segunda-feira, 24 de julho de 2017

PDV federal é “me engana que eu gosto”

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O anúncio feito pelo Ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira em entrevista exclusiva ao Valor que o governo prepara um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para os servidores do Poder Executivo federal é absolutamente irrelevante em termos de contenção das despesas públicas.
Primeiro, porque um plano que tem como “meta” desmobilizar 5 mil dos  500 mil servidores ativos da União, na administração direta, representa um percentual irrisório: 1%.
Segundo, porque só marginalmente vai atrair o pessoal da elite do serviço público que tem bons salários, estabilidade e aposentadoria integral à vista, dentro de pouco tempo.Ou será que um fiscal, um advogado da União ou procurador da Fazenda vai atirar pela janela  um salário entre 20 e 30 mil reais,que vai durar até a eternidade, para se aventurarem a “abrir um negócio” nos tempos bicudos que temos?
Claro, haverá um ou outro que o faça, mas é irrelevante na massa salarial do funcionalismo. E vai-se tirar da base da pirâmide do funcionalismo, agravando ainda mais as notória carências de pessoal.
Terceiro que, por razões óbvias de insatisfação com a carreira e pela falta de acomodação típica dos mais jovens, vai atrair mais os jovens servidores, que se sentem estagnados e que, pela menor gratificação por tempo de serviço (os quinquênios) têm vencimentos menores.
Ou será que, estendido ao MP e ao Judiciário alguém irá jogar pela janela vencimentos de 40 ou 50 mil reais, penduricalhos mil e a maré mansa de ter tempo livre para correr mundo?
O PDV tem efeitos propagandísticos, essencialmente. O problema do serviço público não é este, é a criação de uma nata que, nas carreiras de Estado, sente-se o próprio Estado e a tudo julgam ter direito, menos a viver numa situação digna, porém modesta, de quem é servidor público, assim mesmo, com a palavra sublinhada.
Os meritocratas, que acham que um concurso no qual passaram pela sua disponibilidade e (sim, não sou injusto de negar) mérito os torna essencialmente diferentes de qualquer trabalhador.

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