Caio do Valle
do Agora
do Agora
A linha 2-verde do metrô está cada vez mais lotada. Somente na
primeira semana de abril, o número diário de passageiros transportados
nela bateu cinco recordes, quatro deles consecutivos. O maior volume foi
registrado pelo Metrô na última sexta-feira, quando 575.905 pessoas
usaram o ramal, que vai da Vila Madalena (zona oeste de SP) à Vila
Prudente (zona leste).
Dois eventos ocorridos em março ajudam a explicar o aumento de
usuários na linha: a ampliação do horário de abertura das estações
Tamanduateí e Vila Prudente (das 4h40 às 21h) e a inauguração da estação
Butantã, na linha 4-amarela, integrada a ela na parada Consolação.
Dados enviados pelo Metrô à reportagem no início de fevereiro davam
conta de que a média diária de passageiros transportados naquele
período na linha 2-verde era de 460 mil. Já entre os dias 21 e 31 de
março, foram cerca de 550 mil pessoas por dia útil.
13/04/2011
Crédito do Natal é calculado
Luciana Lazarini e Gisele Lobato
do Agora
do Agora
Os consumidores que participam do programa Nota Fiscal Paulista já
podem consultar o total de créditos que eles ganharam das compras feitas
no Natal. A consulta é feita no site da Fazenda. Na próxima terça-feira, serão liberados todos os créditos das compras feitas no segundo semestre de 2010.
Até agora, o cálculo com o valor total que os clientes poderão
resgatar ainda não havia terminado. Com isso, os contribuintes ainda não
podiam ter certeza de quanto eles poderão resgatar a partir da semana
que vem.
Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda, a maioria dos créditos
já foi calculada, mas o programa está em fase final de apuração. Como
dezembro é o mês em que os consumidores saem às compras, os cálculo dos
créditos demora mais para sair. Além disso, houve falhas no
processamento dos créditos de alguns meses --os valores apareciam como
provisórios.
13/04/2011
Itaim Bibi e Campo Limpo concentram dengue
Fabiana Cambricoli
do Agora
do Agora
O número de casos de dengue registrados na capital paulista
explodiu nos últimos 30 dias e deixou o Itaim Bibi (zona oeste de SP),
uma das áreas mais ricas da cidade, no topo da lista dos bairros com
mais casos, ao lado do Campo Limpo (zona sul).
Os dois bairros já registraram, de 1º de janeiro a 6 de abril deste
ano, 69 casos da doença cada um, segundo dados divulgados pela
Secretaria Municipal da Saúde.
No período, foram 757 casos em toda a capital --608 a mais do que
no último levantamento da secretaria, que considerava os casos
registrados até 4 de março.
Oposição discorda de FHC e defende foco no "povão"
Aécio se diz otimista na capacidade do PSDB atrair eleitor com menor renda
Para Serra, a polêmica não traduz essência do artigo do ex-presidente, com a qual concorda em "gênero, número e grau"
CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA
VERA MAGALHÃES
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO
Líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), discordaram ontem do teor do artigo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso propõe que desistam do "povão" para investir na nova classe média.
Já o ex-governador José Serra fez vários elogios ao texto e disse que este não é o "ponto essencial" do texto.
Em "O papel da oposição", escrito para a revista "Interesse Nacional" e antecipado ontem pela Folha, FHC diz que "enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os "movimentos sociais" ou o "povão", isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos".
Aécio elogiou o texto, mas se disse "mais otimista" que FHC quanto à chance de conquista dos eleitores de baixa renda. O tucano mineiro afirmou que "é preciso se inserir no Nordeste" e se aproximar dos movimentos sociais.
Ele disse que, em Minas, o PSDB teve apoio "maciço" desse segmento nas últimas eleições. "O próprio governo do presidente Fernando Henrique possibilitou a maior transição de classes já vivida no Brasil, muito além do que o Bolsa Família tem proporcionado, que foi o fim da inflação", afirmou. Serra disse à Folha que compartilha em "gênero, número e grau" com a "essência" do artigo: "O problema do PSDB e da oposição é de rumo, de clareza, de coerência. Como um todo, não se sabe bem o que o partido defende, nem de que lado está".
O ex-governador de São Paulo também concorda com o ex-presidente "quando ele adverte para o fato de que as oposições não conseguirão disputar com o PT o aparelhamento do Estado, porque a nossa vocação é outra".
Já líderes da oposição no Congresso discordaram do texto de forma mais aberta.
"Um partido tem de ter sensibilidade social. E ela deve ser voltada justamente às camadas mais pobres", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Alvaro Dias (PR).
O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), disse que a oposição tem de "ampliar sua capacidade de se comunicar com todos os segmentos sociais" e "sair do Congresso e ganhar as ruas."
A avaliação dos tucanos é que a tese de FHC do foco na classe média contraria a tentativa de Aécio e do governador Geraldo Alckmin, de consolidar uma marca social e se aproximar dos sindicatos.
Aliados de Alckmin evitaram críticas ao artigo. Avaliaram que, de fato, o partido não pode descuidar da classe média, mas também não pode deixar de investir em áreas onde não tem força.
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), tentou minimizar a polêmica e disse que FHC foi mal interpretado, pois apenas "constatou que é mais fácil para a oposição se comunicar com a classe média do que com os beneficiários do Bolsa Família".
Em entrevista à rádio CBN, FHC reafirmou o conteúdo do artigo: "Em vez de permanecer num corpo a corpo permanente com o PT num terreno em que eles fincaram estacas, tem muitos setores da sociedade que não estão representados e que têm aspirações", afirmou.
Em Maringá (PR), FHC voltou a dizer que "o PSDB precisa se aproximar de camadas sociais que não se interessam pela política".
Aécio se diz otimista na capacidade do PSDB atrair eleitor com menor renda
Para Serra, a polêmica não traduz essência do artigo do ex-presidente, com a qual concorda em "gênero, número e grau"
CATIA SEABRA
DE BRASÍLIA
VERA MAGALHÃES
DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO
Líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), discordaram ontem do teor do artigo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso propõe que desistam do "povão" para investir na nova classe média.
Já o ex-governador José Serra fez vários elogios ao texto e disse que este não é o "ponto essencial" do texto.
Em "O papel da oposição", escrito para a revista "Interesse Nacional" e antecipado ontem pela Folha, FHC diz que "enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os "movimentos sociais" ou o "povão", isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos".
Aécio elogiou o texto, mas se disse "mais otimista" que FHC quanto à chance de conquista dos eleitores de baixa renda. O tucano mineiro afirmou que "é preciso se inserir no Nordeste" e se aproximar dos movimentos sociais.
Ele disse que, em Minas, o PSDB teve apoio "maciço" desse segmento nas últimas eleições. "O próprio governo do presidente Fernando Henrique possibilitou a maior transição de classes já vivida no Brasil, muito além do que o Bolsa Família tem proporcionado, que foi o fim da inflação", afirmou. Serra disse à Folha que compartilha em "gênero, número e grau" com a "essência" do artigo: "O problema do PSDB e da oposição é de rumo, de clareza, de coerência. Como um todo, não se sabe bem o que o partido defende, nem de que lado está".
O ex-governador de São Paulo também concorda com o ex-presidente "quando ele adverte para o fato de que as oposições não conseguirão disputar com o PT o aparelhamento do Estado, porque a nossa vocação é outra".
Já líderes da oposição no Congresso discordaram do texto de forma mais aberta.
"Um partido tem de ter sensibilidade social. E ela deve ser voltada justamente às camadas mais pobres", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Alvaro Dias (PR).
O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), disse que a oposição tem de "ampliar sua capacidade de se comunicar com todos os segmentos sociais" e "sair do Congresso e ganhar as ruas."
A avaliação dos tucanos é que a tese de FHC do foco na classe média contraria a tentativa de Aécio e do governador Geraldo Alckmin, de consolidar uma marca social e se aproximar dos sindicatos.
Aliados de Alckmin evitaram críticas ao artigo. Avaliaram que, de fato, o partido não pode descuidar da classe média, mas também não pode deixar de investir em áreas onde não tem força.
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), tentou minimizar a polêmica e disse que FHC foi mal interpretado, pois apenas "constatou que é mais fácil para a oposição se comunicar com a classe média do que com os beneficiários do Bolsa Família".
Em entrevista à rádio CBN, FHC reafirmou o conteúdo do artigo: "Em vez de permanecer num corpo a corpo permanente com o PT num terreno em que eles fincaram estacas, tem muitos setores da sociedade que não estão representados e que têm aspirações", afirmou.
Em Maringá (PR), FHC voltou a dizer que "o PSDB precisa se aproximar de camadas sociais que não se interessam pela política".
Colaborou TATIANE SALVATICO, de Maringáhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1304201102.htm
Ex-presidente prepara site para discutir política
MARIANA BARBOSADE SÃO PAULO
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prepara o lançamento de uma comunidade virtual para discutir política, economia e temas de interesse geral.
Batizada de "Observador Político", a comunidade será uma mistura da rede social Facebook com Huffington Post, jornal eletrônico americano. O Observador faz parte da iniciativa de FHC de refundar a oposição, cujas diretrizes ele expõe no artigo "O papel da oposição", a ser publicado nesta semana na revista "Interesse Nacional".
Para o ex-presidente, os partidos da oposição precisam estar presentes nas redes sociais para dialogar com a nova classe média.
A comunidade virtual será lançada em 18 de junho, dia em que FHC completa 80 anos. Dentro de 30 a 40 dias o site entra no ar de forma experimental.
A ideia é criar uma rede de pelo menos cem blogueiros. Dentre os nomes de estreia estão o próprio FHC, Francisco Weffort, Soninha Francine, Pedro Malan, Gustavo Franco, Bolívar Lamounier e Pedro Abromovay.
O ex-candidato tucano à presidência José Serra não deve fazer parte do time de estreia, segundo o ex-deputado Xico Graziano, escalado por FHC para tocar o projeto.
"Queremos oferecer um mecanismo de participação para mobilizar a juventude", diz Graziano.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1304201103.htm
ANÁLISE PARTIDOS
Compreensão da nova classe média é desafio
Não se pode perder de vista que parte dos que "melhoraram de vida" ainda têm demandas da base da pirâmide
MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
A chamada nova classe média, cuja ascensão nos últimos anos vem sendo atentamente acompanhada por economistas e empresários, é agora alvo também dos principais partidos políticos.
Não por acaso, além de figurar na manchete de ontem desta Folha, foi destaque em três reportagens nos cadernos Mercado e Equilíbrio.
Por não ter uma definição consensual nas Ciências Sociais, o conceito de classe média e seu tamanho variam arbitrariamente, de acordo com os parâmetros de quem a analisa. No mercado, costuma-se usar com frequência uma classificação econômica baseada em posse de bens de consumo e escolaridade do chefe da família.
Denominada Critério Brasil, divide a população em classes de A até E, sendo a classe C comumente considerada como classe média. Constata-se, por esse critério que, nos últimos seis anos, cerca de 20 milhões de brasileiros deixaram a base da pirâmide e ascenderam à classe C, graças ao aumento do consumo. Representam hoje metade da população adulta.
Uma classificação alternativa toma a renda familiar como parâmetro. Nesse caso, a classe média seria formada por aqueles que pertencem a núcleos familiares cuja renda de todos os membros soma entre três e dez salários mínimos. Por esse critério, segundo o último Datafolha, representam 44% dos brasileiros. Nesse caso, a maioria é dos 47% cujo rendimento familiar não ultrapassa o equivalente a dois mínimos. Vale ressaltar que apenas 4% apresentam renda familiar superior a dez mínimos.
Por qualquer critério, constata-se que essa camada da população -crescente, consumidora e seletiva- assume também papel preponderante no cenário político.
Partidos que mais bem utilizarem os instrumentos disponíveis para ouvir seus anseios e compará-los com os de outras camadas terão mais chance de conquistá-la.
PIRÂMIDE
Não se pode perder de vista que boa parte dos que "melhoraram de vida" permanecem com demandas e valores que caracterizam a base da pirâmide. É um erro supor que, por consumirem mais e frequentarem novos ambientes, passarão a pensar e adquirir resistências típicas da classe média.
Como exemplos, o último Datafolha mostra que a aprovação inicial ao governo Dilma é muito semelhante entre as camadas médias e baixas. A saúde é considerada principal problema do país em proporções quase idênticas em todas as camadas.
Os brasileiros, de todas as classes, estão atentos aos problemas e avaliam os governantes segundo suas experiências reais. A maior delas talvez seja a de serem ouvidos e contemplados. Sairá na frente quem melhor souber usar os instrumentos disponíveis para essa demanda.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1304201104.htm
Compreensão da nova classe média é desafio
Não se pode perder de vista que parte dos que "melhoraram de vida" ainda têm demandas da base da pirâmide
MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
A chamada nova classe média, cuja ascensão nos últimos anos vem sendo atentamente acompanhada por economistas e empresários, é agora alvo também dos principais partidos políticos.
Não por acaso, além de figurar na manchete de ontem desta Folha, foi destaque em três reportagens nos cadernos Mercado e Equilíbrio.
Por não ter uma definição consensual nas Ciências Sociais, o conceito de classe média e seu tamanho variam arbitrariamente, de acordo com os parâmetros de quem a analisa. No mercado, costuma-se usar com frequência uma classificação econômica baseada em posse de bens de consumo e escolaridade do chefe da família.
Denominada Critério Brasil, divide a população em classes de A até E, sendo a classe C comumente considerada como classe média. Constata-se, por esse critério que, nos últimos seis anos, cerca de 20 milhões de brasileiros deixaram a base da pirâmide e ascenderam à classe C, graças ao aumento do consumo. Representam hoje metade da população adulta.
Uma classificação alternativa toma a renda familiar como parâmetro. Nesse caso, a classe média seria formada por aqueles que pertencem a núcleos familiares cuja renda de todos os membros soma entre três e dez salários mínimos. Por esse critério, segundo o último Datafolha, representam 44% dos brasileiros. Nesse caso, a maioria é dos 47% cujo rendimento familiar não ultrapassa o equivalente a dois mínimos. Vale ressaltar que apenas 4% apresentam renda familiar superior a dez mínimos.
Por qualquer critério, constata-se que essa camada da população -crescente, consumidora e seletiva- assume também papel preponderante no cenário político.
Partidos que mais bem utilizarem os instrumentos disponíveis para ouvir seus anseios e compará-los com os de outras camadas terão mais chance de conquistá-la.
PIRÂMIDE
Não se pode perder de vista que boa parte dos que "melhoraram de vida" permanecem com demandas e valores que caracterizam a base da pirâmide. É um erro supor que, por consumirem mais e frequentarem novos ambientes, passarão a pensar e adquirir resistências típicas da classe média.
Como exemplos, o último Datafolha mostra que a aprovação inicial ao governo Dilma é muito semelhante entre as camadas médias e baixas. A saúde é considerada principal problema do país em proporções quase idênticas em todas as camadas.
Os brasileiros, de todas as classes, estão atentos aos problemas e avaliam os governantes segundo suas experiências reais. A maior delas talvez seja a de serem ouvidos e contemplados. Sairá na frente quem melhor souber usar os instrumentos disponíveis para essa demanda.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1304201104.htm
DEPUTADO DO CASTELO
Edmar ganha cargo de vice-presidência em estatal em MG
DE BELO HORIZONTE - O ex-deputado federal Edmar Moreira (PR-MG), que ficou conhecido por um castelo avaliado em R$ 25 milhões que pertence a familiares, foi nomeado vice-presidente de uma estatal do governo mineiro.
Moreira, que recebe R$ 11 mil, ocupa o cargo desde o dia 4 na MGI (Minas Gerais Participações), empresa de direito privado que tem o governo como acionista majoritário.
Entre outras funções, a estatal participa de empresas consideradas promissoras para o desenvolvimento estadual.
O ex-deputado, que não foi encontrado pela reportagem ontem, trabalha na Cidade Administrativa, complexo onde despacha o governador Antonio Anastasia (PSDB).
Segundo o governo, ele foi indicado pelo PR, que integra a base de apoio de Anastasia.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1304201112.htm
Edmar ganha cargo de vice-presidência em estatal em MG
DE BELO HORIZONTE - O ex-deputado federal Edmar Moreira (PR-MG), que ficou conhecido por um castelo avaliado em R$ 25 milhões que pertence a familiares, foi nomeado vice-presidente de uma estatal do governo mineiro.
Moreira, que recebe R$ 11 mil, ocupa o cargo desde o dia 4 na MGI (Minas Gerais Participações), empresa de direito privado que tem o governo como acionista majoritário.
Entre outras funções, a estatal participa de empresas consideradas promissoras para o desenvolvimento estadual.
O ex-deputado, que não foi encontrado pela reportagem ontem, trabalha na Cidade Administrativa, complexo onde despacha o governador Antonio Anastasia (PSDB).
Segundo o governo, ele foi indicado pelo PR, que integra a base de apoio de Anastasia.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1304201112.htm
Varejo sente efeito de medidas e vendas têm queda em fevereiro
Redução foi de 0,4%, primeiro resultado negativo em 9 meses
PEDRO SOARESDO RIO
Até então mais explícito no setor de veículos, o impacto das medidas do Banco Central para conter as vendas a crédito já reverbera em mais segmentos. É o que revelam os dados do desempenho do varejo em fevereiro, divulgados ontem pelo IBGE.
As vendas do comércio varejista como um todo recuaram 0,4% de janeiro para fevereiro, ante alta de 1,1% de dezembro para janeiro. Trata-se do primeiro resultado negativo em nove meses.
As vendas de veículos, que tinham caído 7,2% em janeiro, tiveram retração mais amena em fevereiro, de 1,1%.
Em contrapartida, outro ramo dependente do crédito e de grande peso no índice do IBGE, o de móveis e eletrodomésticos, foi mais afetado. Suas vendas recuaram 2,8% de janeiro a fevereiro.
Também tiveram desempenho negativo os ramos de informática e material de construção, cujas vendas cederam 3,1% e 1,5% de janeiro a fevereiro, respectivamente.
Segundo os dados do BC, o crédito perdeu força e cresceu em fevereiro 1,4%. Ainda assim, acumulou alta de 22,8% para pessoas físicas em 12 meses.
Para Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o BC conseguiu segurar o crédito e represar parcialmente as vendas, mas o comércio ainda manterá um "dinamismo moderado" neste ano graças ao câmbio (que barateia importados), à renda em alta e ao emprego ainda em expansão.
A CNC prevê um crescimento na faixa de 6% do varejo neste ano. A consultoria LCA também crê num desempenho mais modesto do comércio em 2011.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1304201122.htm
NOVO PARTIDO
Kassab assina hoje fundação do PSD com a promessa de atrair tucanos
DE BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, assina hoje a ata de fundação do PSD com a promessa de reunir um governador, cinco vice-governadores, dois senadores e pelo menos 30 deputados.
Integrantes do DEM, PPS e até do PSDB assinam hoje, simbolicamente, a ficha de filiação. A lista inclui, por exemplo, um secretário do governador Antonio Anastasia (PSDB) e o vice-governador da Paraíba, o tucano Rômulo Gouveia.
Embora se declare amigo de Aécio Neves (PSDB-MG), Gouveia conta que resistiu aos apelos do senador e avisou que trocará de partido. Ele atribuiu sua saída aos ataques do PSDB ao governo da Paraíba.
Para incômodo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o vice-governador, Guilherme Afif Domingues, também deverá assinar o documento.
Com o ato, Kassab tenta dar uma demonstração de solidez, já que a constituição do novo partido é cercada de dúvidas.
Sob ameaça de desidratação de seu partido, o PPS entrou ontem com ação no Supremo Tribunal Federal contestando a interpretação do TSE de que, em caso de fundação partidária, o parlamentar pode trocar de sigla sem risco de perda de mandato.
Aliado de Kassab, o deputado Guilherme Campos (SP) diz que a criação do novo partido respeita a orientação da Justiça Eleitoral.
Kassab assina hoje fundação do PSD com a promessa de atrair tucanos
DE BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, assina hoje a ata de fundação do PSD com a promessa de reunir um governador, cinco vice-governadores, dois senadores e pelo menos 30 deputados.
Integrantes do DEM, PPS e até do PSDB assinam hoje, simbolicamente, a ficha de filiação. A lista inclui, por exemplo, um secretário do governador Antonio Anastasia (PSDB) e o vice-governador da Paraíba, o tucano Rômulo Gouveia.
Embora se declare amigo de Aécio Neves (PSDB-MG), Gouveia conta que resistiu aos apelos do senador e avisou que trocará de partido. Ele atribuiu sua saída aos ataques do PSDB ao governo da Paraíba.
Para incômodo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o vice-governador, Guilherme Afif Domingues, também deverá assinar o documento.
Com o ato, Kassab tenta dar uma demonstração de solidez, já que a constituição do novo partido é cercada de dúvidas.
Sob ameaça de desidratação de seu partido, o PPS entrou ontem com ação no Supremo Tribunal Federal contestando a interpretação do TSE de que, em caso de fundação partidária, o parlamentar pode trocar de sigla sem risco de perda de mandato.
Aliado de Kassab, o deputado Guilherme Campos (SP) diz que a criação do novo partido respeita a orientação da Justiça Eleitoral.
Para FMI, falta credibilidade aos EUA
Fundo alerta que deficit publico americano pode chegar a 10,8% do PIB, um risco para uma nova crise global
Relatório fiscal prevê que dívida dos países desenvolvidos superará suas economias; Obama fala hoje sobre tema
ANDREA MURTA
DE WASHINGTON
O FMI atacou ontem a"falta de credibilidade" dos EUA para controlar o deficit público e afirmou que o país não só está atrapalhando a consolidação fiscal das economias avançadas como é um risco para nova crise global.
As críticas constam do último relatório "Fiscal Monitor". Pela projeção do Fundo, a dívida das economias avançadas vai ultrapassar o tamanho das suas economias em 2016, pela primeira vez desde a Segunda Guerra.
O relatório do FMI foi divulgado em um momento em que países europeus enfrentam a crise da dívida e elevados deficits públicos.
Ontem, no entanto, as críticas do FMI foram voltadas para os EUA. Para o Fundo, a previsão de aumento do deficit americano é um contraste em relação ao aperto que deverá ser feito pelos europeus, que vai levar à queda do rombo nesses países.
O deficit público é o quanto as contas do governo ficam no vermelho depois de pagar despesas e os juros da dívida. Quanto maior essa dívida, mais cara ela se tornará, o que faz aumentar o deficit.
RISCOS
Segundo o FMI, "os EUA são a única economia avançada [sem contar o Japão, com problemas por conta do terremoto do mês passado] que está aumentando o deficit neste ano, apesar de uma melhoria no crescimento".
"[A piora do deficit] apresenta riscos de consequências muito sérias para o resto do mundo", disse ontem Carlo Cottarelli, que chefia assuntos fiscais do FMI. "É importante que os EUA implementem um ajuste fiscal rapidamente."
O Fundo diz que o pacote de estímulos adotado em 2010 contribuirá para levar o deficit do país para 10,8% do PIB, o maior entre mercados desenvolvidos neste ano.
E sugere que, pela velocidade de recuperação, já seria possível reduzir o endividamento dos EUA.
A projeção para o crescimento da economia em 2011 está em 2,8%. O deficit para 2011 deve chegar a US$ 1,5 trilhão. A dívida pública está hoje em US$ 14,26 trilhões.
As críticas chegam no momento em que o presidente Barack Obama se prepara para falar hoje ao país sobre o Orçamento 2011 -ainda à espera de aprovação após acordo bipartidário para cortar US$ 38,5 bilhões- e a diminuição da dívida pública no longo prazo.
O tema vem dominando o cenário político americano nos últimos meses. Os maiores motores da dívida americana, os programas de saúde pública para idosos e pobres e a seguridade social, são exatamente as áreas em que o FMI vê os maiores desafios para o corte de gastos.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1304201101.htm
Fundo alerta que deficit publico americano pode chegar a 10,8% do PIB, um risco para uma nova crise global
Relatório fiscal prevê que dívida dos países desenvolvidos superará suas economias; Obama fala hoje sobre tema
ANDREA MURTA
DE WASHINGTON
O FMI atacou ontem a"falta de credibilidade" dos EUA para controlar o deficit público e afirmou que o país não só está atrapalhando a consolidação fiscal das economias avançadas como é um risco para nova crise global.
As críticas constam do último relatório "Fiscal Monitor". Pela projeção do Fundo, a dívida das economias avançadas vai ultrapassar o tamanho das suas economias em 2016, pela primeira vez desde a Segunda Guerra.
O relatório do FMI foi divulgado em um momento em que países europeus enfrentam a crise da dívida e elevados deficits públicos.
Ontem, no entanto, as críticas do FMI foram voltadas para os EUA. Para o Fundo, a previsão de aumento do deficit americano é um contraste em relação ao aperto que deverá ser feito pelos europeus, que vai levar à queda do rombo nesses países.
O deficit público é o quanto as contas do governo ficam no vermelho depois de pagar despesas e os juros da dívida. Quanto maior essa dívida, mais cara ela se tornará, o que faz aumentar o deficit.
RISCOS
Segundo o FMI, "os EUA são a única economia avançada [sem contar o Japão, com problemas por conta do terremoto do mês passado] que está aumentando o deficit neste ano, apesar de uma melhoria no crescimento".
"[A piora do deficit] apresenta riscos de consequências muito sérias para o resto do mundo", disse ontem Carlo Cottarelli, que chefia assuntos fiscais do FMI. "É importante que os EUA implementem um ajuste fiscal rapidamente."
