domingo, 4 de junho de 2017

Lucas Ragazzi: Tesoureiro informal de Aécio, Oswaldinho cogita entregar o esquema

04 de junho de 2017 às 14h01

viomundo
Oswaldinho disposto a delatar
Com dois inquéritos no STF, apontado como tesoureiro informal de Aécio já cogita revelar o que sabe
Investigado por supostamente ter recebido propina em nome do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e suspeito de participar de um esquema de superfaturamento na obra de construção da Cidade Administrativa do governo mineiro, o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) Oswaldo Borges da Costa tem feito movimentações junto a sua defesa para colaborar, de forma oficial, com as investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF).
A informação foi repassada à reportagem, nessa quinta-feira (1°), por interlocutores próximos ao ex-dirigente da Codemig.
Afastado da vida pública desde que se tornou investigado no âmbito da operação Lava Jato, o ex-dirigente da Codemig tomou a iniciativa de buscar informações para o acordo de delação depois da deflagração da operação Patmos, da Polícia Federal (PF).
A defesa, inicialmente, nega a informação.
Deflagrada em 18 de maio, a Patmos afastou Aécio de seu mandato no Senado e prendeu a irmã do parlamentar, Andrea Neves, além de Frederico Pacheco, primo do senador, e Mendherson Souza, assessor do senador Zeze Perrella.
Antes da ação da PF, Oswaldinho, como é conhecido, chegou a se encontrar com os irmãos Neves em Brasília.
Na ocasião, foi discutida a possibilidade de uma candidatura à Câmara Federal para Andrea em 2018.
Atualmente, Oswaldinho responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro diz respeito à construção da Cidade Administrativa durante o governo Aécio.
Quem é Oswaldo Borges da Costa
De acordo com delação de executivos da Odebrecht, o senador tucano teria organizado, em 2007, um esquema para fraudar licitações por meio de um cartel de empreiteiras.
As obras de construção do espaço onde hoje funciona a sede do governo mineiro foram realizadas pela Codemig.
No segundo inquérito, Oswaldinho é investigado por supostamente ter recebido propinas como se fossem financiamentos de campanhas tucanas no Estado.
Segundo o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht, Oswaldinho teria atuado como tesoureiro informal de Aécio, como também seria conhecido no meio político
Viajante
Desde a chegada da Lava Jato em Minas, Oswaldinho tem saído com frequência de Belo Horizonte. O empresário por diversas vezes passava longos períodos nos Estados Unidos, onde tem apartamento em Miami, na Flórida.
Sem visitas
O deputado estadual João Leite (PSDB) tentou visitar Andrea Neves na prisão. O tucano, que é evangélico, foi ao presídio com um pastor, mas Andrea se recusou a recebê-los.
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