Ideia surge após partido lançar ministro da Fazenda
como pré-candidato a presidente da República em 2018
Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo
15
Setembro 2017 | 05h00
BRASÍLIA - Após lançá-lo como pré-candidato a presidente da
República em 2018, o PSD colocará o ministro da Fazenda, Henrique
Meirelles, como protagonista da próxima propaganda partidária da legenda
que será veiculada em cadeia nacional de rádio e TV.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles Foto:
André Dusek/Estadão
A ideia é que
Meirelles exponha no programa os resultados positivos da economia brasileira.
Com isso, o PSD quer mostrar que foi o ministro o responsável pela recuperação
da economia brasileira, cacifando-o para disputa presidencial de outubro
do próximo ano.
"Ele será o protagonista", afirmou ao Estado/Broadcast o
ministro Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações),
presidente licenciado da sigla. Segundo ele, a propaganda será veiculada em
dezembro, dez meses antes da eleição e a quatro meses do prazo em que Meirelles
precisará se desincompatibilizar do cargo, caso vá concorrer.
Receba no seu
e-mail conteúdo de qualidade
ASSINAR
O programa irá ao ar
quando a equipe econômica espera ter resultados mais consistentes indicando a
retomada do crescimento econômico para mostrar. A expectativa de Meirelles é de
que, no último trimestre deste ano, o PIB brasileiro cresça 2% em relação a
igual período de 2016.
VIAGENS
Até a gravação do programa, Meirelles se movimentará
por meio de viagens pelo Brasil, para se reunir com empresários e políticos
locais. A proposta foi feita pelos deputados do PSD durante almoço na casa do
ministro nessa quarta-feira, 13. "Ele topou", disse aoEstado/Broadcast o
líder do PSD na Câmara, deputado Marcos Montes (MG).
Com os encontros
regionais, o PSD espera que Meirelles consiga angariar apoio político,
tornando-se mais conhecido para além do mercado financeiro, de quem já tem
expressivo apoio. De acordo com Montes, a ideia é que o ministro faça pelo
menos duas viagens até dezembro.
A primeira deve
ser a Minas Gerais, Estado administrado por Fernando Pimentel, do PT, e berço
eleitoral do senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do PSDB; siglas
que pretendem lançar candidatos próprio a presidente em 2018. A outra deve
ser para o Norte ou Nordeste. "A ideia é que ele saia um pouco do foro
Rio-São Paulo", conta Montes.
No PSD, a avaliação é
de que Meirelles precisa de mais interlocução política para viabilizar sua
candidatura a presidente no próximo ano. Outro fator considerado fundamental
por integrantes da cúpula da sigla para que o ministro seja
candidato é que a economia brasileira "decole".
O ministro foi
lançado pré-candidato a presidente pela bancada do PSD logo após o almoço dessa
quarta-feira. O ato foi "combinado" previamente por integrantes
da direção da legenda. O objetivo do "pré-lançamento" é começar a
medir o apoio que ele tem.
Meirelles, porém,
nega a pré-candidatura. "Não sou pré-candidato à Presidência da
República", escreveu no Twitter, embora tenha afirmado que ficou
"muito honrado" com as palavras dos deputados do PSD. Antes de
publicar a mensagem, ele ligou para o líder do PSD para informá-lo sobre como
reagiria e para dizer que ficou feliz com a repercussão.
Eu
não sou pré-candidato à Presidência da República
Eu
não sou pré-candidato à Presidência da República
Estou
concentrado em meu trabalho na Fazenda, para colocar o Brasil na rota do crescimento
sustentado
Estou
concentrado em meu trabalho na Fazenda, para colocar o Brasil na rota do
crescimento sustentado
Fiquei
muito honrado com as palavras de todos os deputados do PSD
Fiquei
muito honrado com as palavras de todos os deputados do PSD
Seguirei
debatendo a política econômica com todos os parlamentares
Segundo integrantes
do PSD, Meirelles será cauteloso ao falar publicamente do assunto. Quer evitar
que o fato impacte de alguma forma seu trabalho no Ministério da Fazenda e que
aumente o "fogo amigo" de outros partidos da base aliada e de
auxiliares do presidente Michel Temer, que acompanham atentamente as
movimentações políticas do ministro.
Procurado, o ministro
da Fazenda não havia comentado as declarações de Kassab e Montes até a
publicação desta matéria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário