terça-feira, 23 de maio de 2017

Deputado ligou para cerimonial de Temer 1h10m depois de receber mala de dinheiro; Globo já se prepara para se gravação de Joesley tiver sido editada

23 de maio de 2017 às 01h06

viomundo
Deputado foge com a mala, que está sumida. No áudio fica claro que os agentes da PF não conseguiram registrar a placa do táxi
Da Redação
Pouco mais de uma hora depois de receber a mala contendo 500 mil reais do lobista Ricardo Saud, da JBS, o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), agora afastado, ligou para o cerimonial da Presidência da República.
O dinheiro era o cumprimento de uma promessa de que Michel Temer receberia ao menos 500 mil — até um milhão por semana, dependendo do preço da energia — se um contrato de 25 anos fosse fechado entre a Petrobras e uma termelétrica do dono da JBS em Cuiabá com a oferta de gás boliviano a preços camaradas.
Segundo a Polícia Federal, um chip não foi colocado na mala para descobrir o destino do dinheiro. Por isso, meio milhão de reais em notas de 50 estão perdidos por aí.
Dois dias depois da entrega, o deputado Loures voou com Michel Temer entre Brasília e São Paulo. A ligação telefônica teria sido para garantir a inclusão de Loures na comitiva do presidente.
Em sua primeira declaração sobre o caso, Loures disse que não sabia que  500 mil reais em dinheiro estavam dentro da mala, uma resposta implausível que leva à pergunta: por que, então, ele não devolveu o butim?
[Nota do Viomundo: O dinheiro foi devolvido por Loures à PF na noite de segunda-feira noite]
Por outro lado, a rádio CBN, da Globo, recuou em afirmação anterior de que o áudio da conversa entre Joesley Batista e Temer era compatível com a programação da emissora, ouvida no rádio do carro do dono da JBS antes e depois que ele deixou o Palácio Jaburu.
Depois de uma análise mais detalhada, a CBN agora diz que há 6 minutos e 21 de segundos de diferença entre o tempo de gravação e o tempo da programação, ou seja, faltam 6 minutos e 21 segundos.
Existe outra indicação de que a fita foi cortada: a coluna Radar Online, da Veja, informou na segunda-feira que num trecho suprimido do áudio o dono da JBS, casado com a jornalista Ticiana Villas Boas, teria falado sobre a esposa com o usurpador Michel Temer, que também teria feito comentários sobre a primeira dama Marcela Temer.
Contratado por Temer, o perito Ricardo Molina diz tratar-se de um áudio imprestável.
O blogueiro da Globo Ricardo Noblat gozou Molina no tweeter, dizendo tratar-se do mesmo profissional que atestou que uma bolinha de papel atirada na cabeça do candidato tucano José Serra, na campanha presidencial de 2010, era na verdade um objeto bem mais pesado, talvez um rolo de fita.
Noblat esqueceu que Molina foi o perito recrutado pela própria Globo para dar veracidade à tese de “lesão cerebral” em Serra. Molina, aliás, já trabalhou numa causa pessoal do atual chefão do Jornalismo da Globo, Ali Kamel.
A defesa de Michel Temer certamente vai tentar impugnar o conjunto da gravação, alegando que foi adulterado.
Curiosamente, o Jornal Nacional desta noite suprimiu qualquer notícia sobre a “perícia” de sua rede de rádios, a CBN.
O telejornal da Globo, que é paginado de forma a prejudicar Temer — notícias favoráveis a ele no início, seguidas de desmentidos em massa depois — , passou a dizer nesta segunda-feira que não importa o conteúdo total da gravação, mas os trechos essenciais que todos os peritos — da Folha, do Estadão e da própria Globo — disseram não terem sido adulterados: a conversa em que Joesley sugeriu que estava resolvendo todas as pendências financeiras com Eduardo Cunha e que mantinha a amizade com o ex-presidente da Câmara — “tem que manter isso, viu?”, respondeu Temer — e o ponto em que o dono da JBS diz que está se acertando com os dois juizes que cuidam de um dos inquéritos a que responde — “ótimo, ótimo”, respondeu Temer.
A Globo também fez uma reportagem sobre como será a perícia da Polícia Federal, frisando que ela poderá validar alguns trechos da conversa mesmo que outros tenham sofrido cortes.
O JN não deu destaque extraordinário à nova denúncia da Força Tarefa da Operação Lava Jato de Curitiba contra Lula, por supostas vantagens recebidas num sítio de Atibaia que não pertence formalmente ao ex-presidente. É possível, repetimos, possível, que a força tarefa tenha mais uma vez aplicado o timing de mudar de assunto, que em tese beneficia Temer.
Porém, o JN não está descuidando das escolhas ideológicas para atacar Temer. Nas últimas três edições, dentre os parlamentares que mais apareceram acusando o usurpador figuram Álvaro Dias (PV) e Alessandro Molon (Rede), aparentemente palatáveis para os irmãos Marinho.
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