terça-feira, 25 de julho de 2017

O fator Meirelles

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Avolumam-se, nos jornais, os sinais de insatisfação mútua entre Michel Temer e Henrique Meirelles.
Meirelles não deu a Temer a redução do déficit público prometida e o reaquecimento da economia.
Temer não deu a Meirelles a aprovação modelo “blitzkrieg” das reformas e e, pior, não entregou o posto de Ministro do Planejamento ao Ministro da Fazenda, que já pegara para si a área previdenciária. Ao contrário, manteve lá Romero Jucá, pela interposta pessoa de Dyogo de Oliveira que, não sendo nada, não é ninguém.
Se Temer não deu a Meirelles as vitórias rápidas que pretendia, também não deu a ele a derrocada rápida de seu Governo, o que levou Meirelles à precipitação de oferecer-se para continuar, com outro presidente.
Pretensão e água benta cada um usa quanto bem lhe aprouver, mas isso deixa sequelas.
Meirelles sempre se portou no Governo como o “la garantía soy yo” ao mercado de que o fisiologismo temerista não tomaria conta da administração e que os cortes seriam desumanos, impiedosos.
Agora, com os burros a caminho da água, já não tem tantas segurança assim para oferecer ao capital.
Uma prova eloquente disso é o baixo nível de adesão ao “segundo tempo” do programa de repatriação de capitais enviados para o exterior de forma não declarada. (Vejam como é bonito o nome para evasão de divisas!)
Previa-se R$13 bilhões, reduziu-se a estimativa a R$ 3 bilhões agora e, do que foi entregue à Receita até semana passada, se pago no vencimento, soma-se apenas R$ 0,8 bi.
Certamente não é por falta de dinheiro brasileiro lá fora. É que, apesar das estimativas do “mercado”, já não se tem certeza de que isso será, apesar dee “lavar o dinheiro” um prejuízo aceitável. Se você traz um milhão de dólares a R$ 3,15, paga 35% de imposto e multa e o dólar vai a R$ 3,40 ficou com US$ 600 mil, simples assim.
A situação entre Meirelles e Temer tende a piorar, à medida em que se aproxima um “shut down” – um “desligamento” por falta de recursos  –  de parte da máquina pública, politicamente  mais (se ainda é possível falar em mais, a  esta altura – para o atual ocupante do Planalto, obrigado a distribuir verbas para permanecer lá.
A lógica do massacre recessivo vai se retroalimentando e devorando todos os seus personagens.
O Brasil não sairá deste rodamoinho sem um choque de credibilidade chamado eleição.

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