06/07/2016

Temer aconselhou Cunha a renunciar à presidência da Câmara


Deputado tem se mostrado preocupado com a mulher e filha


Depois de entregar na terça-feira um relatório lacrado
, o deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), relator do recurso de Cunha contra a decisão do Conselho de Ética, apresenta seu voto na CCJ nesta quarta-feira. A aposta entre aliados de Cunha é que o relatório de Fonseca deverá acatar pontos levantados pela defesa para tentar ajudar o presidente afastado.
Sem responder a perguntas, Fonseca disse que seu relatório tem 67 páginas e que optou por deixá-lo lacrado e só apresentá-lo nesta quarta por se tratar de um voto complexo. O suspense provocou brincadeiras de alguns colegas, que indagavam se Fonseca seria uma “Tia Eron de calças”, em referência à deputada que votou contra Cunha no Conselho de Ética e só revelou o seu voto na hora H.
Nesta quarta-feira, após a leitura, aliados de Cunha devem pedir vista, adiando a votação para a próxima semana. O presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), pretende votar o recurso na próxima terça-feira.
Gestos como o de Temer, de receber Cunha para conversar, e o do presidente da CCJ, de escolher Fonseca para relatar o recurso do presidente afastado da Câmara, foram vistos como “solidariedade silenciosa” a ele.
A votação na CCJ só deverá acontecer na próxima semana, e o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão, avisou que a votação em plenário do processo contra Cunha ficará para agosto, após o recesso branco.
Aliados de Cunha afirmaram que ele só deverá renunciar à presidência da Câmara se vencer na CCJ. Eles contabilizam que, mesmo depois de todas as trocas feitas por partidos do centrão na composição da comissão, têm entre 28 e 31 votos, número inferior aos 34 necessários para vencer e fazer com que o processo retorne ao Conselho de Ética. Adversários de Cunha duvidam que o presidente afastado consiga vencer e contabilizam pelo menos 37 votos contra o recurso.
Em outro front, investigações do Ministério Público indicam que Cunha pagou US$ 300 mil em propina para o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) a partir de desvios de contratos da Carioca Engenharia e de outras empresas financiadas com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O dinheiro teria sido depositado em conta do ex-ministro na Suíça no período em que ele era presidente da Câmara, e Cunha, o líder do PMDB.
(Colaboraram Isabel Braga, Leticia Fernandes e Jailton de Carvalho)


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