Contratados relatam jornadas além de 8h, falta de vale-refeição, vale-transporte menor que o acordado e alimentação inadequada em dia de faltas em Copacabana
Funcionários que trabalham nas lanchonetes da Arena de Vôlei de Praia, na Zona Sul do Rio de Janeiro, estão fazendo diversas reclamações, principalmente referentes às condições de trabalho enfrentadas por eles. Nesta segunda-feira, eles, que preferiram não se identificar, relataram problemas ao GloboEsporte.com. Por causa disso, houve quem não fosse trabalhar, causando transtorno no serviço aos torcedores.
Funcionários de lanchonetes têm reclamado das condições no vôlei de praia (Foto: Gabriel Fricke)
A empresa Food Team é o principal alvo das críticas. De acordo com os trabalhadores, a carga horária acordada, de 8h, não está sendo respeitada. Alguns relatam que trabalharam por até 14 horas e que foram informados de que receberiam, no máximo, o equivalente a 2h extras.
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Há relatos também de falta de alimentação adequada. Três funcionárias mostraram seus lanches ao GloboEsporte.com. É um pequeno kit montado com um suco de caixinha, um pão com manteiga e um bolinho de baunilha. Nada de almoço. Na realidade, eles disseram que, quando fecharam contrato, prometeram vale-refeição ou depósito em conta de um montante equivalente a R$ 20 por dia para que pudessem almoçar. Nada feito até agora, segundo as funcionárias ouvidas.
- Tem um refeitório apenas para Força Nacional e voluntários. Os bombeiros não podiam entrar, mas reclamaram e conseguiram. Nós não podemos. Eles não nos deixam entrar com a nossa própria comida. Dá para trabalhar até 12h com um suquinho, pão e um bolinho? Minha mãe hoje fez um bolo e enrolei em papel celofane para não morrer de fome aqui. Escondi dentro da bolsa e disse que era o tênis. Daqui a pouco terei que ir lá fora e pagar meu próprio almoço. Isso é um absurdo - falou uma funcionária.
Há relatos também de falta de alimentação adequada. Três funcionárias mostraram seus lanches ao GloboEsporte.com. É um pequeno kit montado com um suco de caixinha, um pão com manteiga e um bolinho de baunilha. Nada de almoço. Na realidade, eles disseram que, quando fecharam contrato, prometeram vale-refeição ou depósito em conta de um montante equivalente a R$ 20 por dia para que pudessem almoçar. Nada feito até agora, segundo as funcionárias ouvidas.
- Tem um refeitório apenas para Força Nacional e voluntários. Os bombeiros não podiam entrar, mas reclamaram e conseguiram. Nós não podemos. Eles não nos deixam entrar com a nossa própria comida. Dá para trabalhar até 12h com um suquinho, pão e um bolinho? Minha mãe hoje fez um bolo e enrolei em papel celofane para não morrer de fome aqui. Escondi dentro da bolsa e disse que era o tênis. Daqui a pouco terei que ir lá fora e pagar meu próprio almoço. Isso é um absurdo - falou uma funcionária.
Sanduíche recebido pelos funcionários da Arena (Foto: Lucas Barros)+ Tudo sobre a Olimpíada em Tempo Real
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- Hoje tive que pegar escondido um salgado, porque eu ia morrer de fome. Deixaram um bebedouro do outro lado da Arena, que nem era para a gente. Aqui só nos liberaram de pegar duas garrafas d'água por dia - acrescentou uma outra.
- O horário é igual Buzz Lightyear (personagem do filme "Toy Story"), porque é "ao infinito e além" (bordão que ele utilizava). Entrei 7h, tinha que sair 15h. Nunca acontece. Eu estou designada para o vôlei de praia. Me ligaram do nada ontem e me mandaram ir para o Parque Olímpico - completou uma caixa, lembrando também que todos receberam um cartão de vale-transporte, mas também com problemas.
