quarta-feira, 14 de junho de 2017

Perícia da conversa de Temer com Joesley deve ser concluída na próxima semana


Tendência da perícia é indicar que não houve edição na conversa

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O presidente Michel Temer - Andre Penner / AP
BRASÍLIA - O Instituto Nacional de Criminalística (INC) deve concluir a perícia sobre a gravação de uma conversa do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, até a próxima quarta-feira, quando termina o prazo estabelecido pela própria instituição para emitir um laudo sobre o assunto. Segundo um policial que acompanha o caso de perto, é possível que o trabalho seja encerrado até antes logo no início da semana, antes da data prevista inicialmente. A tendência da perícia é indicar que não houve edição na conversa entre Temer e o empresário. Ruídos e eventuais lacunas no diálogo seriam resultado de características técnicas do gravador e das circunstâncias da gravação.

Para investigadores, Temer já confirmou em público o encontro e os trechos mais importantes do diálogo que manteve com o empresário.Partes centrais da conversa também foram confirmados em ação controlada conduzida pela Polícia Federal a partir da delação premiada de Batista e outros executivos da JBS. Durante a conversa, Temer indica Loures, homem de sua confiança, como interlocutor para tratar de qualquer assunto com Batista. Dias depois, o ex-assessor entra em cena e é gravado tratando de cargos e decisões estratégicas do governo federal com o empresário.Peritos estão trabalhando em longas jornadas, inclusive em sábados e domingos, para atender a demanda.A perícia foi determinada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido de Temer. O presidente quer por em dúvida a gravação numa tentativa de esvaziar o inquérito em que é investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça. Pelas investigações, Temer seria destinatário de propina paga a Rocha Loures a mando da JBS. A Procuradoria-Geral da República considera a perícia importante, mas não fundamental.
Num outro momento, é filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil em espécie, entregue a ele por Ricardo Saud, um dos operadores da propina da JBS. O dinheiro seria a primeira parcela de uma propina que, ao longo de 25 anos, seria superior a R$ 600 milhões. As investigações também estão amparadas também em delações e outras gravações dos executivos da JBS. Num dos depoimentos da delação, Saud disse que o dinheiro repassado por ele a Loures teria como destinatário Temer.
No início do caso, a defesa do presidente contratou o perito Ricardo Molina analisar a gravação e dar uma entrevista coletiva sobre o assunto. Em menos de 24 horas, o perito apontou uma série de "descontinuidades" e "falhas" na gravação que, para ele, seria imprestável como prova. Peritos da Polícia Federal classificaram a entrevista como um embuste.
Molina não poderia emitir um opinião categórica sobre um laudo que o INC só teria condições de concluir em um prazo de 30 dias. Na próxima semana, o INC dará a palavra final sobre o caso. A equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, trabalha com a ideia de incluir o resultado na denúncia que deve ser apresentada contra Temer e o ex-assessor Rocha Loures até segunda-feira. Mas, se não for possível, o material poderia ser aditado posteriormente às acusações.
Pelo menos 15 peritos estão trabalhando no caso. Além da conversa entre Temer e Batista, eles estão fazendo perícia sobre diálogos do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e de Rocha Loures . Os peritos estão reconstituindo cada segundo das conversas, num minucioso e exaustivo trabalho. Quando se deparam com trechos com ruídos ou lacunas, os peritos verificam os "eventos acústicos" estão relacionados com às características técnicas do gravador ou se existem indícios de cortes intencionais.
Eles estão tentando até recuperar trechos inaudíveis, o que pode tornar os diálogos ainda mais contundentes. Os peritos querem fazer um trabalho exemplar e oferecer informações a Fachin que não deixem dúvida sobre o que, de fato, aconteceu na noite de 7 de março, quando Temer abriu as portas do Palácio do Jaburu para Joesley Batista descrever crimes, manifestar interesses em áreas estratégicas do governo, falar sobre pagamento de mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha e pedir a indicação de um interlocutor para futuras conversa

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