quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Movimentos se mobilizam por abertura da Casa da Mulher Brasileira


DIREITOS AMEAÇADOS

Ato será realizado nesta quinta-feira (10) para barrar retrocessos no combate à violência de gênero na cidade de São Paulo
por Gabriel Valery, da RBA publicado 09/08/2017 18h46
DANILO RAMOS/RBA

Pronta desde o fim do ano passado, Casa da Mulher Brasileira segue fechada em São Paulo
São Paulo – O prédio onde funcionaria a Casa da Mulher Brasileira segue fechado na capital paulista desde 2016, quando ficou pronto. O equipamento foi financiado com recursos do governo federal, que liberou a verba para a sua construção em 2013, durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, e a responsabilidade pela manutenção do projeto ficou a cargo da prefeitura. Mulheres de diferentes movimentos da sociedade civil estão organizadas para reivindicar o seu funcionamento.
Atendendo a um convite do Conselho Municipal de Políticas para Mulheres, representantes destes movimentos compareceram ao prédio, que fica no bairro do Cambuci, região central da capital, na segunda-feira (7). Também estiveram no local representantes da administração municipal. Avaliando o encontro como insuficiente, a conselheira Ana Rosa solicitou uma reunião do grupo com membros da secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (SDHC) e da pasta de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads).
“Conversamos sobre o porquê da Casa da Mulher Brasileira não estar funcionando, se existe falta de recursos, o que está acontecendo”, disse Ana Rosa à RBA. O equipamento tem como objetivo concentrar em um único espaço os serviços de atendimento à mulheres vítimas de violência. “Eles alegam que faltam algumas estruturas, como uma subestação de energia, estacionamento e acesso. Mas estamos pressionando para ver onde está o dinheiro. Eles mesmos dizem que existe, nós queremos comprovar.”
Durante a reunião, que deveria servir para que estes aspectos fossem explicados, como relata a conselheira, não foram apresentados dados concretos. “Tivemos um grande problema. Na reunião, não apresentaram nem o programa de metas e nem o orçamento destinado aos programas de políticas para mulheres. Disseram que não têm autorização porque não está concluído. Então, reiteramos o pedido para a próxima reunião, que vai acontecer no mês que vem”, disse.
A vereadora Juliana Cardoso (PT) compareceu ao local e afirmou que “na prefeitura, sofremos com a instabilidade e a troca de secretários e coordenadoras. Soubemos hoje que, após oito meses de gestão, a Coordenadoria de Políticas para as Mulheres não tem nem CNPJ. A coordenadora afirmou que em um mês regularizaria a situação. Vamos ficar de olho”, pontuou.
A gestão do prefeito João Doria (PSDB) tirou o status de secretaria da pasta das mulheres, transformando-a em uma coordenadoria dentro da SDHC. “Disseram que não houve prejuízo, mas isso não é real. Um problema já apareceu, em relação à organização e o CNPJ. Devido a isso, estamos com problemas em licitações”, disse Ana Rosa.

Manifestação

Além dos atrasos na inauguração da Casa da Mulher Brasileira, as ativistas temem por outros retrocessos no âmbito do governo municipal. “Pedimos para que, na próxima reunião, apresentem explicações sobre o fechamento de aparelhos de combate à violência contra a mulher nas periferias. E veja, todo desmonte no setor público afeta as mulheres”, disse Ana Rosa.
Para barrar retrocessos no combate à violência contra a mulher, será realizado amanhã um ato, às 14h, em frente ao prédio do Ministério Público, na Rua Riachuelo, centro de São Paulo. Além do ato, as mulheres pretendem protocolar um manifesto contra o desmonte das políticas públicas de enfrentamento à violência na cidade no órgão. “Vários movimentos vão participar, incluindo a CUT São Paulo, movimentos de moradia, sem teto, Marcha Mundial de Mulheres, União Brasileira de Mulheres, entre outros”, afirma Marinalva Araújo, assessora da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT São Paulo.
“O ato rechaça todo o desmonte. Veja, ontem parei em um Pronto Socorro municipal e o que mais tinha lá eram mulheres com crianças ou acompanhando seus maridos. Todo desmonte afeta as mulheres”, reafirmou Ana Rosa.

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