quinta-feira, 29 de junho de 2017

O sonho do “dream team” da economia acabou?

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É muito importante a entrevista da economista Monica de Bolle à BBC, onde ela amplia o fogo sobre a equipe econômica do Governo Temer, antes saudada como o “dream team” do mercado.
Você falou que Meirelles está adotando um discurso de marketing, diferente do que se esperava dele. Há uma decepção em relação ao ministro?
Monica de Bolle – Sim, com certeza. Pelo menos não se esperava que ele fizesse a mesma coisa que o Guido Mantega fazia. (Imaginei) o Mantega quando o Meirelles falou sobre o PIB, logo depois que ele foi divulgado no Brasil. Toda vez que tem tuíte no ministério da Fazenda, vejo o Mantega na minha frente, porque (vende-se a ideia de que) tudo está bom, tudo está uma beleza. ‘Olha só, agora a gente teve a rebimboca da parafuseta melhorando, sinal de que a economia está bem!’
De Bolle é uma conservadora de bons modos, da escola da Casa das Garças, de onde vem a turma de Armínio Fraga e ampliou as críticas que já havia feito ontem no Estadão:
(Na) avaliação da economista, a equipe econômica faz parte do governo Temer e não está blindando nada.
“Existe essa ideia muito equivocada no Brasil de que a equipe econômica é uma coisa e o resto é outra. A equipe econômica trabalha para o presidente, são cargos comissionados”, disse ela, descartando a existência de separação entre uma coisa e outra. “O que acontecer no lado político vai impactar sim a equipe econômica e o que ela é capaz de fazer.”
A economista cita uma frase do livro de memórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que o tucano menciona que a equipe econômica não é dona do seu destino em nenhum governo. “O [Henrique] Meirelles é funcionário do Temer, assim como o Ilan [Goldfajn].”
Funcionário do Temer não chega a ser bem um elogio, não é?
Meirelles, que conserva o apoio do hardcore da economia e de São Paulo, parece ter perdido a unanimidade ao menos na “banda de música” do mercado. aquela condição com que o brindavam de que, caindo Temer e entrando qualquer um, teria de ser mantido.
Hoje, em sua coluna, outra corneteira do mercado, Miriam Leitão também “elogia” nesta linha a equipe econômica:
 Temer pode barrar a denúncia e, depois, cair na mesma ruína fiscal que pegou a sua antecessora. A vantagem de Temer em relação à Dilma é a qualidade técnica da equipe, como a secretária do Tesouro.
Ana Paula Vescovi, não Henrique Meirelles. Algo há e este algo talvez explique porque Folha e Estadão fazem contorcionismos para apoiar a permanência de Michel Temer e, com sinal trocado, a Globo faz tudo por sua derrubada.
Nesta área, ninguém prega prego sem estopa.

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