quinta-feira, 1 de junho de 2017

Gestão Doria ignora decisão da Justiça e segue demolindo a Cracolândia

SÃO PAULO

Segundo o secretário de Governo da prefeitura de São Paulo, Júlio Semeghini, a previsão é que o processo de remoção das pessoas comece ainda nesta semana e as demolições, na próxima

por Redação RBA publicado 01/06/2017 10h32, última modificação 01/06/2017 11h24
REPRODUÇÃO/TVT
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Prédios estão sendo demarcados pela prefeitura e moradores estão apreensivos, pois seguem sem respostas
São Paulo – A prefeitura de São Paulo anunciou que continuará o processo de demolição dos prédios da região da Cracolândia, no centro da capital. Na última terça-feira (30), secretário municipal da gestão de João Doria (PSDB), Júlio Semeghini, disse que as remoções das famílias e as demolições seráo retomadas ainda nesta semana. As ações ignoram a decisão do Tribunal de Justiça (TJ-SP), que proibiu as intervenções do governo no local. A reportagem é do Seu Jornal, da TVT.
Segundo o secretário, a previsão é que o processo de remoção das pessoas comece ainda nesta semana, e que as demolições tenham início na próxima. Semeghini também disse que as famílias que pagam aluguel receberão uma ajuda para se mudar para outra região e os proprietários, serão remunerados.
Na semana passada, o TJ-SP proibiu a remoção dos moradores e a demolição da Cracolândia. A medida foi tomada depois que três pessoas que estavam em um prédio ficaram feridas durante a destruição de um imóvel.

Sem respostas

Maria das Graças mora na Luz há 15 anos. Ela diz que a prefeitura numerou a casa dela, mas não foi cadastrada e não sabe o que vai acontecer. "Só colocaram o selo em cada porta, perguntaram quantas família tinham e só. Não pegaram meus dados." 
Já o ajudante Paulo César Florêncio, que paga R$ 400 de aluguel, há dois anos, em um quarto na região, conta que passou os dados dele para funcionários da prefeitura que faziam o cadastro habitacional, mas não recebeu nenhuma orientação. A vendedora ambulante Maria Moura Soares, que mora no mesmo imóvel, diz que não foi procurada e que continua sem informações desde a semana passada. "Até hoje ninguém veio falar comigo, só colocaram um papel na porta e não voltaram mais aqui."
A também vendedora e moradora do local Leia Matos morava em um quarto de pensão com a filha. Ela lamenta que não tem condições de continuar no local, porque perdeu seus pertences na operação policial do último dia 21. "Aqui tinha três beliches e uma cama de casal. Eles levaram tudo, junto com as roupas da minha filha, o material escolar, o fogão e o guarda-roupa."
Assista a reportagem da TV Brasil no Seu Jornal, da TVT:

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