01/03/2017

Mateus Taraborelli:TRUCULÊNCIA E ABUSO


Após a ação de ontem da PM de São Roque, a qual reprimiu de forma truculenta o carnaval de rua, pela segunda vez em três dias, vi muitos concordando com a forma de agir da polícia pois no local só havia baderneiros.
Não, não havia somente baderneiros, havia jovens e famílias se divertindo.
Quem me conhece sabe que sou um cara tranquilo, não gosto de confusão e só me envolvo em algo quando vejo uma injustiça.
É triste ver gente falando que se apanhou é porque era baderneiro.
Pois bem, deixo minha versão dos fatos!!!
Estava junto de alguns amigos no fim do bloco Haja Figado, quando acabou o bloco subimos pela rua da FAC até a loja Pernambucanas, na Praça da Matriz.
Assim que estourou a primeira bomba, o grupo de amigos no qual estava se separou.
Na correria, parei para ajudar uma senhora de seus cerca de 60 anos que havia caído tentando correr das bombas e balas.
Ai que me perdi do meu grupo de vez.
Nessa hora foi que fui agredido pela primeira vez, pois o tempo que levei para erguer a senhora, dois policiais se aproximaram e começaram a me bater com cassetete mesmo eu me afastando com as mãos para o alto.
Consegui me afastar e fui até a frente do Banco Itau, para tentar achar para qual rua eles haviam ido.
Nesse momento, por curiosidade e por querer registrar a ação truculenta da PM, retirei meu celular do bolso e comecei a gravar um vídeo de longe.
Em menos de 10 segundos que fiquei olhando para o celular já vi 4 PMs se deslocaram do grupo principal em minha direção e quando ví já estavam bem próximos.
Como não tenho intenção nem o porque fugir da PM, minha reação foi guardar o celular e colocar a mão pra cima em modo de rendição, o que não serviu de nada, pois assim que chegaram um já me agarrou pelo pescoço e começou a me enforcar. Fui arrastado pelo pescoço até próximo o banco do Brasil, onde eles estavam concentrados. Durante todo o caminho um policial fazia questão de pisar no meu pé a cada passo, ele de bota e eu descalço, pois meu chinelo já tinha sido deixado para trás por eles, o que resultou em vários cortes no meu pé.
Chegando lá me colocaram sentado algemado com as mãos para trás, algema essa que por várias vezes solicitei para que fosse afrouxada, já que estava começando a cortar circulação.
Foi me entregue o meu celular e pedido para ser desbloqueado.
Me neguei a fazer isso. Um policial disse que a melhor coisa a fazer para o meu bem estar físico era eu desbloquear e apagar todas as fotos e vídeos. Me neguei novamente a cumprir tal solicitação sem a presença do meu advogado.
Após um longo período fui colocado no porta malas de uma Hilux da Força Tática e levado a Santa Casa para fazer exame de corpo de delito.
Mas infelizmente tive a infeliz surpresa do exame ser realizado dentro da própria viatura, por um profissional sem identificação o qual não sei se é médico ou não. Ele nem chegou a me examinar, só perguntou se estava sentindo algo, disse para ele todas as dores que sentia no corpo, e pedi para entrar e fazer o exame em local adquado, com boa iluminação e privacidade, pedido qual foi negado. O mesmo funcionário pareceu anotar poucas linhas na ficha do exame e foi para outra viatura fazer de outra pessoa detida.
Solicitei uma via do exame ao sargento responsável pela guarnição, o mesmo me negou falando que isso não era para mim, e sim para eles.
Após mais um longo período de cerca de uns 40 minutos trancado dentro da viatura, fomos para o D.P de São Roque.
Chegando no D.P de São Roque, aguardei por cerca de 60 minutos até entrar e ser ouvido pelo escrivão.
Contei a minha versão da história a qual foi muito reduzida, descaracterizando a minha versão dos fatos.
Solicitei que o B.O fosse feito separadamente dos outros que foram detidos, uma vez que eram situações diferentes, mais uma vez foi negado.
 Também solicitei a presença do meu advogado, pois só assinaria qualquer documento com um advogado presente.
Foi negado com a desculpa de que já estava quase tudo certo ali, que não era necessário.
No fim, me foi solicitado que assinasse um Termo Circunstancial, peguei o papel para ler e ao virar a folha para ler o outro lado um soldado da PM disse que não era para eu ler nada, era somente para assinar.
Me recusei a assinar sem ler todo o documento.
O soldado insistiu e começou a aumentar o tom de voz.
Só pude ler todo o documento quando o sargento apareceu e me permitiu ler tudo.
Solicitei uma cópia do B.O ao escrivão, o mesmo disse que como era uma das partes, não era permitido, sendo negado mais uma solicitação.
Me recusei a assinar um documento sem ter uma cópia para mim, eles falaram que então eu estava preso e seria levado para Sorocaba.
Na pressão da situação, preocupado com os amigos e familiares, sendo que ninguém sabia que eu estava ali, resolvi assinar, pensando em comparecer com meu advogado no dia seguinte.
Após isso fui liberado as 03:40 da manhã.
Meu advogado foi na delegacia hoje de manhã, não pude estar presente por questão dos ferimentos.
Fui autuado por perturbação, simplesmente por estar filmando uma ação da PM, irei aguardar a intimação do juiz para maiores averiguações. Estou com vários hematomas pelo corpo e muita dores nos braços, mas nunca irei aceitar abuso com os mais fracos. Não falta vontade de marcar os envolvidos, como o capitão da PM de São Roque, o 3º sargento que comandava a equipe e alguns soldados envolvidos.
Mas acredito que devemos seguir a lei, não quero causar maiores transtornos para qualquer um.
Não se pode realizar uma ação generalizando as pessoas do local.
Vi cenas horríveis, vivi cenas horríveis, por isso digo, não queira ao outro o que não gostaria que fosse feito a você.
Curtir
Comentar

Nenhum comentário:

Postar um comentário