17/10/2011

Emendas: Muito bate-boca e pouca investigação



FABIO SERAPIÃO
Instalado para apurar as denúncias do petebista Roque Barbiere, segundo quem de “25% a 30%” dos deputados da Assembleia Legislativa comercializam emendas parlamentares, o Conselho de Ética e seus nove integrantes têm feito tudo, menos investigar o caso.
Nas suas três primeiras semanas de trabalho, completadas na última quinta-feira, em vez de ouvir denunciados e denunciantes, coletar informações e averiguações, o que se viu foi o conselho ser transformado em um palco de discussões vazias, troca de acusações políticas e manobra da base governista para abafar as investigações sobre o caso.
Nas últimas décadas, o conselho foi acionado por duas vezes. Na primeira delas, em 1999, os membros aprovaram por unanimidade a cassação do então deputado Hanna Garib, acusado de chefiar a “máfia da propina” na Administração Regional da Sé.
Oito anos depois, em 2007, o conselho absolveu Mauro Bragato (PSDB) e arquivou o processo em que ele era investigado por supostamente ter recebido propina em projetos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Bragato nega.
Integrantes da Assembleia com mais tempo de Casa avaliam que, da forma como a atual apuração vem sendo conduzida, há grandes chances de o conselho não conseguir finalizar as investigações. Entre os fatores que contribuiriam para isso está a articulação da base governista no Legislativo para impedir a convocação de integrantes do primeiro escalão do governo e de políticos. Minoria, a oposição também não consegue se articular para emplacar requerimentos.
Marcado para a próxima quinta-feira, o quarto encontro do conselho terá, pela primeira vez, a oportunidade de ouvir um denunciante. Resta saber se os bate-bocas vão permitir que ele fale

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