- A passagem não está vindo completa. Me puseram 200 reais para todos os dias da Olimpíada. A empresa está depositando um valor para cada funcionário. Uma outra menina ganhou R$ 130. Outra recebeu só R$ 150 - reclamou.
Cadê o pão de queijo? Faltam alimentos na Arena de Vôlei de Praia (Foto: Gabriel Fricke)
Eles dizem ainda ter recebido da empresa uma orientação de não levar bolsas para a Arena de Vôlei de Praia sob a explicação de não haver espaço para armazenamento. Revoltados com esses problemas, alguns funcionários decidiram não nesta segunda-feira. Ou seja, as equipes estão desfalcadas.
- O salário é de R$ 1,2 mil para caixas, que vêm de azul. Atendentes, de laranja, recebem R$ 1,3 mil. Mas estamos acumulando funções. O meu contrato começou no dia 3 de agosto e termina dia 18. Os gerentes, que usam amarelo, estão trabalhando ainda mais que nós. Alguns estão revoltados e já estão pedindo para trocar de cor e pegar outras funções, porque não compensa para eles - explicou uma atendente, falando ainda que esses salários só serão depositados a partir do dia 30 de agosto.
Além disso, os funcionários reclamaram da biometria. Alguns não têm conseguido bater seu ponto na entrada e na saída. Quando conseguem, não sai o comprovante de horário. Eles informaram que trabalhadores que ficam na porta de entrada dizem que estão anotando os nomes e horários para que as horas sejam computadas posteriormente.
Um outro problema enfrentado pelos trabalhadores é em relação aos uniformes. Eles alegam ter recebido apenas as camisetas com as cores correspondentes ao seu cargo e bonés. Inicialmente, prometeram calças e tênis pretos. Segundo os trabalhadores, a empresa não entregou nada e alegou que só entraria quem estivesse dessa forma.
- Gastei R$ 70 nesse sapato aqui que não tem marca, porque uma menina daqui pegou um tênis dela da Nike e mandaram cobrir com fita preta. Eu tive que comprar essa calça legging preta aqui - explicou uma das meninas.
- O salário é de R$ 1,2 mil para caixas, que vêm de azul. Atendentes, de laranja, recebem R$ 1,3 mil. Mas estamos acumulando funções. O meu contrato começou no dia 3 de agosto e termina dia 18. Os gerentes, que usam amarelo, estão trabalhando ainda mais que nós. Alguns estão revoltados e já estão pedindo para trocar de cor e pegar outras funções, porque não compensa para eles - explicou uma atendente, falando ainda que esses salários só serão depositados a partir do dia 30 de agosto.
Além disso, os funcionários reclamaram da biometria. Alguns não têm conseguido bater seu ponto na entrada e na saída. Quando conseguem, não sai o comprovante de horário. Eles informaram que trabalhadores que ficam na porta de entrada dizem que estão anotando os nomes e horários para que as horas sejam computadas posteriormente.
Um outro problema enfrentado pelos trabalhadores é em relação aos uniformes. Eles alegam ter recebido apenas as camisetas com as cores correspondentes ao seu cargo e bonés. Inicialmente, prometeram calças e tênis pretos. Segundo os trabalhadores, a empresa não entregou nada e alegou que só entraria quem estivesse dessa forma.
- Gastei R$ 70 nesse sapato aqui que não tem marca, porque uma menina daqui pegou um tênis dela da Nike e mandaram cobrir com fita preta. Eu tive que comprar essa calça legging preta aqui - explicou uma das meninas.
Funcionários sem cobertura sofrem debaixo de sol (Foto: Lucas Barros)
Os funcionários das lanchonetes atentaram ainda para a situação dos trabalhadores de quiosques separados. Um deles, vende apenas refrigerante. O outro, cerveja. Os postos de trabalho não têm cobertura, portanto, eles ficam horas e horas direto debaixo de sol. A atendente do quiosque de cerveja, por exemplo, estava acumulando função de receber os pagamentos e ainda servir a bebida.