O Fundo diz que o pacote de estímulos adotado em 2010 contribuirá para levar o deficit do país para 10,8% do PIB, o maior entre mercados desenvolvidos neste ano.
E sugere que, pela velocidade de recuperação, já seria possível reduzir o endividamento dos EUA.
A projeção para o crescimento da economia em 2011 está em 2,8%. O deficit para 2011 deve chegar a US$ 1,5 trilhão. A dívida pública está hoje em US$ 14,26 trilhões.
As críticas chegam no momento em que o presidente Barack Obama se prepara para falar hoje ao país sobre o Orçamento 2011 -ainda à espera de aprovação após acordo bipartidário para cortar US$ 38,5 bilhões- e a diminuição da dívida pública no longo prazo.
O tema vem dominando o cenário político americano nos últimos meses. Os maiores motores da dívida americana, os programas de saúde pública para idosos e pobres e a seguridade social, são exatamente as áreas em que o FMI vê os maiores desafios para o corte de gastos.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1304201101.htm
ANÁLISE
Grande demais para um resgate, Itália preocupa Europa
GIDEON RACHMAN
DO "FINANCIAL TIMES"
Em Las Vegas, os grandes apostadores são conhecidos como "baleias".
Para a UE (União Europeia), a baleia é a Itália, cuja economia e dívida são tão grandes que a moeda única adotada pelo bloco depende de seu destino.
Na semana passada, Portugal se tornou a mais recente vítima da crise da dívida, mas é uma economia relativamente pequena. Um resgate à Espanha, caso venha a se tornar necessário, seria muito maior, embora a UE provavelmente tenha a capacidade requerida para realizá-lo. Mas a Itália é grande demais para um resgate.
Enquanto Portugal solicitava seus empréstimos de emergência, a Itália estava preocupada com o julgamento do primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, acusado de fazer sexo com uma prostituta menor de idade.
A suposição de que Berlusconi uma vez mais conseguirá evitar essa enrascada jurídica parece ter sido confirmada pela decisão imediata de adiar o julgamento.
Alguns italianos se divertem com a insensatez de Berlusconi, e outros se indignam. Há os que se preocupam por estar distraindo o país dos desafios políticos e econômicos reais que terá de enfrentar cedo ou tarde.
Nos círculos financeiros e empresariais, muitos se preocupam com a inevitabilidade de uma crise na Itália. A dívida do país é superior às de Grécia, Irlanda e Portugal.
Por enquanto, a Itália não vem encontrando problemas para financiar e manter em dia a dívida. Mas a situação do país só é sustentável em um ambiente de taxas de juros baixíssimas.
E, na semana passada, o ciclo da política monetária se reverteu quando o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros em 0,25%.
Existe uma grande diferença, porém: o destino de Berlusconi está nas mãos dos eleitores e juízes italianos.
O da economia italiana pode depender de credores estrangeiros e dos dirigentes de bancos. E eles podem se provar menos lenientes que o sistema judicial italiano.
Grande demais para um resgate, Itália preocupa Europa
GIDEON RACHMAN
DO "FINANCIAL TIMES"
Em Las Vegas, os grandes apostadores são conhecidos como "baleias".
Para a UE (União Europeia), a baleia é a Itália, cuja economia e dívida são tão grandes que a moeda única adotada pelo bloco depende de seu destino.
Na semana passada, Portugal se tornou a mais recente vítima da crise da dívida, mas é uma economia relativamente pequena. Um resgate à Espanha, caso venha a se tornar necessário, seria muito maior, embora a UE provavelmente tenha a capacidade requerida para realizá-lo. Mas a Itália é grande demais para um resgate.
Enquanto Portugal solicitava seus empréstimos de emergência, a Itália estava preocupada com o julgamento do primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, acusado de fazer sexo com uma prostituta menor de idade.
A suposição de que Berlusconi uma vez mais conseguirá evitar essa enrascada jurídica parece ter sido confirmada pela decisão imediata de adiar o julgamento.
Alguns italianos se divertem com a insensatez de Berlusconi, e outros se indignam. Há os que se preocupam por estar distraindo o país dos desafios políticos e econômicos reais que terá de enfrentar cedo ou tarde.
Nos círculos financeiros e empresariais, muitos se preocupam com a inevitabilidade de uma crise na Itália. A dívida do país é superior às de Grécia, Irlanda e Portugal.
Por enquanto, a Itália não vem encontrando problemas para financiar e manter em dia a dívida. Mas a situação do país só é sustentável em um ambiente de taxas de juros baixíssimas.
E, na semana passada, o ciclo da política monetária se reverteu quando o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros em 0,25%.
Existe uma grande diferença, porém: o destino de Berlusconi está nas mãos dos eleitores e juízes italianos.
O da economia italiana pode depender de credores estrangeiros e dos dirigentes de bancos. E eles podem se provar menos lenientes que o sistema judicial italiano.
Peru vive onda de racismo pós-eleição
Vitorioso no primeiro turno, candidato Ollanta Humala é atacado na internet e em jornais por sua origem indígena
Esquerdista e filha de Fujimori farão 2º turno; para críticos dos dois, escolha é entre "perder dinheiro ou valores"
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
ENVIADA ESPECIAL A LIMA
Uma onda de racismo tomou conta da internet, dos jornais e das redes sociais peruanas diante da vitória do candidato de esquerda, Ollanta Humala, no primeiro turno do pleito presidencial.
Humala, que é de origem indígena, disputará o segundo turno no dia 5 de junho com a candidata Keiko Fujimori, de direita. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre 25 anos de prisão por corrupção e violações de direitos humanos.
Na internet, blogs e o Facebook amanheceram lotados de xingamentos aos "cholos" (termo depreciativo para se referir a indígenas) e "índios" favoráveis a Humala.
"Porcaria de cholo, se você for presidente eu prefiro ser preso", dizia um internauta. "Ollanta é um índio de merda, e todos os pobres votam nele porque ele vai tirar o dinheiro das pessoas normais", afirmava outro.
As manifestações eram semelhantes ao movimento no Twitter brasileiro contra os nordestinos que votaram na candidata Dilma Rousseff na eleição do ano passado.
Até os jornais peruanos entraram na guerra suja verbal. No editorial de ontem do jornal "Peru21", o diretor Fritz du Bois afirma: "É tão evidente a tentativa de Humala de se branquear e se apresentar como moderado, que é difícil dar resultados".
No diário "Correo", o diretor ultraconservador Aldo Mariátegui foi mais longe e disse que "já começou a operação de pentear o macaco".
