior o buraco da dívida, mais difícil é para o governo pagar no prazo seus compromissos.
A S&P se disse preocupada com a chance de a Casa Branca e o Congresso não se entenderem sobre o Orçamento do ano fiscal de 2013. O alerta chega após duras batalhas sobre os gastos públicos de 2011 e 2012.
O governo dos EUA criticou o anúncio. "Fundamentalmente, a S&P está fazendo um julgamento político, e não acho que ele está correto", disse Austan Golsbee, conselheiro econômico da Casa Branca. O Tesouro disse que "a projeção subestima a capacidade dos líderes americanos de se unir".
Não é, porém, a primeira vez que uma agência alerta para as dificuldades relacionadas ao déficit americano.
A Moody"s, uma das principais concorrentes da S&P, não chegou a divulgar um alerta oficial sobre a dívida dos EUA, mas no fim de março um dos seus altos executivos declarou que, se nada for feito, "uma avalanche se formará em 2012 e depois".
BOLSAS EM QUEDA
Ainda que um calote siga quase inimaginável, a projeção sacudiu as Bolsas pelo mundo. Preocupações crescentes com a crise fiscal na Europa também contribuíram para o movimento.
O índice Dow Jones, uma referência mundial, caiu 1,14% e o Nasdaq, 1,06%. Já o Stoxx Europe 600 caiu 1,7%, e a Bovespa caiu 1,9%. O petróleo cru e outras commodities também caíram, devido a temores de que a demanda nos EUA diminua. O ouro, considerado mais seguro em tempos nebulosos, subiu.
O FMI afirmou em seu último relatório sobre a situação fiscal mundial que a dívida dos EUA é um risco para a economia global. A dívida americana e de vários países cresceu após a crise de 2008 porque os governos tiveram de investir fortemente e assumir por algum tempo o lugar dos gastos privados.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1904201101.htm
ANÁLISE
Fragilidade americana tende a realimentar incerteza global
FERNANDO SAMPAIO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Há muitas décadas, considera-se que os títulos de dívida emitidos pelo Tesouro Nacional dos EUA têm risco baixíssimo de inadimplência.
A percepção generalizada de que é muito remota a perspectiva de o governo americano não conseguir honrar esses títulos, aliada ao fato de que tradicionalmente é muito fácil encontrar quem queira comprá-los, os coloca como a referência central de mercado ("benchmark"): há décadas, os demais títulos de dívida (de governos e empresas) embutem na remuneração que pagam a quem os compra um prêmio pelos riscos maiores em que o investidor incorre ao preterir a compra de um "Treasury".
É por isso que o anúncio feito ontem pela agência Standard & Poor's, de que estuda rever para pior a sua avaliação do risco de inadimplência do Tesouro dos EUA, foi recebido com certo espanto. E o fato perturbador acabou apontado como fator para a queda das Bolsas e das moedas de vários países (como o real) mundo afora.
Esse movimento é paradoxal: uma das mais importantes das agências dedicadas à avaliação de risco de ativos financeiros afirma ter dúvidas se o porto mais seguro das finanças globais ainda deve ser visto como tal, e os investidores, ao invés de correr para se desfazer dos seus "Treasuries" e demais ativos ligados ao dólar, fazem o movimento inverso: vendem outros ativos, considerados de risco mais alto. Em outras palavras, fogem para o dólar, ao invés de fugir do dólar.
Movimentações paradoxais como essas têm sido observadas com frequência desde que o frenesi global de crédito e de especulação iniciado em 2003 desaguou em grave crise financeira, a partir de meados de 2007.
O paradoxo das commodities também é perturbador.
Devido às dificuldades atravessadas pelos países desenvolvidos, e apesar do dinamismo de muitas economias de renda mais baixa (como o Brasil e, muito mais importante, a China), no mundo considerado como um todo ainda há bastante desemprego e máquinas paradas.
E, no entanto, a grande maioria dos produtos primários se encontra com cotações entre as mais altas da história.
Essas constatações reiteram o receio de que os impasses gerados pela crise financeira -sobretudo a aguda fragilização das finanças dos governos de vários países de renda mais alta, a começar pelos EUA- ainda por um bom tempo tenderão a realimentar o clima global de grande incerteza.
Fragilidade americana tende a realimentar incerteza global
FERNANDO SAMPAIO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Há muitas décadas, considera-se que os títulos de dívida emitidos pelo Tesouro Nacional dos EUA têm risco baixíssimo de inadimplência.
A percepção generalizada de que é muito remota a perspectiva de o governo americano não conseguir honrar esses títulos, aliada ao fato de que tradicionalmente é muito fácil encontrar quem queira comprá-los, os coloca como a referência central de mercado ("benchmark"): há décadas, os demais títulos de dívida (de governos e empresas) embutem na remuneração que pagam a quem os compra um prêmio pelos riscos maiores em que o investidor incorre ao preterir a compra de um "Treasury".
É por isso que o anúncio feito ontem pela agência Standard & Poor's, de que estuda rever para pior a sua avaliação do risco de inadimplência do Tesouro dos EUA, foi recebido com certo espanto. E o fato perturbador acabou apontado como fator para a queda das Bolsas e das moedas de vários países (como o real) mundo afora.
Esse movimento é paradoxal: uma das mais importantes das agências dedicadas à avaliação de risco de ativos financeiros afirma ter dúvidas se o porto mais seguro das finanças globais ainda deve ser visto como tal, e os investidores, ao invés de correr para se desfazer dos seus "Treasuries" e demais ativos ligados ao dólar, fazem o movimento inverso: vendem outros ativos, considerados de risco mais alto. Em outras palavras, fogem para o dólar, ao invés de fugir do dólar.
Movimentações paradoxais como essas têm sido observadas com frequência desde que o frenesi global de crédito e de especulação iniciado em 2003 desaguou em grave crise financeira, a partir de meados de 2007.
O paradoxo das commodities também é perturbador.
Devido às dificuldades atravessadas pelos países desenvolvidos, e apesar do dinamismo de muitas economias de renda mais baixa (como o Brasil e, muito mais importante, a China), no mundo considerado como um todo ainda há bastante desemprego e máquinas paradas.
E, no entanto, a grande maioria dos produtos primários se encontra com cotações entre as mais altas da história.
Essas constatações reiteram o receio de que os impasses gerados pela crise financeira -sobretudo a aguda fragilização das finanças dos governos de vários países de renda mais alta, a começar pelos EUA- ainda por um bom tempo tenderão a realimentar o clima global de grande incerteza.
FERNANDO SAMPAIO, economista, é sócio-diretor da LCA Consultores.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1904201102.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1904201102.htm
LUÍSA ALCALDE
Promotores da Infância e Juventude de São Paulo
querem que o bullying seja considerado crime. Um anteprojeto de lei
elaborado pelo grupo prevê pena mínima de um a quatro anos de reclusão,
além de multa. Se a prática for violenta, grave, reiterada e cometida
por adolescente, o autor poderá ser internado na Fundação Casa, a antiga
Febem.
A proposta prevê que poderá ser penalizada a
pessoa que expuser alguém, de forma voluntária e mais de uma vez, a
constrangimento público, escárnio ou qualquer forma de degradação física
ou moral, sem motivação evidente estabelecendo relação desigual de
poder. Estão previstos casos em que a pena pode ser ampliada, como
quando é utilizado meio eletrônico ou qualquer mídia (cyberbullying).
“Hoje, como não há tipificação legal específica, os casos que chegam são
enquadrados geralmente como injúria ou lesão corporal”, explica
promotor Mario Augusto Bruno Neto, secretário executivo da promotoria.
