De janeiro a junho, o valor devido foi R$ 53.490.007,70
Jornal Cruzeiro do Sul
André Moraes
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A inadimplência no comércio sorocabano teve uma alta de 6,47% no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2012. Segundo dados da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), o total de dívidas nesse setor da economia de Sorocaba chegou a R$ 53.490.007,70 entre janeiro e junho de 2013, ante R$ 50.239.449,63, valor registrado no ano passado. O presidente da Acso, Nilton da Silva César, analisa que isso mostra uma situação de preocupação na cidade, já que o aumento da inadimplência foi maior do que o crescimento nas vendas neste primeiro semestre, que foi de 5,3%.
A falta do pagamento das dívidas no comércio da cidade fez com que 200.561 pessoas tivessem seu nome registrado no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Esse número foi 2% maior do que no mesmo período de 2012, quando 196.611 pessoas ficaram com o nome sujo em Sorocaba.
De acordo com o presidente da Acso, todo esse cenário demonstra que o endividamento das famílias sorocabanas está elevado. "De modo que isso se reflete na deterioração dos dados relativos ao adimplemento das obrigações", relata. Porém, para o segundo semestre, César espera que essa situação tenha uma melhora, pois aposta que haverá uma retomada na geração de empregos da indústria, que poderá auxiliar no aumento da renda das pessoas. "Como esse segmento paga melhores salários, se isso ocorrer, a tendência é que a inadimplência recue no segundo semestre", considera.
Segundo o economista e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Renato Garcia, os dados de Sorocaba condizem com os registrados em todo o Brasil, sendo que ambos os casos são considerados como "preocupantes" por ele. "Desde que se iniciou a década de 2000, o governo fez uma política de liberar mais créditos, com juros menores, para estimular a economia. Então as pessoas passaram a consumir mais e, com isso, foi aumentando o nível de endividamento. Muitas pessoas que não tinham o perfil para fazer empréstimo, acabaram fazendo.
São pessoas que não têm uma condição de vida muito sustentável e fizeram empréstimo para comprar coisas que não são necessárias à sua condição de vida, como celulares de última geração. Então, acabaram ficando com uma dívida na mão", relata. Outro fator que ajuda no aumento do endividamento foram os empréstimos feitos para tentar pagar uma outra dívida, conforme diz o economista. "A pessoa começa a se endividar e tem que pagar juros, então como ela vai fazer isso? Portanto, acaba se endividando novo. Para pagar a dívida, ela vai a outro banco e acaba fazendo uma outra dívida. Essa é uma situação perigosa na economia", ressalta.
As dicas para evitar todas essa situações que podem tirar o sono de muitas pessoas são simples, de acordo com Garcia. "A pessoa tem que fazer um planejamento financeiro. Não precisa montar uma planilha complicada, basta a pessoa ver quanto ganha, para, então, não gastar mais do que isso", revela. Além disso, o professor da Uniso destaca a importância de se atentar à taxa de juros das transações financeiras.
"O problema é que muita gente não olha os juros, mas somente o valor da parcela", afirma. Outra coisa é verificar se realmente precisa comprar determinado produto, ou seja, se ele é mesmo indispensável. "Muita gente compra produtos supérfluos, por causa do marketing ou por desejo mesmo. Mas todos têm que ficar atentos se a sua condição financeira suporta aquele gasto", conclui.
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