05/01/2017

Escola chama uso de saias e shorts curtos por meninas de 'atitude abusiva'







Colégio Universitas, em Santos, causou revolta nas redes ao enviar carta em que orienta alunas a usar, além da camiseta da instituição, apenas calça ou bermuda


SANTOS - Uma escola particular de educação infantil e ensino fundamental em Santos, no litoral sul de São Paulo, enviou carta nesta semana a pais e alunos na qual estabelece que o uso de saias e shorts "extremamente curtos" representa uma "atitude abusiva, sobretudo por parte das meninas", e orienta as estudantes a usar, além da camiseta da instituição, apenas calça ou bermuda. O documento não cita especificações direcionadas aos meninos.

Foto: Colégio Universitas/Divulgação
Escola chama uso de saias e shorts curtos por meninas de
O Colégio Universitas se localiza no bairro da Ponta da Praia, em Santos, no litoral sul de São Paulo
A atitude do Colégio Universitas, no bairro da Ponta da Praia, provocou reações, principalmente nas redes sociais. "Essa proibição não combina com o perfil da escola. Talvez ela não seja mais a mesma", publicou uma aluna.
"Meninas não têm o direito de se sentirem confortáveis com elas mesmas dentro do ambiente em que eu mais aprendi e me desenvolvi. Os meninos podem ir de bermuda, óbvio, pois não são objetos", destacou outra estudante.

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Em nota assinada pelo professor coordenador pedagógico da escola, Vincenzo Bongiovanni, o colégio afirma que, "diante das colocações feitas em um texto postado nas redes sociais, no que se refere à posição do Universitas sobre o uso do uniforme escolar, em especial, aos shorts e às bermudas, o colégio esclarece que o único item obrigatório é a camiseta com o logotipo da escola".
"No que diz respeito à concepção educacional, o Universitas tem trabalhado há 37 anos por meio de práticas democráticas, nas quais valorizamos a construção da autonomia, da tolerância e do respeito frente à diversidade que marca a fase da juventude. Estamos sempre atentos às transformações da sociedade, respeitamos e procuramos sempre atualizar nossas formas de trabalho. Entendemos que a sociedade ainda trata mulheres com diferença e, em muitos momentos, como objeto de consumo. No entanto, tem sido nossa missão combater esse pensamento e essa prática", conclui a nota.

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