Como o bullying e o cyberbullying são
praticados na imensa maioria dos casos por crianças e adolescentes, os
promotores vão precisar adaptar a tipificação penal dessas práticas ao
que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O anteprojeto
será submetido, no dia 6 de maio, a aprovação na promotoria e, depois,
encaminhado ao procurador-geral do Ministério Público (MP), Fernando
Grella Vieira, que deverá enviar o texto a um deputado para que o
documento seja encaminhado ao Congresso. Antes disso, porém, a proposta
será divulgada no site do MP para consulta pública. “Queremos que a
população envie sugestões para que possamos aperfeiçoá-la”, explica o
promotor Bruno Neto.
A educadora Madalena Guasco Peixoto, da
Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP),
considera a proposta exagerada. “Essa questão não se resolve
criminalizando, e para casos graves já existe o crime de lesão
corporal”, opina. “As escolas precisam assumir a responsabilidade e, se
tiver de haver punição, que seja aplicada pelos estabelecimentos de
ensino”, defende. “O problema é que as escolas estão sendo omissas”,
rebate o promotor Thales Cezar de Oliveira, que também assina o
anteprojeto de lei.
O PSDB pode perder até 26,5% dos votos obtidos
por seus 88 candidatos à Câmara Municipal em 2008 com a debandada em sua
bancada, antecipada pelo Jornal da Tarde ontem. O movimento já teve a
confirmação de cinco parlamentares; segundo eles, mais dois colegas
engrossam a lista – o governo estadual, porém, atua para manter essa
dupla no partido.
O “vazio” no ninho tucano é ainda maior se
excluídos da conta três parlamentares que hoje estão na Câmara dos
Deputados e Assembleia Legislativa. Aí, o peso da votação dos
dissidentes atinge até 36,3%. A diminuição do poder do PSDB – que,
reduzido a seis vereadores, perdeu o posto de maior bancada para o PT,
com 11 – pode levar ao encolhimento do partido no Legislativo na eleição
de 2012.
Dalton Silvano, Gilberto Natalini, José Police
Neto, Juscelino Gadelha e Ricardo Teixeira tiveram juntos 162,4 mil
votos, ou 18,9% do total recebido pelos 88 candidatos tucanos. Com
Adolfo Quintas e Souza Santos, esse total pula para 228 mil, ou 26,5%. A
dupla, porém, não estava no anúncio da saída ontem – tucanos ainda
apostam em convencê-los a ficar.
Os outros 81 concorrentes à Câmara tiveram
631.316 votos. Desse último total, porém, 232,5 mil votos vieram de
Gabriel Chalita, Mara Gabrilli e Carlos Alberto Jr., eleitos deputados,
que não concorrem em 2012. “Se alguém no PSDB acha que vereadores que
saíram serão automaticamente substituídos por outros em 2012, melhor se
preparar para as urnas”, diz parlamentar tucano, lembrando que
candidatos que ficaram com o governador Geraldo Alckmin em 2008 tiveram
votação baixa. Três deles – Tião Farias, José Rolim e Aníbal de Freitas –
eram suplentes até este ano.
Além deles, ficaram no PSDB o líder da
bancada, Floriano Pesaro, Gilson Barreto e Claudinho, mas tucanos dizem
que a situação dos dois últimos está indefinida. Os seis tiveram, em
2008, 155.237 votos. Uma aposta dos remanescentes é a votação de
legenda: 409,3 mil votos em 2008.
O DEM, partido do qual o prefeito está
saindo para criar o PSD, também teve baixas. Os cinco vereadores que
devem deixar a legenda para seguir Kassab tiveram, em 2008, 165,7 mil
votos, ou 36,3% do total recebido pelos 31 candidatos, que teve ainda
421 mil votos de legenda.
A sangria pode aumentar se Milton Leite,
cujo grupo pleiteia o comando do diretório municipal, perder disputa
interna – ele, que teve 80 mil votos, também pode deixar a legenda.
