247 - A líder da Minoria na Câmara, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), definiu, nesta terça-feira (5), o conjunto de medidas já anunciadas pelo governo interino de Michel Temer como uma “tempestade neoliberal perfeita”.
Ao lado do líder da Minoria no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), com quem montou um grupo de acompanhamento integrado das "pautas golpistas" no Congresso Nacional, Jandira afirmou que há por parte de Temer três movimentos em curso que preocupam pelas "consequências nocivas ao país e para o povo".
Segundo ela, são eles: "1. A fala do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, de que já existe uma lista de privatizações preparada, o que vai colocar em risco o patrimônio público dos brasileiros; 2. A volta do regime de concessão para acabar com o regime de partilha do pré-sal, cujo projeto está para ser votado na Comissão Especial da Câmara que analisa o assunto; e, 3. A PEC 247, que impõe a inflação como referência para limitar os investimentos em Saúde e Educação".
“Temer está querendo legislar por 20 anos, ou seja, para cinco presidentes futuros além do dele, que é um governo ilegítimo e interino”, afirmou.
“É uma tempestade neoliberal perfeita, mas piorada, porque vem de um governo sem voto, portanto, que não presta contas para a população”, completou.
A líder da Minoria na Câmara mostrou preocupação também com as articulações para salvar o mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e com a possibilidade de retirada de urgência, por Temer, do pacote de medidas de combate à corrupção enviado por Dilma ao Congresso e que pode ficar parado sem a pressão que a urgência impõe para a votação.
“As manobras protelatórias na CCJ estão trazendo para nós dificuldades de caminhar no regimento da Casa. É um relatório lacrado, que ninguém conhece, só o presidente da Câmara [Waldir Maranhão]. Não marcou sessão hoje, mas amanhã e alguém pede vista, já joga para a semana que vem. Então dificulta trazer ao plenário o processo de cassação de Eduardo Cunha. São manobras que mostram que Cunha ainda tem articulação aqui dentro, como também tem muito com o governo”, disse.
Volta de Dilma
Lindbergh Farias, por sua vez, disse que a bandeira principal das lideranças das Minorias é a volta da presidente eleita Dilma Rousseff ao governo. Segundo ele, o déficit de R$ 170 bilhões do governo interino revela que as motivações do golpe não foram os gastos públicos.
“É preciso fazer oposição firme a esse governo. Afastaram a presidente Dilma por irresponsabilidade fiscal num ano em que ela fez o maior ajuste fiscal da história, em 2015, com Joaquim Levy. De R$ 80 bilhões”, lembrou. “E estamos vendo que esse era um discurso só para tirar a presidenta Dilma, porque essa meta fiscal de R$ 170 bilhões de Temer não se justifica”, frisou.
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