15/10/2011

1 a cada 5 carros já foi roubado


Por Felipe Tau e Gio Mendes
De cada cinco veículos registrados na capital paulista, um já foi parar nas mãos de criminosos nos últimos 16 anos. De julho de 1995 até agosto de 2011, 1.480.985 veículos foram roubados ou furtados apenas na cidade de São Paulo, de acordo com as estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Esse total corresponde a 20,8% da frota de veículos registrada no Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran) até agosto deste ano: 7.117.136.
Para o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, o número de veículos roubados e furtados na cidade continua “absurdamente grande” e o combate a esse tipo de crime tem que ir além da repressão dos ladrões que agem nas ruas. “Prender ladrão de carro é só a ponta (do iceberg). O foco da ação policial deve ser o combate às organizações criminosas, que estão lucrando com esses tipos de crimes”, afirmou o delegado-geral.
Segundo o advogado David Teixeira de Azevedo, especialista em segurança pública e professor de direito penal da Universidade de São Paulo (USP), a grande maioria dos veículos são desmanchados, para a revenda de peças, adulterados, com remarcação do chassi, ou comercializados em outros países. “A Polícia Civil deveria fiscalizar todos os desmanches de maneira rigorosa e a Polícia Militar tem que aumentar a fiscalização nas estradas para coibir esse tipo de ação”, disse o advogado.
A Polícia Militar informou que intensificou o número de blitze e patrulhamento para reduzir a ação dos criminosos. Segundo o delegado-geral, os desmanches já têm sido o principal alvo da polícia, mas ele pede que os donos de veículos também evitem de ir a esses lugares em busca de peças baratas. “A mentalidade do cidadão precisa mudar. Ele tem que saber que contribui para esse tipo de crime ao comprar carros clonados ou ir atrás de peças baratas em desmanches clandestinos”, disse Lima.
O secretário chileno John Hermán Mena, de 43 anos, teve o carro furtado em junho do ano passado. Seu Fiat Uno estava estacionado na rua da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes, na zona oeste de São Paulo, um dos bairros mais visados por criminosos (veja tabela abaixo). “O cara (ladrão) enganou o guardador de carros. Falou que me conhecia e levou o veículo”, disse Mena.
O carro foi achado três dias depois pela polícia, no estacionamento de um supermercado do bairro do Limão, zona norte da capital. Nos dias em que ficou sem carro, Hermán, que mora na cidade de Arujá, na Grande São Paulo, teve que ir de ônibus para o trabalho. Em vez de gastar 45 minutos, como era sua rotina de motorista, o chileno chegava a levar até 2 horas no trajeto, que incluía um trecho de metrô e mais 15 minutos de caminhada.
De acordo com Hermán, roubos e furtos de veículos são comuns no entorno da universidade. “Os ladrões roubam à mão armada, quando os alunos saem da universidade à noite. Os bandidos acompanham os estudantes até o carro”, disse Mena. Segundo ele, um amigo foi assaltado dessa maneira na semana passada.
Segundo o coronel da reserva da PM, José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança, metade dos carros roubados e furtados desaparece e nunca são encontrados. “A outra metade, na verdade, os bandidos abandonam nas ruas”, afirmou Silva. De acordo com ele, a Polícia Civil é responsável por 60% do problema e a PM pelo restante. “A PM faz o patrulhamento preventivo, mas a Polícia Civil tem que investigar criminosos como ladrões e receptadores que se organizam para praticar os roubos e furtos.”

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