
Vagner Freitas, presidente da CUT, diz que reportagem do programa Fantástico neste domingo 17, que destacou o "rombo da Previdência", "deixou claro que a TV Globo – e outros órgãos da mídia tradicional – vai continuar manipulando as informações para tentar justificar a retirada de direitos da classe trabalhadora"; o dirigente sindical afirma que o chamado "déficit" é um "mito" e que a emissora usou um dado errado sobre sonegação
18 DE JULHO DE 2016 ÀS 16:17 // RECEBA O 247 NO TELEGRAM 

247 – O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, publicou em seu blog um texto em que critica areportagem exibida neste domingo 17 pelo programa Fantástico, da TV Globo, sobre o "rombo da Previdência".
Para o dirigente sindical, a matéria "deixou claro que a TV Globo – e outros órgãos da mídia tradicional – vai continuar manipulando as informações para tentar justificar a retirada de direitos da classe trabalhadora". Freitas afirma que o chamado "déficit" é um "velho falso argumento" e também um "mito".
Ele aponta ainda que a TV Globo usou um número errado para demonstrar a sonegação de impostos previdenciários (R$ 26 bilhões), quando na verdade, de acordo com um estudo do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) indica que foi R$ 103 bilhões em 2015.
Leia abaixo o texto do presidente da CUT:
Fantástico faz malabarismo para tentar justificar reforma da Previdência SocialAté números errados o programa da TV Globo usou
O Fantástico exibiu neste domingo, 17, uma longa reportagem sobre o que eles chamaram de “rombo” da Previdência Social. A única coisa que a matéria deixou claro foi que a TV Globo – e outros órgãos da mídia tradicional – vai continuar manipulando as informações para tentar justificar a retirada de direitos da classe trabalhadora.
O interino Temer está discutindo o aumento da idade mínima para aposentadoria e redução do valor dos benefícios. A mídia, que faz o jogo do mercado, e as instituições financeiras, interessadas em vender planos de previdência privada, aprovam a medida.
Eles insistem no velho e falso argumento de que há déficit da Previdência e que, para equilibrar as contas, é preciso mudar as regras da aposentaria. Isso é um mito. A Constituição brasileira definiu três fontes de financiamento previdenciário: as contribuições de empregados, dos empregadores e a parte bancada pelo Tesouro Nacional. Essa terceira fonte legal de financiamento é sempre ignorada pelos defensores da reforma. Como eles tiram do cálculo os recursos provenientes do Tesouro, em 2015 ficou um rombo de R$ 85 bilhões. Isso está errado!
Além disso, legalmente não existe conta da Previdência separada do Orçamento da Seguridade Social, como expliquei recentemente nesse blog (aqui).
Outra balela é dizer que o Brasil é um dos poucos países que não tem idade mínima para aposentadoria. Desde 1998, a idade mínima para os/as trabalhadores/as urbanos se aposentar é de 65 anos para os homens e 60 anos no caso das mulheres com 60 anos. Isso, desde que tenham contribuído durante pelo menos 15 anos. Detalhe, cerca de 53% das aposentadorias concedidas no Brasil são por idade, dado que a matéria obviamente esconde.
A repórter ou a produção poderiam ter lido a cartilha do Sindicato dos Bancários de São Paulo (clique aqui), que explica de forma clara tudo sobre Previdência Social.
A matéria menosprezou a sonegação de impostos previdenciários e usou um dado errado – R$ 26 bilhões de sonegação. Estudo do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz) mostra que a sonegação da Previdência em 2015 foi de R$ 103 bilhões (clique aqui), valor mais do que suficiente para cobrir o suposto déficit.
A Previdência Social, patrimônio do povo brasileiro, é o maior programa social do país, inclui distribui renda, garantindo a sobrevivência de cerca de 90 milhões de pessoas, que consomem e geram renda para comércio, indústria e agricultura, fazendo a economia girar.
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