15/01/2017

São Roque e os protestos sociais




O início de ano costuma ser propício para a avaliação dos acontecimentos dos últimos 12 meses. Quando se leva em conta que o período finalizado também coincide com o término da gestão pública do governo municipal, faz-se necessário um breve olhar para se examinar alguns fatos marcantes dos derradeiros 4 anos na cidade de São Roque.
Diversos fatos despertam a atenção quando direcionamos nossa lupa para o último quadriênio são-roquense, entre eles, os desastres naturais, o não cumprimento das promessas políticas, a horrenda gestão pública na área da saúde, as manifestações contra o Instituto Royal, a violência contra a mulher, a desativação da cadeia, os falsos médicos, etc.
Outro aspecto que se destacou nesses últimos 4 anos foi a realização de vários protestos, manifestações e greves na Terra do Vinho. Nunca dantes em São Roque assistiu-se, em um período tão curto, uma quantidade de ações sociais diretas.
No final do primeiro semestre de 2013, jovens são-roquenses lideraram protestos contra o aumento no preço da passagem de ônibus. O fato não foi bem digerido pelas autoridades locais e em uma manifestação pacífica no dia da inauguração da reforma da ponte da Avenida Brasil com a Marginal (Avenida Antonino Dias Bastos), membros da equipe do então prefeito agrediram os manifestantes. Esse lamentável episódio uniu ainda mais os jovens e no contexto dos Protestos de Junho realizou-se uma das maiores manifestações de rua da cidade, reunindo mais de 2.000 cidadãos na contestação da qualidade nos serviços públicos, redução no preço da passagem de ônibus e reforma política.
Na esteira dos protestos contra os maus tratos dos animais no Instituto Royal, em agosto de 2014 manifestantes protestaram contra a utilização de animais na tradicional “Festa de Agosto” de São Roque. A contestação não foi bem assimilada por alguns participantes e organizadores da festa e os ativistas foram rechaçados.
Após intervenção municipal e a acusação de contratação de pessoas não habilitadas para exercer a função de médico na Santa Casa de Misericórdia de São Roque, profissionais da saúde realizaram, em 2015 e 2016, diversos protestos contra a falta de médicos, tentativa de fechamento da maternidade, atraso salarial e demissões em massa. A título de ilustração, no final de 2015, mais de 300 servidores realizaram um “abraçaço” na instituição contestando o encerramento das atividades da maternidade.
No dia 13 de março de 2016, 50 são-roquenses fizeram coro ao protestar contra o governo Dilma Rousseff e exigir mudanças profundas na política do país. Esse grupo, composto principalmente por adultos e idosos, somou-se aos 2 milhões de brasileiros que saíram às ruas exigindo o impeachment da então presidente da república.
O primeiro semestre de 2016 também assistiu a maior greve dos funcionários públicos municipais. No final de março, mais de 1.000 servidores da prefeitura de São Roque cruzaram os braços e saíram às ruas para exigir reajuste salarial. Além de circular pelas principais vicinais do centro da cidade, o movimento parou a agitada Rodovia Raposo Tavares.
No segundo semestre desse mesmo ano, os estudantes e servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, campus São Roque chamaram a atenção dos moradores locais e da imprensa regional quando tomaram as ruas da cidade para protestar contra as medidas do governo federal, especialmente a PEC 241 (Proposta de Emenda à Constituição caracterizada pelo congelamento dos gastos públicos, principalmente nas áreas de Educação, Saúde, Assistência Social e Segurança) e a reforma do Ensino Médio. Mais de 300 cidadãos protestaram, de maneira pacífica, pelas ruas da cidade. No mês de novembro, alguns estudantes dessa instituição ocuparam o campus contra as mesmas medidas do governo federal.
Os protestos realizados em São Roque no último quadriênio apresentaram diversas causas e diferentes características: aumento da passagem de ônibus, maus tratos dos animais, qualidade do serviço público, reajuste salarial, redução de verba para Educação e Saúde, etc. A lição deixada indica que os cidadãos são-roquenses sairão às ruas quando estiverem descontentes com os mandos e desmandos das autoridades brasileiras. Até mesmo porque, em um regime democrático, de tempos em tempos a política precisa ser irrigada por uma injeção forte de vida para lembrar os governantes que a política é um mero meio para se estabelecer uma vida melhor para todos, e não um fim.
Portanto, no momento de crise das instituições políticas tradicionais e consequente descrença nos representantes públicos, a população são-roquense encontrou nas ações sociais diretas uma forma para demonstrar a sua insatisfação e pressionar os governos nacional e local
Dessa forma, a gestão que inicia as suas atividades precisa estar ciente que, caso não desenvolva uma boa administração, possivelmente não será poupada dessa nova característica da sociedade são-roquense, ocupar as ruas.

Rogério de Souza Silva, professor do IFSP.
Links de alguns atos:
Links: https://www.youtube.com/watch?v=dzrE8Ajiv4I (proteto em 2013- Tarifa de ônibus)

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