04/09/2016

São Roque: PEC 241/2016 reduzirá despesas em R$ 647 milhões em 10 anos.








Em 15 de junho, Michel Temer (PMDB-SP) enviou à Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241/2016.
Ela estabelece o teto da despesa pública federal por 20 anos. E, pelo acordo com os governadores, a proposta deve valer para Estados e provavelmente para Municípios.
Resultado: em 10 anos da PEC do governo Temer cortará da Educação e Saúde de R$ 463 bilhões (se for apenas para o plano federal) a R$ 1 trilhão (se estenda a estados e municípios).
Esta analise é corroborada pelo estudo do professor Daniel Arias Vazquez, da Unifesp, que aponta que “os resultados mostram que uma perda estimada de R$ 3,2 trilhões (-37%), que deixariam de ser aplicados na área social entre os anos de 2003 e 2015, o que demonstra os efeitos perversos desta proposta para o financiamento da política social no Brasil” ( http://plataformapoliticasocial.com.br/artigo-36-o-plano-temer-meireles-contra-o-povo-o-desmonte-social-proposto-pela-pec-241/).
Este blog fez uma simulação do impacto desta proposta,  com dados dos relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal,  entre 2005  2015. Em 10 anos,  as perdas para o município de São Roque seria de  R$ 647 milhões, assim distribuídas R$ 273 milhões da Educação, R$ 99, 6 milhões na Saúde, R$ 112 milhões em urbanismo, R$ 7,9 milhões na assistência social e  quase R$ 6,4 milhões na cultura. A função urbanismo concentra as obras de infraestrutura urbana e os serviços urbanos, como o lixo, que seriam seriamente afetadas fortemente.
Os próximos prefeitos sendo aprovada esta proposta podem ter sua gestão inviabilizada ou ampliar em muito a dificuldade de garantir serviços a população.
Como vemos, como o passar dos anos os efeitos desta proposta levarão a destruição do colchão social construídos nos últimos 60 anos.Isto sem falar nos ataques aos direitos trabalhistas e na ampliação da terceirização da mão de obra.
O Conselho Federal da Economia aponta, em nota, que a proposta de emenda a Constituição PEC 241/2016 apresenta metodologia equivocada, visto que o mais correto “seria ancorar o crescimento da despesa à variação do PIB nominal”. Além disto, apontam que esta proposta não apresenta um teto para os juros e apenas para cortas despesas. Esta política ainda aumentará a desigualdade social.
Ademais, há também uma proposta de lei que flexibiliza a participação da Petrobras nos investimentos do pré-sal, trazendo cortes ainda mais severos (R$ 480 bi) nos orçamentos da Saúde e da Educação. É fácil prever o que acontecerá: mais filas em hospitais, mortes sem atendimento, escolas em condições precárias, professores e funcionários da Saúde e Educação desmotivados pelos baixos salários.
Tabela1-Perdas acumuladas em 10 anos em São Roque.

perdas acumuladas
perdas PEC 241
2005-2015
SAÚDE
99.585.439
EDUCAÇÃO
273.616.176
CULTURA
6.381.654
Urbanismo
112.028.885
ASSISTÊNCIA SOCIAL
7.870.544
total
647.006.271

Teto para as despesas mas não  para os   Juros:

O governo Temer diz que a PEC 241/2016 é necessária para reduzir a relação entre dívida bruta e PIB.
Para isso, pretende reduzir de forma draconiana os direitos e e conquistas sociais, fazendo cortes orçamentários profundos.
Curiosamente, a proposta do governo usurpador não menciona um teto para os juros.
Ele não aplica aos juros a mesma lógica de corrigi-los pela inflação. Ou a fixação em lei de teto para a taxa Selic ao longo dos próximos 20 anos.
Cada 1% de juros equivale a R$ 10 bilhões! Portanto, se os juros fossem cortados, poderíamos aumentar os recursos para Educação e Saúde.
Traduzindo.
Hoje a taxa Selic está em 14,25% e a inflação de 12 meses em 9,32%.
Ou seja, os juros estão acima da inflação em quase 5%.
Esses 5% representam R$ 50 bilhões; é quase a metade do que o governo federal aplica em Saúde e Educação por ano.
Daí, fica uma pergunta: Cadê o teto para os juros?
A omissão do teto para os juros já mostra que são os rentistas e os ricos que ganharão com a PEC do Temer, ao passo que os trabalhadores perderão direitos e qualidade de vida.
A situação torna-se ainda mais dramática, considerando que:
1) A PEC do Temer vai precarizar fortemente os serviços públicos essenciais no meio da maior crise do sistema capitalista, que infelizmente está se aprofundando.
2) Muitos abandonarão os planos privados de saúde privado, pois não terão como pagar. Assim, terão que recorrer ao SUS, que, por sua vez, está sendo deliberadamente desmontado pelo governo Temer.
O mesmo ocorrerá no sistema público de Educação.

Ou seja, o governo Temer representará um tchau para o colchão de políticas pela inclusão social e econômica.

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