Mais adiante, comparou Humala ao ditador alemão Adolf Hitler. "Isso me lembra quando a direita alemã tentou domar Hitler e o nomeou chanceler junto com o centrista Papen", escreveu. "A "lulificação" de Humala (...) não passa de uma miragem."
A onda de ofensas levou Gastón Acurio, o mais famoso chef peruano e um ídolo no país, a pedir calma em sua página no Facebook.
Os ataques a Humala geraram reações na parcela de centro-esquerda da população, que não votará em Keiko por considerá-la autoritária como seu pai -em um "autogolpe", Fujimori fechou o Congresso em 1992.
"Temos de escolher entre perder nosso dinheiro [com Humala, por causa da estatização da economia] ou perder nossos valores [com Keiko, por causa da corrupção]", disse o publicitário e escritor Gustavo Rodriguez.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1304201112.htm
Vitorioso no primeiro turno, candidato Ollanta Humala é atacado na internet e em jornais por sua origem indígena
Esquerdista e filha de Fujimori farão 2º turno; para críticos dos dois, escolha é entre "perder dinheiro ou valores"
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
ENVIADA ESPECIAL A LIMA
Uma onda de racismo tomou conta da internet, dos jornais e das redes sociais peruanas diante da vitória do candidato de esquerda, Ollanta Humala, no primeiro turno do pleito presidencial.
Humala, que é de origem indígena, disputará o segundo turno no dia 5 de junho com a candidata Keiko Fujimori, de direita. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre 25 anos de prisão por corrupção e violações de direitos humanos.
Na internet, blogs e o Facebook amanheceram lotados de xingamentos aos "cholos" (termo depreciativo para se referir a indígenas) e "índios" favoráveis a Humala.
"Porcaria de cholo, se você for presidente eu prefiro ser preso", dizia um internauta. "Ollanta é um índio de merda, e todos os pobres votam nele porque ele vai tirar o dinheiro das pessoas normais", afirmava outro.
As manifestações eram semelhantes ao movimento no Twitter brasileiro contra os nordestinos que votaram na candidata Dilma Rousseff na eleição do ano passado.
Até os jornais peruanos entraram na guerra suja verbal. No editorial de ontem do jornal "Peru21", o diretor Fritz du Bois afirma: "É tão evidente a tentativa de Humala de se branquear e se apresentar como moderado, que é difícil dar resultados".
No diário "Correo", o diretor ultraconservador Aldo Mariátegui foi mais longe e disse que "já começou a operação de pentear o macaco".
Mais adiante, comparou Humala ao ditador alemão Adolf Hitler. "Isso me lembra quando a direita alemã tentou domar Hitler e o nomeou chanceler junto com o centrista Papen", escreveu. "A "lulificação" de Humala (...) não passa de uma miragem."
A onda de ofensas levou Gastón Acurio, o mais famoso chef peruano e um ídolo no país, a pedir calma em sua página no Facebook.
Os ataques a Humala geraram reações na parcela de centro-esquerda da população, que não votará em Keiko por considerá-la autoritária como seu pai -em um "autogolpe", Fujimori fechou o Congresso em 1992.
"Temos de escolher entre perder nosso dinheiro [com Humala, por causa da estatização da economia] ou perder nossos valores [com Keiko, por causa da corrupção]", disse o publicitário e escritor Gustavo Rodriguez.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1304201112.htm
iPad brasileiro é previsto para novembro
Projeto prevê contratação de 100 mil funcionários, mais da metade do empregado pelo setor eletrônico do Brasil
Foxconn, que faz na China o tablet da Apple, fala em montar "cidade inteligente" no Brasil, em local não definido
Projeto prevê contratação de 100 mil funcionários, mais da metade do empregado pelo setor eletrônico do Brasil
Foxconn, que faz na China o tablet da Apple, fala em montar "cidade inteligente" no Brasil, em local não definido
| Kin Cheung - 26.mai.2010/Associated Press |
Funcionários trabalham em fábrica da Foxconn em Shenzhen, na China
FABIANO MAISONNAVE
DE PEQUIM
CAMILA FUSCO
DE SÃO PAULO
A empresa taiwanesa Foxconn planeja investir US$ 12 bilhões (R$ 19 bilhões) no Brasil nos próximos cinco anos para produzir displays (telas de computador e tablets), informou a presidente Dilma Rousseff.
O plano foi detalhado a Dilma durante encontro com Terry Gou, presidente e fundador da Hon Hai, controladora da Foxconn, que fabrica o iPad. Ele também informou ter acertado com Steve Jobs, da Apple, a montagem dos tablets no Brasil a partir de novembro.
Conforme a Folha antecipou no sábado, os primeiros contêineres de componentes para o iPad devem chegar ao Brasil em até dois meses.
O projeto prevê 100 mil funcionários, do quais 20 mil engenheiros e 15 mil técnicos, explicou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que diz estar negociando com a empresa chinesa há três meses.
A Foxconn acenou ainda com a construção de uma "cidade inteligente", em local a ser definido, para acomodar a fábrica e os funcionários da empresa, fornecedora de marcas como Nokia, Motorola e BMW, além da Apple.
"Tem de garantir banda larga, energia, estrutura, acesso a aeroporto, estradas, tem questões alfandegárias, processuais, o marco legal, e haverá sócio brasileiro", afirmou Mercadante.
"Estamos falando de uma cidade de 400 mil pessoas que vai ser criada. Ele [Gou] quer fazer uma cidade com toda a parte de medicina digitalizada, iluminação de última geração."
O Brasil importa anualmente US$ 3 bilhões em displays, só produzidos em três países do mundo (Japão, Coreia do Sul e China).
VIABILIDADE
Apesar da euforia do governo, a própria indústria questiona os investimentos.
"Todo o setor de eletroeletrônicos emprega 172 mil pessoas. É difícil acreditar que um fabricante contratará 100 mil", diz Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira das Empresas Eletroeletrônicas).
Se o número for confirmado, a Foxconn vai enfrentar problemas de mão de obra. Estima-se que o deficit de profissionais para o setor chegará a 92 mil pessoas em 2011 e 750 mil até 2020.
Para Ivair Rodrigues, da consultoria IT Data, o investimento é estranho diante do perfil da Foxconn. Empresas de montagem de equipamentos -que não investem em pesquisa- costumam ter aportes baixos, sobretudo em galpões e máquinas.
"Com US$ 12 bilhões seria possível construir três fábricas de chips da Intel", diz.
