247 - O ex-governador Tarso Genro (PT) avalia que o resultado das eleições deste ano para o seu partido não será tão negativo, como espera a direita. Mas evita otimismos. Ele diz ser "completamente equivocada" a decisão da direção nacional do PT de ainda permitir alianças com o PMDB em disputas municipais. Sobre a política nacional, ele diz que o cerco ao PT "não é motivado pela luta contra a corrupção, pois quem venceu, até agora, neste cerco, foi precisamente a corrupção".
Abaixo alguns dos trechos da entrevista de Genro ao El País:
"Não vamos sair tão mal como gostariam nossos adversários da direita, nem tão bem como pensam nossos companheiros mais otimistas"
"O cerco ao PT não é motivado pela luta contra a corrupção, pois quem venceu, até agora, neste cerco, foi precisamente a corrupção. É claro que condutas anti republicanas e ilegais de pessoas do PT ou aliadas do PT facilitaram esta chacina midiática e o cerco ao presidente Lula - sobre o qual até agora não se apresentou nenhuma prova conclusiva - é um complemento necessário para o cerco ao Partido. Mas o que está acontecendo no país visa somente estabilizar as necessidades do capital financeiro, cuja tranquilidade só é promovida com a garantia do pagamento da dívida pública com juros extorsivos, que são decididos pelos próprios credores. A montagem do Ministério do presidente em exercício e o novo líder do Governo na Câmara - um aliado incondicional de Eduardo Cunha, já réu em três ações penais no STF - mostra quem ganhou, até agora, a disputa política: foi o PMDB, foi Eduardo Cunha, foi a pior parte da política brasileira, a mais comprometida nos inquéritos e processos judiciais que tramitam hoje no país".
"Temos que buscar a formação de frentes políticas, pelo menos nas cidades mais importantes, que sejam mais consequentes com os ideários da esquerda, para inverter prioridades, aumentar os espaços de participação democrática da cidadania, atentar para as necessidades da juventude, criando uma cultura de paz e solidariedade. Acho que o Governo de Fernando Haddad é uma nova referência para nossas administrações de grandes cidades. Isso não se fará sem resgatar a identidade da esquerda, adequando-a aos novos tempos que vivemos e a um acordo permanente com os novos e novíssimos movimentos sociais"
Aqui a entrevista na íntegra.
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