Procurado pelo GloboEsporte.com, o Comitê Rio 2016 foi informado dos problemas, mas ainda não se posicionou até a publicação desta reportagem. A Food Team emitiu uma nota oficial dizendo que "a empresa é formada por quatro grupos com ampla experiência na área de alimentação e atendeu a todos os critérios técnicos solicitados na concorrência para a prestação desse serviço durante os Jogos Olímpicos". O comunicado afirma ainda que "a Food Team é apenas uma das fornecedoras do evento. A empresa reitera ainda que está empenhada, juntamente com o Comitê Rio 2016, em solucionar todos os problemas operacionais de sua responsabilidade".
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PÚBLICO RECLAMA DE FALTA DE COPOS DE BRINDE E ALIMENTOS
Empresário mostrando o copo plástico que veio com a cerveja em Copacabana (Foto: Gabriel Fricke)
Nem só dos funcionários vieram as reclamações na Arena de Vôlei de Praia. O empresário Luis Garbelini, de 50 anos, esteve nesta segunda-feira para acompanhar a sessão da tarde e se estressou com um problema que encontrou em uma das lanchonetes. A cervejaria que patrocina a Olimpíada lançou uma coleção de copos de brinde de cada esporte, e os fãs estão aproveitando para colecionar como lembrança. Na instalação de Copacabana, estava complicado encontrar um, e a solução dos funcionários, de mãos atadas, foi colocar a cerveja, que custa R$ 13 reais, nos recipientes em que são servidos os refrigerantes.
- A empresa vende o pacote: a cerveja e o brinde. Não faria sentido custar R$ 13 se fosse nesse copo de plástico. Estamos colecionando, e o que justifica esse preço é essa lembrança. Tentamos trocar em outros pontos que têm lanchonetes aqui dentro, mas não conseguimos, alegaram que não tinha. E ninguém faz nada - lamentou o empresário.
Só depois que a reportagem do GloboEsporte.com chegou ao local que uma das gerentes conseguiu arrumar, em outra lanchonete, o copo de brinde para o empresário. De acordo com uma funcionária, a cervejaria Skol preocupou-se apenas com a quantidade de cerveja e não fez a reposição correta do recipiente promocional.
- A empresa vende o pacote: a cerveja e o brinde. Não faria sentido custar R$ 13 se fosse nesse copo de plástico. Estamos colecionando, e o que justifica esse preço é essa lembrança. Tentamos trocar em outros pontos que têm lanchonetes aqui dentro, mas não conseguimos, alegaram que não tinha. E ninguém faz nada - lamentou o empresário.
Só depois que a reportagem do GloboEsporte.com chegou ao local que uma das gerentes conseguiu arrumar, em outra lanchonete, o copo de brinde para o empresário. De acordo com uma funcionária, a cervejaria Skol preocupou-se apenas com a quantidade de cerveja e não fez a reposição correta do recipiente promocional.
Procurada, a Skol afirmou que quem controla a distribuição desses copos nas arenas olímpicas é justamente a Food Team, alvo das críticas dos funcionários da lanchonete. A empresa faz o pedido à cervejaria, que entrega os brindes. Após saber do problema, a Skol pediu um posicionamento da prestadora ligada ao Comitê Rio 2016 para saber o motivo pelo qual as lanchonetes não estão sendo abastecidas corretamente, já que os pedidos estão sendo entregues.
Torcedora mostrando o copo de brinde que eles colecionam (Foto: Gabriel Fricke)De acordo com os trabalhadores, alguns alimentos estão faltando. A reportagem do GloboEsporte.com encontrou apenas salgados fritos no local. Mas, no cardápio, são oferecidos outros lanches, como pães de queijo.
- O pessoal chega cedo e compra logo um monte de tíquetes de pão de queijo, salgado, tudo para não ter que enfrentar fila de novo. Mas aí voltam e não encontram mais o que compraram. Não tenho autorização para isso, mas tive que oferecer um salgado frito no lugar de um pão de queijo, porque não tinha mais. Ia fazer o quê? - indagou.
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