07/03/2013

51,8% da população tem vulnerabilidade social muito baixa



Pesquisa foi realizada pela Fundação Seade em 2010


Daniela Jacinto
daniela.jacinto@jcruzeiro.com.br



Mais da metade da população de Sorocaba leva uma vida de menor risco social, conforme aponta a pesquisa do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), realizada em 2010 pela Fundação Seade - Sistema Estadual de Análise de Dados. Conforme os dados, 51,8% dos sorocabanos tem grau de vulnerabilidade social muito baixo. Isso significa que em dez anos, o município saltou do Grupo 3, cujo grau de vulnerabilidade social era considerado baixo, para o Grupo 2 (muito baixo). A cidade ganhou em qualidade de vida e está melhor do que a média estadual, em que o grau de vulnerabilidade muito baixo é de 40,1%. Outra informação sobre o município é que aqui não foi registrado grau de vulnerabilidade muito alto, ao contrário do Estado, que apresenta índice de 4,4%. A pesquisa analisou a situação de pobreza, levando em conta não apenas a renda, mas também os diversos fatores determinantes como escolaridade, saúde, arranjo familiar, possibilidades de inserção no mercado de trabalho e acesso a bens e serviços públicos como abastecimento de água, rede de esgoto e coleta de lixo.

A maioria da população de Sorocaba, pertencente ao grupo de vulnerabilidade muito baixa (Grupo 2, como mostra o gráfico), é composta por 301.567 pessoas (51,8% do total). São em sua maioria moradores das regiões centro e sul da cidade. O rendimento nominal médio dos domicílios é de R$ 3.047 e em 7,7% deles a renda não ultrapassa meio salário mínimo per capita. Com relação aos indicadores demográficos, a idade média dos responsáveis pelos domicílios é de 50 anos e aqueles com menos de 30 anos representam 9,9%. Dentre as mulheres chefes de domicílios, 8,8% têm até 30 anos, e a parcela de crianças com menos de seis anos equivale a 6,2% do total da população desse grupo.

Para entender melhor os dados, o gráfico ainda apresenta outros grupos analisados. O Grupo 1, por exemplo, é de baixíssima vulnerabilidade e fazem parte dele 28.392 pessoas (4,9% do total). Corresponde à população de moradores cuja maioria está concentrada no extremo oeste de Sorocaba. Neste caso, o rendimento nominal médio dos domicílios é de R$ 7.414 e em 1,6% deles a renda não ultrapassa meio salário mínimo per capita. A idade média dos responsáveis pelos domicílios é de 48 anos e aqueles com menos de 30 anos representam 11,6%. Dentre as mulheres chefes de domicílios, 12,8% têm até 30 anos, e a parcela de crianças com menos de seis anos equivale a 6,3% do total da população desse grupo.

Já o Grupo 3 (formado em sua maioria por moradores do extremo norte da cidade) é composto por pessoas que vivem em um grau de vulnerabilidade baixa: 133.715 sorocabanos (23% do total). O rendimento nominal médio dos domicílios é de R$ 2.287 e em 13,2% deles a renda não ultrapassa meio salário mínimo per capita. A idade média dos responsáveis pelos domicílios é de 42 anos e aqueles com menos de 30 anos representam 20,7%. Dentre as mulheres chefes de domicílios, 22,2% têm até 30 anos, e a parcela de crianças com menos de seis anos equivale a 9,3% do total da população desse grupo.

No Grupo 4 (regiões norte, oeste e leste do setor urbano de Sorocaba) estão aqueles com vulnerabilidade média: 70.409 pessoas (12,1% do total). O rendimento nominal médio dos domicílios é de R$ 1.712 e em 21,8% deles a renda não ultrapassa meio salário mínimo per capita. A idade média dos responsáveis pelos domicílios é de 46 anos e aqueles com menos de 30 anos representam 13,3%. Dentre as mulheres chefes de domicílios, 9,7% têm até 30 anos, e a parcela de crianças com menos de seis anos equivale a 8,5% do total da população desse grupo.

Já o Grupo 5 (pequena parcela de moradores das regiões norte e oeste do setor urbano) é dos que vivem em vulnerabilidade alta: 48.342 pessoas (8,3% do total). O rendimento nominal médio dos domicílios é de R$ 1.448 e em 31,3% deles a renda não ultrapassa meio salário mínimo per capita. A idade média dos responsáveis pelos domicílios é de 42 anos e aqueles com menos de 30 anos representam 21,4%. Dentre as mulheres chefes de domicílios, 22,2% têm até 30 anos, e a parcela de crianças com menos de seis anos equivale a 10,5% do total da população desse grupo.

Comparativos

Em Sorocaba, na pesquisa de 2010, não foram registradas pessoas pertencentes ao grupo 6, com vulnerabilidade muito alta (situação de extrema pobreza e sem acesso a serviços públicos), ao contrário dos dados divulgados no ano 2000, em que a cidade apresentava índice de 5,7% da população, o que correspondia, na época, a 27.750 pessoas que viviam nessas condições. O rendimento médio dos responsáveis pelo domicílio era de R$ 360. Ainda em 2000, a maior parte da população 30,75% (150.511 pessoas) pertencia ao Grupo 3 (vulnerabilidade baixa), com rendimento médio dos responsáveis pelo domicílio de R$ 890. Em dez anos, o rendimento foi para R$ 2.860. 

Na recente pesquisa, de 2010, Sorocaba contava com 582.425 habitantes. A análise das condições de vida da população mostra que em 11,9% dos domicílios a renda não ultrapassa meio salário mínimo per capita. A idade média dos chefes de domicílios é de 47 anos e aqueles com menos de 30 anos representam 13,7% do total. Dentre as mulheres responsáveis pelo domicílio, 13,6% têm até 30 anos, e a parcela de crianças com menos de seis anos equivale a 7,6% do total da população.

Já em em 2000, o município estava com 490.136 habitantes. Com relação ao rendimento dos responsáveis pelos domicílios, 39,8% ganhavam no máximo três salários mínimos. A idade média dos chefes de domicílios era de 45 anos e aqueles com menos de 30 anos representavam 14,3% do total. As mulheres responsáveis pelo domicílio correspondiam a 23,2% e a parcela de crianças com menos de cinco anos equivalia a 8,7% do total da população.

Em comparação com municípios do mesmo porte, como Ribeirão Preto e São José dos Campos, a conclusão é que Sorocaba, nos últimos dez anos, conseguiu reduzir as diferenças sociais.

Em São José dos Campos, a população, em 2010, correspondia a 624.879 habitantes. Também naquele município a maioria dos moradores apresenta vulnerabilidade muito baixa (45,4%), porém há uma parcela maior no Grupo 1 (vulnerabilidade baixíssima, ou seja, melhores condições de vida): 6,1%. Na situação de vulnerabilidade alta está 7,8% da população e muito alta 1,1%. Em São José dos 
Campos também há um índice de 0,8% de alta vulnerabilidade nas regiões rurais.

Já em Ribeirão Preto, cidade com 599.002 habitantes, igualmente a maioria (48,4%) está no grau de vulnerabilidade muito baixo. Outra parcela da população, 14,1% apresenta vulnerabilidade baixíssima (nota-se aqui um número significativo de pessoas com melhores condições de vida), porém apresenta 2,1% de moradores vivendo com grau de vulnerabilidade muito alto.

Conforme a Fundação Seade, o objetivo da pesquisa é levar informações aos gestores públicos municipais, para que possam planejar suas ações a partir de um diagnóstico das comunidades mais vulneráveis das suas cidades.


vulne1

vulne2

Nenhum comentário:

Postar um comentário