247 - A página oficial do Ministério da Educação na internet desconsidera a opinião de educadores e de especialistas em educação contrários à proposta de reforma do ensino médio apresentada pelo ministro Mendonça Filho. Em aba destinada a expor opiniões sobre a Medida Provisória que trata do tema, só constam duas entrevistas do próprio ministro (para o blog do Josias e para o programa de Miriam Leitão na GloboNews), uma coluna da jornalista Eliane Catanhêde, um editorial de O Globo e dois artigos (do Blog do Noblat e de Ana Maria Diniz) que defendem a proposta do Ministério.
Na última segunda-feira (3), o jornal O Globo, quando publicou o editorial destacado pela página oficial do Ministério da Educação, também publicou artigo da presidente da OAB Mulher-RJ, Daniela Gusmão Santa Cruz, intitulado "Grave Retrocesso", com duras críticas à reforma do ensino médio proposta pelo governo Michel Temer. O colunista de educação de O Globo, Antônio Góis, também publicou dois artigos recentes, com algumas críticas ao projeto.
Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o antigo defensor da necessidade urgente de se reformular e flexibilizar o currículo do ensino médio - além de interlocutor frequente da atual gestão do Ministério da Educação -, o diretor de inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves, apontou falhas nas estratégias do governo para tirar as medidas do papel. Na pressa de garantir que a reforma ganhasse espaço entre as prioridades do Congresso ainda em 2016, o MEC errou, na visão de Mozart, ao fazer a mudança no estilo "de cima para baixo", sem abrir espaço para que a sociedade tivesse tempo para entender as propostas, tirar dúvidas e dar contribuições. "Se o MEC ainda tinha dúvidas, não deveria ter lançado [a reforma]", afirmou, em entrevista ao Valor.
O jornal Folha de São Paulo também trouxe editorial, no dia 26 de setembro em, que diz que "a reforma do ensino médio do governo de Michel Temer (PMDB) não apresenta inovações essenciais em relação a planos e diretrizes legais para a educação". Também defendeu que "tudo somado, a medida baseia-se em debates faz anos em curso no Brasil. Parece uma versão enxuta da reforma que estava em tramitação. Ainda assim, valer-se de medida provisória para assunto tão delicado constitui ato no mínimo antipedagógico, se não inconstitucional, e causador de instabilidade nas escolas, pelo açodamento".
Outros jornais, além de educadores, especialistas no tema, ex-ministros e trabalhadores em educação também criticaram a proposta apresentada pelo ministro Mendonça Filho. Entretanto, o Ministério da Educação decidiu considerar apenas as opiniões que ressaltam que "o Educação Mendonça Filho agiu de forma corajosa", ou que clamam a reforma como "uma necessidade. "
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