Lotação máxima Se Kassab conseguir carrear para o PSD os 12 dissidentes,
terá sob seu comando 393 mil votos. Mas parlamentares já avaliam que
seria um número muito grande para a nova legenda, que deve nascer sem
tempo de televisão e com um número que não tem “recall” no imaginário do
eleitor, o que pode enfraquecer os votos de legenda. “O prefeito quer o
PSD com oito vereadores. Com mais que isso, as chances de que todos se
elejam em 2012 se reduzem”, avalia articulador político da Câmara. Por
esse motivo, aliados dos vereadores que deixaram ontem o PSD afirmam que
alguns deles devem buscar partidos onde a concorrência – e a votação
para se reeleger – é menor, como PV e PPS.
Política
Como senador, Aécio deveria dar exemplo diante de blitz da "lei seca", diz advogado
Jurista acredita que senador deveria ter assoprado o bafômetro na madrugada de domingo, no Rio de Janeiro
Aécio
chegou a defender a obrigatoriedade da submissão ao teste do bafômetro
quando era governador de Minas Gerais (Foto: Geraldo Magela/Agência
Senado)
São Paulo – Foi falha a conduta de uma figura
pública como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao se recusar a fazer o
teste do bafômetro na madrugada de domingo (17), no Rio de Janeiro (RJ),
segundo o advogado e professor da PUC Minas Marciano Seabra de Godoi.
Ele sustenta que, embora não tenha sido definido pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) se o motorista tem ou não direito a não realizar o teste,
figuras que ocupam cargos públicos deveriam ser os primeiros a dar
exemplo para a sociedade e seguir a legislação.
Adepto da ideia de que o motorista abordado em
uma blitz tem obrigação de se submeter ao teste, como prevê a norma,
Godoi lembra que se trata de risco de perda de vidas, e não um detalhe
burocrático. "Uma condenação em um tribunal de contas que rejeita um
parecer de uma administração é grave, mas bem menos do que em um caso
como este, em que há uma questão humana colocada", pontua.
O jurista considera que o político tem de dar
exemplo de responsabilidade. "Em Minas Gerais, estado comandado até
pouco tempo por ele (Aécio) – e especialmente em Belo Horizonte
– só agora é que começam a ocorrer blitze, enquanto no Rio isso já
ocorre há anos, com redução das mortes no trânsito", acusa. "Em Minas,
conhecida por ter uma polícia mais rigorosa, a 'Lei Seca' não pegou no
governo", critica.
Aécio foi parado em uma blitz da polícia carioca
na madrugada de domingo. Ele estava com a carteira de motorista vencida
e recusou-se a fazer o teste do bafômetro. Apenas depois de insistir
muito, conseguiu ter o carro liberado, ao conseguir um motorista para o
veículo. Segundo a assessoria do parlamentar, ele desconhecia que o
prazo de validade do documento havia acabado.
Ele recebeu duas multas: R$ 191,54 pela irregularidade na carteira e R$ 957 pela recusa do bafômetro. Em ocasiões anteriores, especificamente em 2009, quando ainda era governador, ele deu declarações favoráveis à legislação.
Polêmica
Godoi considera que, ao exercer o direito de ir e
vir conduzindo um automóvel, o cidadão precisa fazer um "certo
sacrifício" em nome da segurança das outras pessoas. "É o cuidado que as
pessoas têm com a vida das outras pessoas. Pensando racionalmente,
alguém que bebe e pega direção sabe que coloca em risco a vida das
pessoas no carro e das que estão fora", pondera.
A possibilidade de não se submeter ao bafômetro é
uma das principais polêmicas da lei 11.708 de 2008, chamada de Lei
Seca, reduziu drasticamente a quantidade de álcool no sangue permitida
para alguém que esteja dirigindo. O texto prevê que, ao se recusar a
assoprar o bafômetro, o motorista poderia ser automaticamente
considerado como embriagado, mesmo sem a prova.
A questão é se o cidadão tem ou não o direito de
recusar-se a produzir provas contra si mesmo, o que permite uma série
de recursos judiciais após a perda da carteira nacional de habilitação e
apreensão do veículo. Esse princípio é aplicado em investigações
criminais, mas há divergências sobre a adoção em um caso de infração de
lei de trânsito.
