quinta-feira, 6 de julho de 2017

O “fim” da corrupção salva o Brasil? Por Gustavo Castañon

palitos
Em 2016, o serviço da dívida levou 44% do Orçamento federal. Esse ano, estima-se que levará 49% de um orçamento que é de  R$ 3,5 trilhões (repetindo: trilhões). Isso significa simplesmente R$ 1,72 trilhões, ou se preferir, 1722 bilhões de reais.
A Previdência, alçada a vilã nacional, levará somente 18% do orçamento (R$ 650,5 bilhões). O resto se divide entre repasses para estados e municípios e os famosos gastos com pessoal, alvo do ressentimento permanente do coxinha, que são a parte mais transparente do Orçamento e não chegam a 9% dele (R$ 306,86 bilhões, nisso incluído inativos e pensionistas da União).
Também inclui ridículos R$ 35,2 bilhões (repetindo: bilhões) de custeio (passagens, materiais, energia, diárias, etc.). Se você desconsiderar os supostos desvios de licitação de caneta e papel chamex, podemos dizer que o cidadão médio acredita, movido pela Globo e congêneres, que a “roubalheira” e a “corrupissaum” que “destrói o país” se dá nas licitações de obras que são parte da conta de investimentos.
É a narrativa da novela global “Lava-Jato”.
Mas a conta de investimentos corresponde esse ano a menos de 3% do orçamento. Isso mesmo, o Estado está investindo menos de 3% do orçamento. E o Brasil ainda quer crescer. Se todo o investimento do país fosse em obras e elas tivessem todas roubo padrão-Quércia, os famosos 10%, a “corrupissaum” levaria menos de 0,3% de nosso orçamento.
É com menos de 0,3% de nossos problemas que se ocupa 99,7% do tempo de nossos telejornais (o percentual dos telejornais é, obviamente, o único metafórico aqui).
Enquanto isso os juros e amortizações (R$ 776 bi esse ano, 22% do orçamento), a sonegação (estimada em R$ 550 bilhões esse ano) e as isenções tributárias (como as do Estado do Rio) destroem o Brasil. Destroem sua vida.
Quem vive de juros públicos acima da capacidade de lucro dos que produzem, vive da doença, má educação e insegurança da população. Eles não bebem champagne, bebem a morte, a miséria e a infelicidade de seus semelhantes.
É somente natural que esses canalhas só queiram falar nos que transgridem a lei, e não na lei injusta que alimenta seu parasitismo. A lei para eles tem que ser cumprida não porque seja moral, mas para que tudo permaneça imoral como está.
Afinal de contas, esses 0,3% também deveriam estar indo para o bolso deles na conta de juros.
Ou continuam indo?
PS “antecipado”: Alguns economistas ligados a determinados partidos de esquerda atacam os “gráficos pizza” da Auditoria Cidadã da Dívida, que não foram usados aqui, porque consideram que eles mais confundem a população que esclarecem, ao misturar no orçamento juros, amortizações e rolagem. Isso “satanizaria” a dívida pública que eles consideram que pode crescer de forma ilimitada. Acontece que os referidos gráficos são basicamente reproduções das contas oficiais do orçamento da União divulgadas pelo governo, que apresentam conceitos obscuros de juros, amortizações, mascaram atualizações monetárias e oferecem enormes contas sem discriminação sob o guarda-chuva de “outros”. Para um esclarecimento da Auditoria Cidadã da Dívida sobre essas críticas, clique aqui.
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