Rodrigues questiona ainda a viabilidade de uma produção como a anunciada pela Foxconn diante do real forte. Para ele, com o dólar abaixo de R$ 1,60, fica difícil produzir outros eletrônicos que não PCs, que têm incentivos.
Duas outras empresas chinesas de telecomunicações anunciaram planos para o Brasil. A ZTE quer investir US$ 250 milhões numa fábrica em Hortolândia (SP). Já a Huawei planeja um centro de pesquisa de até US$ 350 milhões em Campinas.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me1304201103.htm
FABIANO MAISONNAVE
DE PEQUIM
CAMILA FUSCO
DE SÃO PAULO
A empresa taiwanesa Foxconn planeja investir US$ 12 bilhões (R$ 19 bilhões) no Brasil nos próximos cinco anos para produzir displays (telas de computador e tablets), informou a presidente Dilma Rousseff.
O plano foi detalhado a Dilma durante encontro com Terry Gou, presidente e fundador da Hon Hai, controladora da Foxconn, que fabrica o iPad. Ele também informou ter acertado com Steve Jobs, da Apple, a montagem dos tablets no Brasil a partir de novembro.
Conforme a Folha antecipou no sábado, os primeiros contêineres de componentes para o iPad devem chegar ao Brasil em até dois meses.
O projeto prevê 100 mil funcionários, do quais 20 mil engenheiros e 15 mil técnicos, explicou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que diz estar negociando com a empresa chinesa há três meses.
A Foxconn acenou ainda com a construção de uma "cidade inteligente", em local a ser definido, para acomodar a fábrica e os funcionários da empresa, fornecedora de marcas como Nokia, Motorola e BMW, além da Apple.
"Tem de garantir banda larga, energia, estrutura, acesso a aeroporto, estradas, tem questões alfandegárias, processuais, o marco legal, e haverá sócio brasileiro", afirmou Mercadante.
"Estamos falando de uma cidade de 400 mil pessoas que vai ser criada. Ele [Gou] quer fazer uma cidade com toda a parte de medicina digitalizada, iluminação de última geração."
O Brasil importa anualmente US$ 3 bilhões em displays, só produzidos em três países do mundo (Japão, Coreia do Sul e China).
VIABILIDADE
Apesar da euforia do governo, a própria indústria questiona os investimentos.
"Todo o setor de eletroeletrônicos emprega 172 mil pessoas. É difícil acreditar que um fabricante contratará 100 mil", diz Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira das Empresas Eletroeletrônicas).
Se o número for confirmado, a Foxconn vai enfrentar problemas de mão de obra. Estima-se que o deficit de profissionais para o setor chegará a 92 mil pessoas em 2011 e 750 mil até 2020.
Para Ivair Rodrigues, da consultoria IT Data, o investimento é estranho diante do perfil da Foxconn. Empresas de montagem de equipamentos -que não investem em pesquisa- costumam ter aportes baixos, sobretudo em galpões e máquinas.
"Com US$ 12 bilhões seria possível construir três fábricas de chips da Intel", diz.
Rodrigues questiona ainda a viabilidade de uma produção como a anunciada pela Foxconn diante do real forte. Para ele, com o dólar abaixo de R$ 1,60, fica difícil produzir outros eletrônicos que não PCs, que têm incentivos.
Duas outras empresas chinesas de telecomunicações anunciaram planos para o Brasil. A ZTE quer investir US$ 250 milhões numa fábrica em Hortolândia (SP). Já a Huawei planeja um centro de pesquisa de até US$ 350 milhões em Campinas.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me1304201103.htm
São Paulo e Rio disputam fábrica taiwanesa
DE SÃO PAULO
Anunciados os planos de investimentos da Foxconn no Brasil, começa agora a disputa dos Estados para abrigar a nova fábrica.
Embora São Paulo apareça como o candidato natural a receber a unidade, o Rio de Janeiro volta ao páreo.
A explicação está no fato de a fabricante taiwanesa querer um sócio local e de o empresário Eike Batista já ter manifestado interesse em levar uma fábrica da Apple ao complexo Porto do Açu, da LLX -braço de logística do Grupo EBX.
Isso colocaria o município de São João da Barra, no litoral do Rio, na rota dos investimentos. Com arrecadação de cerca de R$ 360 milhões por ano, 75% da receita do município vem dos royalties de exploração do petróleo.
No entanto, formação de mão de obra pode ser um desafio. O município tem hoje 32 mil habitantes, menos de um terço do volume estimado pela Foxconn.
Pesam a favor do governo paulista as negociações já em andamento.
Segundo a Folha apurou, o time de gestão da empresa mantém conversas com o Estado há mais de seis meses. O contingente de profissionais formados por USP, Unicamp, Unesp e ITA é outro atrativo.
Além da região de Campinas e Jundiaí, a Foxconn considera a região do Vale do Paraíba. (CF)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me1304201106.htm
DE SÃO PAULO
Anunciados os planos de investimentos da Foxconn no Brasil, começa agora a disputa dos Estados para abrigar a nova fábrica.
Embora São Paulo apareça como o candidato natural a receber a unidade, o Rio de Janeiro volta ao páreo.
A explicação está no fato de a fabricante taiwanesa querer um sócio local e de o empresário Eike Batista já ter manifestado interesse em levar uma fábrica da Apple ao complexo Porto do Açu, da LLX -braço de logística do Grupo EBX.
Isso colocaria o município de São João da Barra, no litoral do Rio, na rota dos investimentos. Com arrecadação de cerca de R$ 360 milhões por ano, 75% da receita do município vem dos royalties de exploração do petróleo.
No entanto, formação de mão de obra pode ser um desafio. O município tem hoje 32 mil habitantes, menos de um terço do volume estimado pela Foxconn.
Pesam a favor do governo paulista as negociações já em andamento.
Segundo a Folha apurou, o time de gestão da empresa mantém conversas com o Estado há mais de seis meses. O contingente de profissionais formados por USP, Unicamp, Unesp e ITA é outro atrativo.
Além da região de Campinas e Jundiaí, a Foxconn considera a região do Vale do Paraíba. (CF)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me1304201106.htm
São Paulo gastará até R$ 621 milhões na Nova Luz
Tiago Dantas
O investimento que a iniciativa privada terá que fazer para
revitalizar a cracolândia, no centro da capital, pode ser maior que o
lucro que ela terá com a exploração comercial do bairro. E a diferença
deve ser paga pela Prefeitura.
