Ex-presidente do PT e ministro da Justiça, da Educação, e de
Relações Institucionais durante o governo Lula, Tarso Genro afirmou em
entrevista que o partido precisa se reinventar; Tarso defende a
refundação do PT, sem hegemonia automática e afirma que houve o fim de
um ciclo; "Este é o momento para impulsionar a formação de uma nova
Frente, na qual o PT não tenha necessariamente a hegemonia automática,
pois temos que reconhecer que o PT só pode mudar para melhor se
reformar-se de fora para dentro, dialogando com todas as forças
políticas democráticas", afirmou"Este é o momento para impulsionar a formação de uma nova Frente, na qual o PT não tenha necessariamente a hegemonia automática, pois temos que reconhecer que o PT só pode mudar para melhor se reformar-se de fora para dentro, dialogando com todas as forças políticas democráticas, que se opõem ao projeto neoliberal de desconstituição das funções públicas do Estado, e com as forças que estão à nossa “esquerda”, tanto os novos como os novíssimos movimentos sociais em rede ou fora delas", disse em entrevista ao jornal O Globo.
"Isso não significa negar as grandes conquistas para as quais o PT foi fundamental para forjar nos últimos dez anos, pelo menos. Significa compreender que se esgota um ciclo e que precisamos nos reinventar, em termos programáticos e organizativos, para enfrentarmos um novo tempo, de reação política, de conservadorismo econômico e de integração submissa do país, na nova ordem mundial do capital financeiro, que está sendo vitoriosa em todo mundo, com as suas “reformas”. É um tempo também de decadência da democracia representativa e de desgaste das suas instituições. É um tempo de um duplo e complexo movimento de “criminalização da política” e de “politização da criminalidade”, no qual vão emergir explosões anárquicas de radicalidade e violência em todo o mundo, e, especialmente nos países onde as classes populares, tendo pouco a perder, saem diretamente da pobreza para miséria absoluta.
Questionado sobre como o PT vai recuperar o prestígio com os eleitores, Tarso afirmou:
"Se o PT vai se recuperar como partido de maior prestígio popular ou não é cedo para dizer. Mas o que é certo é que, se não mudarmos muito, em breve ele sairá desta crise bem menor do que entrou. E a sua grandeza, que ainda existe em potência, será substituída por uma fisionomia lamentável: mais um partido tradicional no mercado dos votos."
Na entrevista, Tarso Genro criticou ainda diversas ações do partido e afirmou que a derrota nas eleições municipais aconteceu pela incapacidade de dar um rumo mais coerente ao governo Dilma.

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