Por Joaquim de Carvalho, no DCM
No Carnaval do Fora Temer, a Rede Globo cumpre a sua vocação histórica: ela faz política, a política em defesa dos seus interesses, não jornalismo.
Os gritos de Fora Temer já eram ouvidos com estridência desde antes de sábado.
Em Salvador, Caetano Veloso reagiu com “isso é muito bom”, quando os foliões, espontaneamente, começaram a cantar o refrão pela saída de Temer do Palácio do Planalto.
Na Bahia mesmo, a Banda Baiana System puxou o refrão “machistas, fascistas, golpistas não passarão.
Na Globo, o Fora Temer vazou numa entrevista ao vivo, em que um folião escocês encontrado no litoral de São Paulo destacou o que era a marca do Carnaval de 2017: o “Fora Temer”.
O Jornal Nacional da Globo deixou noticiar no último dia de Carnaval o que já havia tomado conta das ruas..
A Globo não se atrasou na notícia nem fez isso, certamente, por incompetência, como se na redação os jornalistas estivessem sonolentos, de ressaca e desatentos ao que acontecia no Brasil.
Cumpriram ordens.
Ao deixar para noticiar o Carnaval do Fora Temer no último dia, a Globo manipulou os efeitos que a notícia poderia gerar se fosse dada no tempo jornalisticamente correto: quando os fatos começaram a ocorrer.
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