quarta-feira, 28 de junho de 2017

Morre jovem alvejado por policiais na Favela do Moinho

CONFIRMAÇÃO

De acordo com o Hospital Santa Casa de Misericórdia, Leandro de Souza Santos chegou morto ao hospital. Mas confirmação só veio no fim da tarde
por Redação RBA publicado 27/06/2017 18h07, última modificação 27/06/2017 18h26
FACEBOOK/EDUARDOSUPLICY
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Ao lado de familiares da vítima, o vereador Eduardo Suplicy afirmou que vai cobrar justiça
São Paulo – O Hospital Santa Casa de Misericórdia, na região central de São Paulo, confirmou a morte de Leandro de Souza Santos. O jovem de 18 anos foi assassinado pela Polícia Militar durante ação realizada na Favela do Moinho, também no centro da capital. As informações da família eram de que Leandro estava entre a vida e a morte, mas a confirmação veio aproximadamente às 17h.
De acordo com o boletim do hospital, Leandro estava morto quando deu entrada na instituição. “Foi trazido ao pré hospitalar que relatou desde o início do atendimento que o paciente estava sem sinais vitais.” A hora da morte foi cravada em 11h, entretanto a família ainda não tinha a informação. “Quando avisaram que meu irmão estava com os policiais, pedi para que liberassem ele”, afirma Letícia de Souza. “Eles disseram que não podiam, que estavam fazendo um procedimento”, completou.
“Eu já sentia algo ruim dentro de mim. Quando os policiais entraram no barraco, ligaram o aparelho de som no último volume e escutei barulho de tiros abafados. Fiquei nervosa mas tentei acalmar minha família. Então chegaram com uma maca e a manta térmica. Foi uma crueldade, eles estão oprimindo as pessoas da comunidade. Independente de meu irmão ser usuário, ele não merecia morrer desta forma”, afirmou Letícia.
A mãe do jovem, Maria Odete de Souza, confirma a versão da irmã: “Invadiram a Favela do Moinho quando meu filho estava com colegas dele. Ele era usuário de drogas. Tinha tentado internar ele mas nunca consegui. Então, me disseram que ele tinha corrido para um barraco de uma vizinha minha. Cheguei umas 11h e os policiais não davam informações. Eu não escutava nada do meu filho e perguntei por que ele não dizia nada. Eles diziam que ele estava bem. Perguntei se tinham matado ele e eles negaram”, disse.
Sobre os tiros e o som alto dentro do barraco, Maria Odete diz que “eles forjaram uma troca de tiros. Disseram que meu filho estava com uma arma e isso não é verdade. Ele não tem passagem e nunca foi preso. O único erro dele era ser usuário de drogas. E também os dentes dele estavam quebrados. Ele foi torturado. Tinha marcas de marteladas no rosto.
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Local onde Leandro foi morto pelos policiais
Diante dos depoimentos, o vereador Eduardo Suplicy (PT), que acompanhou a família até o hospital, afirmou que deve tomar providências. “Ele morreu vítima de cinco tiros. Um no coração, dois no abdômen e dois nas costas. Eu mesmo o vi na maca. Achei muito estranho que, no início da tarde, não permitiram à mãe que visse o filho. Eu disse que ela tinha sim esse direito e que ele estava entre a vida e a morte. Então, fomos ao hospital e o encontramos morto. Perguntei a hora da morte e disseram às 11h.”
“Isso significa que o Leandro morreu ainda na Favela do Moinho. No primeiro diálogo que tive com o secretário adjunto Sérgio Turra (Segurança Pública), ele disse que a operação era para verificar se havia traficantes com armas no local. Vamos encaminhar os depoimentos da família para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e vamos fazer com que a justiça seja feita ao Leandro e sua família”, completou o vereador.
Em resposta, o comandante da operação, Tenente Coronel Miguel Daffara, disse que “aqueles que puderem ajudar a PM a esclarecer o caso, peço que procurem a ouvidoria, a corregedoria e levem testemunhas e provas. A missão da Polícia Militar é pegar o traficante que está abastecendo a Praça Cleveland. A polícia não pode permitir que o traficante continue”.

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