Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Beto
Mansur (PRB-SP) afirmou ao Estadão/Broadcast que o governo quer o
deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) como relator
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Igor Gadelha, colaborou Isadora
Peron, O Estado de S.Paulo
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Setembro 2017 | 20h35
BRASÍLIA - Governistas querem emplacar um deputado
do PSDB ou do PMDB como relator na Câmara da segunda denúncia contra
o presidente Michel Temer por organização criminosa e obstrução de Justiça,
apresentada nesta quinta-feira, 14, pelo procurador-Geral da República, Rodrigo
Janot.
Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Beto
Mansur (PRB-SP) afirmou aoEstadão/Broadcast que
o governo quer o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) como relator da
segunda acusação. O tucano foi autor do parecer aprovado pela maioria da Câmara
recomendando a rejeição da primeira denúncia contra Temer.
O deputado Paulo Abi Ackel (PSDB-MG), autor do
relatório aprovado na CCJ Foto: ANDRE DUSEK/ESTADAO
Segundo Mansur,
governistas tentm convencer o presidente da Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ), deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), para que ele mesmo escolha Abi-Ackel
como relator oficial. Procurado, o tucano disse que precisa entender a denúncia
antes de decidir se aceitaria ou não ser relator.
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Em reservado, outros
governistas, porém, defendem um nome do PMDB pró-Temer para relatar a nova
denúncia. A avaliação é de que o presidente precisa mostrar que tem força
dentro do próprio partido, o que não aconteceu na primeira denúncia apresentada
pela PGR.
Na primeira acusação
da PGR, Pacheco escolheu como relator Sérgio Zveiter (Podemos-RJ), na época
filiado ao PMDB e que deu parecer pela aceitação da denúncia. O relatório,
porém, foi rejeitado pela comissão, o que fez com que o presidente do colegiado
tivesse de escolher um novo relator, no caso Abi-Ackel.
Os governistas que
defendem um nome do PMDB para relatoria avaliam que um relator do PSDB pode
aumentar a crise interna na sigla e, assim, aumentar o número de tucanos que
votarão contra Temer. Na votação da primeira denúncia no plenário, a bancada do
PSDB deu 22 votos pelo arquivamento e 21 pelo prosseguimento da investigação.
Procurado, o
presidente da CCJ disse que só decidirá quem será o relator quando estudar a
nova denúncia. Ele avaliou, porém, os nomes de Paulo Abi-Ackel e do deputado
Marcos Rogério (DEM-RO), também apontado nos bastidores para relatoria do caso,
como "ótimos nomes".
Governista. Como vem mostrando o Estadão/Broadcast, Pacheco dá sinais de que pode escolher um nome
mais governista para relatar uma eventual segunda denúncia. Pessoas próximas ao
deputado afirmam que ele deve escolher um relator com um perfil mais moderado,
mas não necessariamente que tenha votado contra o presidente na primeira
denúncia.
A decisão de Pacheco
deve passar por questões regionais. De olho em uma eventual candidatura ao
governo de Minas Gerais em 2018, o deputado não deve indicar um parlamentar que
faça franca oposição ao Palácio do Planalto e se indispor com o seu partido, o
PMDB.
Além disso,
contribuiu para essa percepção a investigação aberta pelo procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, e que levou à prisão e rescisão do acordo de delação
premiada de dois delatores do grupo J&F, que controla o frigorífico JBS:
Joesley Batista, um dos donos do grupo, e do ex-executivo Ricardo Saud.
Com a possibilidade de Pacheco escolher um relator
com perfil governista, opositores de Temer já planejam apresentar votos em
separado recomendando a aceitação da denúncia. "Dependendo do voto do
relator, pretendo, sim, apresentar outro voto. Já vou começar a estudar hoje a
denúncia", disse Zveiter ao Broadcast Político.
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