Folha de São Paulo
Um casal agredido por torcedores do São Paulo na noite de quarta-feira (12) no Paraíso, zona sul de São Paulo, disse que os policiais militares que atenderam a ocorrência colocaram "obstáculos" para que as vítimas não registrassem um boletim de ocorrência. Uma das pessoas ficou ferida na barriga e nas costas.
As vítimas disseram à Folha que os PMs insinuaram que seria perigoso e desnecessário fazer um registro do caso porque todos teriam que ir ao a uma delegacia no mesmo carro e sair juntos de lá. Um dos policiais também teria dito que isso não adianta muita coisa. "Você não assiste na televisão quantos casos são registrados e não dão em nada?", disse o policial militar identificado como Faria.
Ele e outro PM --identificado como Martins--, ambos de uma base móvel da avenida Bernadino de Campos, região onde ocorreu a agressão, instruíram as vítimas a irem para casa.
CONFUSÃO
A jornalista Caroline Pinheiro, 26, disse que ela e o namorado foram agredidos após uma confusão iniciada por volta das 22h20, durante a final da Copa Sulamericana. "Eu e minha amiga pedimos para que homens que estavam no bar Joia do Paraíso ao lado do nosso parassem de soltar fogos. Eles se negaram e começaram a nos chamar de sapatão, imaginando que fossemos um casal."
Antes de sair, Pinheiro disse ter passado ao lado bar para anotar o número da placa do carro do suspeito para registrar um boletim de ocorrência, quando foi novamente insultada. Ela foi até o agressor e disse que chamaria a polícia, caso ele continuasse. Ele a xingou novamente e disse que não tinha medo de policiais. Aos gritos, jogou cerveja nos olhos dela.
De acordo com Pinheiro, o dono do bar, localizado na rua Correia Dias, 294, ao lado do estabelecimento onde ela estava com a amiga, pediu para que as vítimas fossem embora porque a polícia nunca iria lá. O dono do comércio também teria dito que ela estava errada e que, mesmo com a presença da PM, aquilo "não daria em nada".
A estudante ligou para o namorado dela para que ele fosse ao local. O rapaz foi cercado por homens que estavam no bar quando chegou. Com cadeiras, paus e pedras, os suspeitos ameaçaram matá-lo. O namorado de Pinheiro foi agredido, mas conseguiu fugir com a namorada e a amiga.
A Polícia Militar foi acionada e o suspeito foi detido. Segundo Pinheiro, os policiais disseram ter encontrado porções de cocaína no bolso da calça dele, mas o suspeito não apresentou documentos e, aparentemente, não foi encaminhado a uma delegacia.
As vítimas registraram um boletim de ocorrência na noite de ontem no 5º DP (Aclimação).
OUTRO LADO
Francisco Chagas, que se identificou como funcionário do bar, disse à Folha disse que ficou sabendo do caso, mas que não viu nada e que nada ocorreu dentro do bar. "Era dia de jogo e vi que tinham alguns caras soltando fogos na rua. Vi uma briga na rua, mas não fiz nada porque eu estava trabalhando e eles [homens] não estavam fazendo nada de errado", disse.
Em nota, a Polícia Militar disse ªque não compactua com a ilegalidade nem com desvios de conduta de seus integrantes, por isso solicita à leitora que entre em contato, o quanto antes, com a Corregedoria PM para que possam ser formalizada a queixa. As acusações formuladas por ela são graves e devem ser apuradas.
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