Enquanto os 20 reservatórios da cidade têm a limpeza em dia e são monitorados por câmeras, lixo, mato alto e entulho tomam conta de oito córregos, cujas águas nos períodos de chuva são desviadas para eles
CRISTIANE BOMFIM
Quase metade dos córregos que têm parte de suas águas direcionadas aos 20 piscinões da capital está tomada por lixo, mato e entulho. Enquanto reservatórios visitados pelo [BOLD]Jornal da Tarde[/BOLD] nas duas últimas semanas estão com a limpeza em dia e são monitorados por câmeras, os rios e córregos não receberam o mesmo cuidado da Prefeitura às vésperas da temporada de chuvas, que começa neste mês. O secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, afirma que a manutenção será intensificada. “Os investimentos no combate à enchente crescem anualmente”, disse.
Na zona leste, região com mais piscinões da capital – 11 no total –, a reportagem encontrou cinco córregos tomados por mato, garrafas PET, sacos de lixo e pneus no leito. Os riachos têm suas águas desviadas para os piscinões Oratório, Caaguaçu, Limoeiro, Aricanduva 2 e Aricanduva 3. Na zona sul, o mesmo problema ocorre com parte dos córregos Pirajuçara – que abastece o piscinão Jardim Maria Sampaio – e Águas Espraiadas, que encontra o reservatório Jabaquara.
Na zona norte, o córrego Cabuçu de Baixo, que atravessa o reservatório Bananal, não passa por limpeza há um bom tempo, afirmam moradores. “Moro aqui há 25 anos e poucas vezes vi a Prefeitura fazendo limpeza nesse rio. O piscinão está em dia, mas acho que só isso não adianta”, afirma a secretária Francisca Alessandra Cemião, 32 anos.
O professor aposentado de hidrologia da USP Júlio Cerqueira Cesar Neto afirma que não adianta os piscinões estarem limpos se os córregos que chegam até eles permanecerem sem manutenção. “Pode ocorrer de o córrego transbordar antes de a água chegar ao reservatório. É importante que todo o sistema seja bem cuidado”, diz Cesar Neto.
Marcelo Rosenberg, engenheiro hidráulico e conselheiro do Instituto de Engenharia, vai mais longe. “Resíduos de grande porte, como pneus e móveis jogados em rios, formam uma espécie de barragem que dificulta a passagem da água e isso causa enchente.” Ele afirma que a limpeza e o desassoreamento precisam ser feitos permanentemente para que os córregos tenham sempre uma boa capacidade de vazão.
Orçamento
Para este ano, as 31subprefeituras juntas têm R$ 118,73 milhões para cuidar da limpeza de córregos e galerias, segundo consulta feita no orçamento da Prefeitura, disponível no site. Até 6 de junho, última atualização, foram gastos R$ 49 milhões, ou seja, 41% do total.
Para este ano, as 31subprefeituras juntas têm R$ 118,73 milhões para cuidar da limpeza de córregos e galerias, segundo consulta feita no orçamento da Prefeitura, disponível no site. Até 6 de junho, última atualização, foram gastos R$ 49 milhões, ou seja, 41% do total.
Com a limpeza manual dos córregos, que nada mais é do que cortar o mato e retirar o entulho das margens e o lixo aparente, a Prefeitura gastou até junho R$ 12,23 milhões ou 64,77% do valor previsto para o serviço neste ano.
Já com a manutenção mecânica, que tem a função principal de remover o lixo acumulado no fundo dos córregos e rios e desassorear seus leitos, foram gastos, no mesmo período, R$ 5,21milhões dos R$ 37,75 milhões reservados para o ano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário