247, com Revista Fórum - O boletim de ocorrência assinado pelo delegado Fabiano Fonseca Barbeiro que descreve os supostos “crimes” praticados pelos jovens detidos próximo ao Centro Cultural São Paulo, antes mesmo da manifestação contra Michel Temer em São Paulo no último domingo 5, mostra o motivo pelo qual o juiz da audiência de custódia afirmou que “vivemos dias tristes para a democracia”.
Isso porque, em meio a toda a descrição do que teria sido apreendido com aqueles manifestantes, não há sequer um crime que tenha sido praticado, se limitando somente aos crimes que poderiam vir a ocorrer, baseado em uma “denúncia anônima”.
De acordo com o B.O., os jovens foram detidos por suposta “associação criminosa” e “corrupção de menores”, já que havia menores no grupo. O crime, que ainda não havia sido cometido, seria o de planejar “agressões e dano ao patrimônio privado”.
Os indícios? Estarem reunidos em grupo, com roupas pretas, objetos como máscara de gás e kits de primeiros socorros (utilizados até mesmo por jornalistas para amenizar os efeitos dos ataques da PM), além de pedras e pedaços de pau – que os manifestantes negam a posse mas, mesmo que a tivessem, não haviam cometido nenhum desses crimes listados.
A associação da situação com o filme de ficção científica estrelado por Tom Cruise, em que paranormais são capazes de prever o futuro e antecipar os crimes, foi feita pelo advogado Marcelo Feller, que defende cinco dos detidos. "Ninguém foi pego depredando nada", disse ele.
Feller disse ter sido informado pela polícia de que o grupo foi preso porque iria cometer crimes. "Fico bastante preocupado de ter autoridades públicas que se julgam na competência de prever o que vai acontecer e poder prender as pessoas com base em previsões".
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