17/01/2017

MST OCUPA FAZENDA DE EX-PREFEITO DE MONTES CLAROS ACUSADO DE CORRUPÇÃO

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Fotos de Geanini Hackbardt/MST
A Fazenda Norte América, de 3mil hectares, foi ocupada nessa madrugada, 16|01, por 150 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. A área é improdutiva e há indícios de que era utilizada pelo ex-prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Muniz (PSB), e seus sócios, para lavagem de dinheiro.
A fazenda possui uma dívida bancária milionária, foi arrematada pelo grupo Soebrás (Sociedade de Educativa do Brasil), porém nunca foi paga. A Soebrás seria uma das várias entidades filantrópicas utilizadas por Ruy Muniz para desviar recursos federais e da prefeitura de Montes Claros. Por tais desvios, o ex-prefeito foi detido em setembro de 2016, assim como seus sócios. Entre eles, Leonardo Andrade, que ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente e Agricultura na prefeitura.
Leonardo é conhecido como proprietário da área e, durante a ocupação, uma senhora que se identificou como sua mãe foi encontrada na casa sede. Empregados da fazenda afirmaram obedecer ordens de Leonardo e não possuir carteira assinada, mesmo após nove anos de trabalho.
Latifundiário, corrupto e golpista
Ruy Muniz foi preso em 2016 no dia seguinte à votação do impeachment da presidente Dilma Roussef na Câmara dos Deputados. Na ocasião, sua mulher Raquel Muniz, deputada do PSC, dedicou o voto à integridade moral do marido afirmando que “o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão. Por isso eu voto sim, sim, sim”. Atualmente ele responde a processo sob acusação de estelionato, falsidade ideológica, prevaricação e desvio e|ou apropriação de recursos públicos.
Muniz responde a inúmeros casos de desvio de recursos públicos utilizando entidades filantrópicas. Em 1987 cumpriu pena por dar golpe num banco público e, atualmente, responde por reter as verbas destinadas ao SUS em Montes Claros para precarizar o atendimento público de saúde e beneficiar seu hospital particular.
Outro caso é de desvio de gasolina da Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização (Esurb), com um rombo estimado em mais de R$ 20 milhões, dinheiro que seria usado para pagar as prestações da mansão da família Muniz. Para possibilitar o esquema, Leonardo Andrade e Cristiano Júnior foram nomeados em cargos estratégicos na administração municipal. Ambos são apontados como “laranjas”, de Muniz, figurando como sócios do “conglomerado empresarial”.
De acordo com investigação do Ministério Público, o grupo do ex-prefeito e da deputada soma 146 pessoas jurídicas são acusadas de sugar milhões dos recursos públicos há anos, por meio das chamadas entidades filantrópicas.
Muniz adquiriu do Grupo Bel, há um ano, o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, onde demitiu cerca de 30 jornalistas sem pagar as verbas rescisórias e os demais direitos dos trabalhadores. Por isso o Sindicato dos Jornalistas, e vários jornalistas, estão com ações na Justiça do Trabalho contra o empresário, que já foi deputado estadual. O mesmo ocorre com o Sindicato dos Professores, que tem cerca de mil ações na Justiça contra o ex-prefeito derrotado em outubro do ano passado.

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