O estudo preliminar de viabilidade econômica e financeira do
projeto Nova Luz aponta que, em um cenário realista, o município teria
que investir até R$ 621 milhões, enquanto a iniciativa privada gastaria
outros R$ 817 milhões.
“A ideia do projeto não é que a Prefeitura faça um grande aporte. A
iniciativa privada deveria arcar com os custos, até porque irá lucrar
com a venda de terrenos e prédios”, avalia o vereador Chico Macena (PT).
Segundoo parlamentar, em maio de 2009, quando o projeto de
concessão urbanística estava em discussão na Câmara Municipal,
estimava-se que seriam empenhados cerca de R$ 90 mil do Tesouro
Municipal.
O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem,
lembra que os números ainda não são definitivos. “Estamos trazendo para a
discussão um projeto preliminar. Essa estimativa de investimento do
poder público só vai ser aprofundado à medida que o projeto evoluir”,
afirmou.
O estudo definitivo deve ser apresentado entre maio e junho, junto com a proposta urbanística final.
“Você está trazendo o setor privado para um projeto com
características públicas. Não há como fazer isso sem uma remuneração
justa”, opina José Bicudo, presidente da Cia. City, empresa que forma o
consórcio Nova Luz junto com Concremat Engenharia, Aecom e Fundação
Getúlio Vargas.
O grupo, responsável pelo projeto de reurbanização, deve fazer
estudos “visando eliminar ou reduzir substancialmente o nível de
contrapartida da municipalidade”, segundo o relatório econômico.
Audiência pública
O gasto que o poder público pode ter com a Nova Luz foi apenas um
dos temas levantados ontem durante audiência pública sobre o assunto na
Câmara Municipal.
Comerciantes e moradores do perímetro formado pela Rua Mauá e as
avenidas Cásper Líbero, Ipiranga, São João e Duque de Caxias
questionaram a Prefeitura sobre garantias de que não serão despejados,
custos das desapropriações e destino para os usuários de drogas da
região.
“Se essas discussões tivessem acontecido antes da aprovação da lei,
haveria mais apoio. Sem chamar a população, o projeto não sai”, disse o
comerciante Assad Nader, de 48 anos.
Um homem que se identificou como comerciante da Rua Santa Ifigênia
chamou os vereadores de “vendidos” e provocou um bate-boca que paralisou
a audiência pública sobre a Nova Luz na Câmara por cerca de 20 minutos.
Líder do governo na Casa, o vereador Roberto Tripoli (PV), gritou
do púlpito: “Você vai ter que provar isso”. Ainda em pé na plateia, de
frente para a mesa onde estavam os políticos, o homem continuou a
discussão. Tripoli desceu até a plateia. “Vou te processar”, ele dizia. O
lojista, que não revelou o nome e não quis dar entrevista, saiu do
plenário.
Quando tudo parecia controlado, começou um novo tumulto. Dessa vez,
era o vereador Cláudio Fonseca (PPS) quem brigava com um comerciante.
“Vendido é você”, gritava Fonseca. “Isso não é vereador, é moleque”,
respondia alguém.
Coube a Marco Aurélio Cunha (DEM) o discurso conciliador: “Gente,
cidadania é saber ouvir com respeito mútuo. Não pode ser injusto com
vereador, que abriu a casa para ouvir reivindicações, e não
despropósitos.”
Inconstitucional
O Tribunal de Justiça (TJ) analisa, desde novembro de 2009, um
pedido de Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) feito pelo
Ministério Público para invalidar a lei 14.917/09, que permite a
concessão à iniciativa de parte dos bairros da Luz e da Santa Ifigênia,
no centro, em troca de melhorias urbanísticas.
A lei foi aprovada em maio pela Câmara dos Vereadores, autorizando o
projeto Nova Luz. O procurador-geral de Justiça do Estado, Fernando
Grella Vieira, alega que a proposta não permitiu a participação popular e
fere a Constituição do Estado. Em 23 de março, um recurso da Prefeitura
para derrubar a Adin foi negado.
PSD nasce como ‘partido do milhão’
Anunciado como partido que “nasce do povo”,
o PSD (Partido Social Democrático) é composto, basicamente, por
fundadores milionários, cujos patrimônios somados ultrapassam R$ 109
milhões. A grande maioria dos parlamentares, governadores e
vice-governadores que pretendem ingressar na sigla a ser criada pelo
prefeito Gilberto Kassab possui bens acima de R$ 1 milhão, segundo
levantamento do JT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Hoje, na Câmara dos Deputados, haverá
cerimônia para formalizar a ata de fundação do PSD. A expectativa é que
30 políticos assinem o documento.
O levantamento levou em consideração 19
parlamentares e integrantes do Executivo que participaram do ato de
fundação do PSD, no dia 21 de março, em São Paulo, ou que manifestaram
interesse de entrar na legenda. Apenas cinco não têm patrimônio
declarado que atinge o milhão. Em média, cada fundador do PSD tem
patrimônio declarado de R$ 5,7 milhões. Acima, portanto, da média de R$
2,9 milhões por parlamentar empossado neste ano, segundo o site
Congresso em Foco. “É um partido que nasce do povo, com o povo e para o
povo brasileiro”, afirmou Kassab no lançamento do PSD. Já a senadora
Kátia Abreu (TO), que ingressará na nova sigla, classificou o PSD como
legenda da “classe média”.
Liderando a lista dos fundadores com maior
patrimônio está o vice-governador Guilherme Afif Domingos, que pretende
sair do DEM: R$ 49 milhões. Depois, aparece o deputado Paulo Magalhães
(DEM-BA), com R$ 14 milhões, e bens que incluem doze fazendas e uma
aeronave de R$ 40 mil.
Sétimo parlamentar mais rico de São Paulo,
com R$ 7,6 milhões declarados, o deputado Eleuses Paiva (DEM) foi um dos
primeiros a anunciar a entrada no PSD. Tem cinco fazendas, duas delas
com valor declarado superior a R$ 1 milhão, além de sete veículos, a
maioria de luxo, como uma Mercedes Benz avaliada em R$ 215 mil.
Mas nem todos os quadros do novo PSD têm
mais de R$ 1 milhão. Kátia Abreu declarou, em 2006, quando disputou o
Senado, R$ 437 mil. Mais pobre entre os fundadores, o deputado federal
Marcelo Aguiar (PSC) declarou possuir R$ 1 mil em quotas empresariais.
Segundo dados da ONG Transparência Brasil, o valor é inferior ao
depositado por ele mesmo em sua própria campanha de 2010, que totalizou
R$ 4,5 mil.
André Mascarenhas e Julia Duailibi
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