sábado, 13 de maio de 2017

Luís Antônio Albiero: ESTÁ MUITO DIFÍCIL SUPORTAR

4 h · 
ESTÁ MUITO DIFÍCIL SUPORTAR
Se está difícil para nós, estranhos à família, suportar esse ataque cruel e desumano à memória de dona Marisa, imagine para Lula e seus familiares.
Meus amigos de infância estão com todo gás, excitados nessa guerra perversa. Agora foi a vez de outra amiga, das mais queridas e próximas, alguém que eu jamais imaginei que pudesse vir a tomar parte desse tipo de vilania coletiva.
Não resisti. Fui a um post dela, em que ela ironizava o fato de a ex-primeira dama ter comprado "um triplex" sem que o marido soubesse, e deixei este comentário:
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M***, querida. Dona Marisa Letícia, honrada ex-primeira dama deste país, mulher discreta e dedicada à família, já falecida, jamais comprou um triplex. Jamais! Ela comprou uma cota, que representava um apartamento num dentre vários edifícios a serem construídos por uma cooperativa de bancários. Uma cota dessas é a mesma coisa que uma cota de um consórcio de automóvel. O triplex surgiu depois, bem depois, como oferta, como exercício do direito de opção de compra, surgido só depois que a Bancoop transferiu a responsabilidade​ pelo término da construção dos edifícios à construtora OAS. E na hora de decidir se optava ou não pela compra, o marido optou por não comprar e a esposa também, como era legítimo que fizessem, apesar da insistência e dos agrados dos construtores, que obviamente teriam grande valorização dos apartamentos se num de seus edifícios um ex-presidente da República, muito popular por sinal, viesse a ser proprietário de uma dessas unidades.
Se o seu marido fosse presidente da República, querida, eu asseguro que você compraria muito mais que uma simples cota num edifício em construção de classe média - classe média igual a nós, eu e você, que já fomos bancários! - sem que ele, seu marido, soubesse.
Eu sei que você é inteligente e capaz de somar muito além de um mais um. Não fica bem uma pessoa com tanto​s predicados tripudiar sobre o cadáver de quem não mais está entre nós para se defender.
Desculpe-me pela intromissão, mas, por nossa antiga amizade e, sobretudo, pelo respeito que tenho por você, me senti na obrigação de fazer esse esclarecimento, porque compreendo que a narrativa midiática, por persistente e constante como tem sido nesse caso (a despeito de tantos casos muito mais graves e atuais, envolvendo figuras que estão aí nos governando neste momento, como o próprio presidente Temer, seus ministros, nosso governador Alckmin, nosso senador Serra, em valores de corrupção muito superiores, muito mais expressivos do que os de um singelo apartamento classe média no Guarujá ou um sitiozinho em Atibaia), essa narrativa midiática é forte como uma correnteza e arrasta consigo até as mentes privilegiadas e brilhantes como a sua.

Não se deixe capturar por essas armadilhas tão flagrantes. Você é muito maior que isso. Beijão, querida.

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