Enquanto parte dos especialistas avalia que esse
direito constitucional precisa ser assegurado, outros, como Godoi,
acreditam que conduzir um veículo é uma atividade de risco que, por
isso, permite ao Estado cobrar o teste como "contrapartida". Feito isso,
segundo ele, haveria avanço nas garantias de segurança no trânsito.
A questão não está definida no país porque o STF
não se manifestou a respeito. Uma ação direta de inconstitucionalidade
(Adin), de número 4.103,
foi ajuizada ainda em 2008 pela Associação Brasileira de Restaurantes e
Empresas de Entretenimento (Abrasel Nacional). O mérito da questão não
foi julgada e, atualmente, tem o ministro Luiz Fux como relator. Em
países como Estados Unidos e Espanha, a obrigatoriedade de submissão ao
teste de embriaguez é estabelecida na lei.
Ativistas marcham ao Palácio dos Bandeirantes por moradia em SP
São Paulo – Nesta terça-feira (19), a União dos Movimentos de
Moradia (UMM) vai marchar até o Palácio dos Bandeirantes, sede do
governo paulista, para solicitar uma reunião com o governador Geraldo
Alckmin (PSDB). A concentração ocorre a partir das 9h na ponte Cidade
Jardim, em frente ao Parque do Povo.
Vários movimentos de moradia das três regiões metropolitanas – São
Paulo, Campinas e Baixada Santista – reivindicam melhores condições e
mais investimento na área. Uma carta com todas as reivindicações foi
enviada para o governador e o secretário estadual da Habitação, Silvio
Torres.
Reivindicações::
-
Retomada do Programa de Mutirão com Autogestão;
-
Posse imediata do Conselho Estadual das Cidades;
-
Funcionamento do Conselho e recursos para o Fundo Estadual de Habitação com participação popular;
-
Programa de cortiços e áreas centrais com os movimentos sociais;
-
Urbanização de favelas;
-
Recursos estaduais para projetos do Minha Casa Minha Vida Entidades;
-
Criação de Banco de Terras para habitação;
-
Participação popular no Plano Estadual de Habitação;
-
Contra os despejos da Ecovias em Diadema e do Rodoanel.
-
Paulo Teixeira: “A Folha não queria me encontrar. A matéria já estava pronta, toda editada”
por Conceição Lemes
O que acharia se lesse a primeira manchete na capa de um jornal, e a segunda, no caderno interno?
Pois isso aconteceu nesse domingo, 17 de abril, na Folha de S. Paulo. A vítima da vez: o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), líder da bancada na Câmara Federal.
Curiosamente, na capa, o jornal ressalta: Procurado não deu resposta. Depois no caderno interno, capricha: A Folha fez vários pedidos de entrevista ao deputado desde 16 de março, mas sua assessoria não deu resposta.
Desde 16 de março e a matéria só foi publicada em 17 de abril?! A Folha
esperaria tanto?! Nem criança acredita nessa história da carochinha.
Repórter quando quer encontrar MESMO uma fonte, acha. E se é de
Brasília, onde o deputado passa boa parte da semana, é mel na sopa. E
com um mês de lambuja é covardia! Só Freud explica. Ou melhor, só a Folha explica.
“A Folha não me ouviu antes de fazer a matéria”, revela Paulo
Teixeira. “O repórter Felipe Coutinho mandou e-mail para a minha
assessoria de imprensa, perguntando sobre ‘microtraficantes’. A
assessoria avaliou que não deveríamos entrar nesse debate num momento em
que precisamos aprovar matérias importantes no Parlamento para a
continuidade do processo de crescimento econômico com distribuição de
renda. O repórter não disse que faria uma matéria sobre uma fala minha
num evento.”
