01/09/2017

A economia melhorou ou “se ajeitou” no caos?

eqinst
O desemprego teve uma ligeira queda, de novo pelo crescimento do trabalho informal como registra hoje o IBGE. O PIB, amanhã, deve apontar estabilidade no volume da economia brasileira.
Estamos, afinal, saindo da crise, ou ao menos obtendo uma situação de “estabilidade instável”, sustentada pelo controle da inflação pela depressão econômica, do desemprego pelo “quebra-galho”, da sustentação da atividade econômica pelo “arranjo”, sonegação oi simples não-recolhimento de impostos?
Nem mesmo os analistas neoliberais conseguem afirmar isso, tão evidente é que estamos “andando de lado” no poço da recessão.
Monica de Bolle, talvez hoje o mais importante nome do pensamento mercadista com algum grau de civilidade, diz, no El País:
Uma coisa que tem sido absolutamente marcante no Governo Temer é essa tendência de querer fazer grandes manchetes e grandes esperanças, mas no final das contas entregar algo muito aquém do prometido. Temer faz promessas grandiosas, esperando que vai transformar o Brasil em dois anos. Houve uma tentativa bem sucedida de reverter o processo inflacionário, talvez mais influenciado pela recessão do que outra coisa, mas ao menos o Banco Central deu sinalizações corretas e vemos alguma recuperaçãozinha no consumo por conta disso. Houve tentativas de dar o pontapé em reformas, não geraram grande coisa, mas foi um início. Teve uma mudança na administração da Petrobras e mudanças no marco regulatório do pré-sal que foram importantes. Mas, para além disso, o problema é que esse Governo tenta o tempo inteiro inflar manchete e no fim das contas entrega a rebimboca da parafuseta. O teto do gasto público é um pouco disso: foi anunciado como algo revolucionário, mas para ser funcional depende da reforma da Previdência que não vai ter.
Ela própria reconhece que estamos vivendo um “espuma”, onde o anúncio das privatizações vai sustentando com expectativas de bons negócios – para o capital comprador, claro.
(…)qualquer empresa ou grupo que venha a querer comprar alguns desses ativos vai querer o desconto pela incerteza e o desconto pelo desespero do governo também. Essa privatização soa oportunismo e esse é o Governo de oportunismo por excelência. É uma tentativa de agradar o mercado, porque, afinal de contas, não vai acontecer mais nada nesse Governo. 
É o que se comentou ontem aqui: o espírito de camelô que se implantou na economia do país, onde o “dono da banca” é Henrique Meirelles, de olho no “rapa” da agências de classificação de risco, que ainda faz vista grossa para um governo que, além de não ter projeto, nem mesmo tem conseguido o “dicumê” do dia a dia.
E está, como diz ela na entrevista, vendendo “o almoço para pagar o jantar”. E, ainda, pendurados num câmbio irreal e no – por enquanto – bom grau de aquecimento da economia dos países centrais.

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