O início de ano costuma ser propício para a avaliação
dos acontecimentos dos últimos 12 meses. Quando se leva em conta que o período
finalizado também coincide com o término da gestão pública do governo
municipal, faz-se necessário um breve olhar para se examinar alguns fatos
marcantes dos derradeiros 4 anos na cidade de São Roque.
Diversos fatos despertam a atenção quando direcionamos
nossa lupa para o último quadriênio são-roquense, entre eles, os desastres
naturais, o não cumprimento das promessas políticas, a horrenda gestão pública
na área da saúde, as manifestações contra o Instituto Royal, a violência contra
a mulher, a desativação da cadeia, os falsos médicos, etc.
Outro aspecto que se destacou nesses últimos 4 anos foi
a realização de vários protestos, manifestações e greves na Terra do Vinho.
Nunca dantes em São Roque assistiu-se, em um período tão curto, uma quantidade
de ações sociais diretas.
No final do primeiro semestre de 2013, jovens
são-roquenses lideraram protestos contra o aumento no preço da passagem de
ônibus. O fato não foi bem digerido pelas autoridades locais e em uma
manifestação pacífica no dia da inauguração da reforma da ponte da Avenida
Brasil com a Marginal (Avenida Antonino Dias Bastos), membros da equipe do então
prefeito agrediram os manifestantes. Esse lamentável episódio uniu ainda mais
os jovens e no contexto dos Protestos de Junho realizou-se uma das maiores
manifestações de rua da cidade, reunindo mais de 2.000 cidadãos na contestação da
qualidade nos serviços públicos, redução no preço da passagem de ônibus e
reforma política.
Na esteira dos protestos contra os maus tratos dos
animais no Instituto Royal, em agosto de 2014 manifestantes protestaram contra
a utilização de animais na tradicional “Festa de Agosto” de São Roque. A
contestação não foi bem assimilada por alguns participantes e organizadores da
festa e os ativistas foram rechaçados.
Após intervenção municipal e a acusação de contratação
de pessoas não habilitadas para exercer a função de médico na Santa Casa de
Misericórdia de São Roque, profissionais da saúde realizaram, em 2015 e 2016,
diversos protestos contra a falta de médicos, tentativa de fechamento da
maternidade, atraso salarial e demissões em massa. A título de ilustração, no
final de 2015, mais de 300 servidores realizaram um “abraçaço” na instituição
contestando o encerramento das atividades da maternidade.
No dia 13 de março de 2016, 50 são-roquenses fizeram
coro ao protestar contra o governo Dilma Rousseff e exigir mudanças profundas
na política do país. Esse grupo, composto principalmente por adultos e idosos,
somou-se aos 2 milhões de brasileiros que saíram às ruas exigindo o impeachment
da então presidente da república.
O primeiro semestre de 2016 também assistiu a maior
greve dos funcionários públicos municipais. No final de março, mais de 1.000
servidores da prefeitura de São Roque cruzaram os braços e saíram às ruas para
exigir reajuste salarial. Além de circular pelas principais vicinais do centro
da cidade, o movimento parou a agitada Rodovia Raposo Tavares.
No segundo semestre desse mesmo ano, os estudantes e
servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo,
campus São Roque chamaram a atenção dos moradores locais e da imprensa regional
quando tomaram as ruas da cidade para protestar contra as medidas do governo
federal, especialmente a PEC 241 (Proposta de Emenda à Constituição
caracterizada pelo congelamento dos gastos públicos, principalmente nas áreas
de Educação, Saúde, Assistência Social e Segurança) e a reforma do Ensino
Médio. Mais de 300 cidadãos protestaram, de maneira pacífica, pelas ruas da
cidade. No mês de novembro, alguns estudantes dessa instituição ocuparam o
campus contra as mesmas medidas do governo federal.
Os protestos realizados em São Roque no último
quadriênio apresentaram diversas causas e diferentes características: aumento
da passagem de ônibus, maus tratos dos animais, qualidade do serviço público,
reajuste salarial, redução de verba para Educação e Saúde, etc. A lição deixada
indica que os cidadãos são-roquenses sairão às ruas quando estiverem
descontentes com os mandos e desmandos das autoridades brasileiras. Até mesmo
porque, em um regime democrático, de tempos em tempos a política precisa ser
irrigada por uma injeção forte de vida para lembrar os governantes que a
política é um mero meio para se estabelecer uma vida melhor para todos, e não
um fim.
Portanto, no momento de crise das instituições políticas
tradicionais e consequente descrença nos representantes públicos, a população são-roquense
encontrou nas ações sociais diretas uma forma para demonstrar a sua
insatisfação e pressionar os governos nacional e local
Dessa forma, a gestão que inicia as suas atividades
precisa estar ciente que, caso não desenvolva uma boa administração,
possivelmente não será poupada dessa nova característica da sociedade
são-roquense, ocupar as ruas.
Rogério de Souza Silva, professor do IFSP.
Links de alguns atos:
Links de alguns atos:
Links: https://www.youtube.com/watch?v=dzrE8Ajiv4I (proteto em 2013- Tarifa de ônibus)



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