“Curiosamente, o mesmo jornalista ligou no meu celular ontem
[domingo] para repercutir. Eu perguntei por que não o fez antes, a
exemplo de todos os jornalistas da Folha, que me ligam
diretamente no celular. Ele disse que não quis passar por cima da
assessoria”, observa Teixeira. “Depois de ver a chamada da matéria na
capa e a mobilização dos editores para comentá-la, percebi que a Folha não queria me encontrar, não queria realmente saber a minha opinião. Ela já tinha a matéria pronta, toda editada.”
Pena que o jornal tenha usado esse expediente num tema tão sério,
que exige responsabilidade e ética. Afinal, estamos falando de saúde
pública. Por isso, resolvi aprofundar a entrevista com o deputado Paulo
Teixeira, para colocar os pingos nos is.
Viomundo – Deputado, a Folha cita uma palestra do senhor. É daí que foram tiradas as informações que estão na matéria?
Paulo Teixeira — A Folha teve acesso às
informações por meio de um vídeo que foi postado na internet, não sei se
com a fala integral ou parcial. De qualquer forma, a matéria não
expressa o que eu penso, mostra apenas uma parte, com uma abordagem
sensacionalista, parcial, com frases pinçadas de um contexto. Há quinze
anos acompanho este tema, em diferentes foros mundiais. Não estimulo o
uso de drogas, mas acho que o problema precisa de uma abordagem menos
preconceituosa.
Viomundo — Na chamada de capa, a Folha diz que o senhor defende o uso da maconha e ataca o Big Mac, dando a impressão de que estimula o uso. É isso mesmo?
Paulo Teixeira — É uma insinuação inadmissível da Folha.
Toda vez que falo sobre a política de drogas, faço questão salientar os
prejuízos à saúde e demais danos sociais que a droga pode causar.
Falo inicialmente do álcool, que, para mim, é o problema mais grave
da sociedade brasileira. Causa acidente de trânsito, brigas com morte,
violência contra mulher. A sociedade brasileira precisa proibir a
propaganda do álcool na TV. Em relação à maconha, falo dos riscos à
saúde do usuário, da necessidade de prevenir o seu uso. Muitos usuários
podem, inclusive, desencadear doenças psíquicas pelo uso.
A realidade atual é gravíssima. Drogas ilícitas são oferecidas à
luz do dia. Esse mercado é muito capitalizado. Diante desse quadro, o
que fazer para torná-lo menos perigoso? Deixar os usuários consumir
substâncias adulteradas? Permitir a crescente capitalização desse
mercado?
Minhas propostas são retirar o usuário da esfera penal,
descriminalizando o uso e a posse de drogas e esvaziar o poder econômico
do tráfico. Em relação ao Big Mac, minha preocupação é estabelecer uma
exigência para que os produtos alimentícios informem o teor de gordura,
de sódio e gordura trans que contêm.
Viomundo — A Folha diz que o senhor defende o plantio de maconha por cooperativas de usuários. O que falou sobre isso?
Paulo Teixeira — Eu me referi a experiências de
Espanha e Portugal, entre outros países, onde o problema foi abordado de
uma forma pragmática. No caso da Espanha, o resultado foi importante
para diminuir a exposição de usuários à convivência com traficantes e
esquemas criminosos. Lá, especificamente, são permitidas cooperativas
de plantio formadas por consumidores. Essa estratégia enfraquece a
economia da droga.
Em Portugal, os resultados foram muito positivos também. Depois da
descriminalização ocorrida há dez anos, diminuiu a violência associada
ao uso de drogas, diminuiu inclusive o consumo. Lá o conhecimento por
parte da autoridade policial do porte de qualquer droga pelo usuário
está fora da órbita criminal e submetido a infrações administrativas,
como advertências, cursos, multas, entre outras.
As experiências de Portugal e Espanha são apenas exemplos de
estratégias mais pragmáticas. Não sei se servem para o Brasil, porém
podem iluminar um novo caminho.
Viomundo – No Brasil, há especialistas que defendem a
descriminalização da maconha. As cooperativas seriam o caminho para
viabilizar essa proposta?
Paulo Teixeira – Acho importante analisar as
estratégias adotadas por outros países e os resultados. A experiência
Portugal, que eu acabei de citar, é muito interessante. Ao
descriminalizar o usuário, distinguindo-o claramente do traficante,
descapitalizou grande parte do mercado de drogas ilícitas em geral. Com
isso, ajudou a diminuir a violência associada a esse mercado, com
resultados fantásticos em relação à diminuição das doenças associadas ao
uso de drogas.
Todos os países estão discutindo a questão das drogas leves, como a
maconha, e o Brasil não pode ficar fora desse debate. Há muita
hipocrisia. Quase todo mundo conhece alguma história de alguém que se
envolveu com drogas. Há casos de pessoas que são apenas usuários e vão
parar na cadeia em razão de um flagrante armado ou fruto de uma
legislação que ainda está longe da dos países que resolveram encarar o
problema de frente.
Viomundo – Nós temos uma epidemia de crack, que é uma droga
devastadora, vicia rapidamente… O fato de no momento as atenções
estarem focalizadas principalmente nele atrapalha o debate sobre as
drogas em geral?
Paulo Teixeira – O crack é uma
droga que se desenvolveu a partir do controle das substâncias químicas
destinadas ao refino da cocaína. Assim, o crack é o refino da cocaína
feito com substâncias muito pesadas e nocivas à saúde. Ele é produto da
política de guerra às drogas.
Temos que prevenir o seu uso e tratar os eventuais usuários, o que não é fácil.
Por isso, acho importante que o tema das drogas seja discutido à
luz do dia para que não cheguemos a esse absurdo que é o crack. É uma
questão de saúde pública.
Viomundo — Drogas devem ser assunto de saúde pública ou de polícia?
Paulo Teixeira – O uso de drogas não pode ser assunto de polícia. Deve ser unicamente de políticas públicas.
Insisto: o usuário deve ser tratado fora da esfera penal. Isso
ajuda a mudar de mãos quem cuida do assunto. Em lugar da polícia e dos
traficantes, teremos a família, a escola, as atividades culturais e
esportivas e a saúde para cuidar dos usuários.
Viomundo – O senhor acompanha a discussão sobre as drogas há muito tempo. O que acha da nossa da legislação?
Paulo Teixeira – Realmente, é um tema, que me
preocupa muito e trato bastante. Já participei de conferências no
Canadá, nos EUA, no México, em vários países da América Latina, Europa e
Ásia e em vários estados brasileiros. Acho que precisamos rever
rapidamente a legislação brasileira.
Viomundo – O modo de o Brasil combater as drogas está dando certo?
Paulo Teixeira — Nossa política
sobre drogas é um entroncamento das políticas norte-americana e
europeia. Temos muitos problemas, principalmente carcerários. Há uma
grande massa de presos, que são pequenos infratores enquadrados na lei
de drogas. Segundo os estudos, o perfil desses presos é o seguinte: réus
primários, agiram sozinhos e sem emprego de armas. Os presídios são
locais privilegiados para organização da violência no país. E esses
presos, pequenos infratores por causa de drogas, são recrutados para
ações criminais mais danosas à nossa sociedade.
Viomundo – Que outras consequências acarretam essa forma de se lidar com as drogas?
Paulo Teixeira — A nossa realidade é preocupante
em relação ao abuso de drogas. Temos um foco na repressão, que consome
grande quantia de recursos e que dilui os esforços das forças de
segurança no combate ao pequeno delito de drogas, impedindo que as ações
se concentrem no crime organizado. Diante disso, não conseguimos
diminuir o número de usuários. A aquisição dessas substâncias dá-se no
mercado ilegal, resultando em perigos de todos os tipos. Como ainda está
sob a lei penal, o usuário tem risco permanente de uma abordagem
desproporcional da polícia.
Viomundo – A atual política está conseguindo prevenir o uso de drogas?
Paulo Teixeira – De acordo com estudos publicados, o consumo de drogas no Brasil aumenta a cada dia.
Viomundo – Estados Unidos ou Europa, qual a melhor direção?
Paulo Teixeira — A política de guerra às drogas é
hegemônica no mundo. O Brasil desenvolve políticas mais criativas em
comparação aos EUA. A Europa tem conseguido resultados muito mais
favoráveis com a política de redução de danos. Creio que essa é a
direção mais correta.
Redução de danos é uma estratégia que busca prevenir o uso de
drogas, mas atende o usuário na perspectiva de conseguir resultados
progressivos para a saúde e a vida social dele enquanto ainda estiver
nessa condição. Educar para evitar que seja infectado pelo vírus da
Aids, da hepatite. Educar também para evitar overdose, perda do
emprego, de vínculos sociais. Essas são estratégias da política de
redução de danos.
Oferecer tratamento para a superação do uso e tratar das motivações
que levam o usuário ao abuso são outras estratégias dos programas de
redução de danos.
Viomundo — Como deveria ser a política de combate às drogas?
Paulo Teixeira — Defendo uma política democrática,
com livre circulação de informações, prevenção, melhor distribuição de
renda, educação, cultura e lazer. Ampliar os horizontes das pessoas.
Em relação às drogas, temos de convencer os jovens sobre a
repercussão em sua saúde pelo uso ou abuso. Buscar promover espaços para
o fortalecimento político da nossa juventude, para que exerçam
plenamente a sua cidadania. Temos de buscar convencê-los a não usar
drogas. Mas, caso usem, evitar o abuso e maiores danos à sua saúde e à
sua vida. Mas, antes de tudo, é preciso convencê-los e apoiá-los.
Viomundo — A matéria diz que o senhor tem uma visão
diferente da presidenta Dilma. Seria uma forma de intrigá-lo e
dificultar a sua posição como líder da bancada do PT na Câmara dos
Deputados?
Paulo Teixeira — Tais posições são exclusivamente
minhas. A presidenta está concentrada no assunto, acelerando a atenção
aos usuários, aumentando os leitos hospitalares… Esse esforço terá
resultados positivos. Noutra ponta do tema, o governo vem aumentando a
eficácia das ações contra o crime organizado. Não tenho divergências com
a presidenta Dilma Rousseff . O repórter tentou usar a questão como
fonte de potencial intriga, mas se esqueceu de que tanto a presidenta
como eu estamos preocupados com a questão das drogas.
Viomundo — Para finalizar, o que o senhor diria aos pais?
Paulo Teixeira – Não adianta a gente enfiar a
cabeça no buraco, fazer de conta que as drogas nunca vão afetar os
nossos filhos. Talvez muitos pais não saibam, mas cada vez mais as
drogas são adulteradas, ficando ainda mais perigosas à saúde. Sabem que
têm essa informação? Os traficantes. Sabem nas mãos de quem os jovens
usuários estão hoje em dia? Nas mãos dos traficantes e da polícia.
Se quisermos mudar o rumo das coisas, temos que começar a discutir essa questão às claras, sem hipocrisia nem preconceito.
Sou pai de seis filhos. Eu e a minha esposa sempre proporcionamos
ambiente aberto para dialogar com nossos filhos. Sempre que eles tiveram
crises de adolescência, paramos tudo para cuidar deles. Valorizamos
suas iniciativas. Sou vinculado à Igreja Católica em São Paulo. Para a
construção das minhas posições, consultei teólogos, bispos, padres e
leigos na área religiosa. Construí minhas posições ouvindo também
médicos, sociólogos, políticos, antropólogos, cientistas sociais e
demais profissionais. Aconselho a todo o pai o diálogo.
http://www.viomundo.com.br/denuncias/paulo-teixeira-a-folha-nao-queria-me-encontrar-a-materia-ja-estava-pronta-toda-editada.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário