Já a verba pública para educação superior é igual à
de países europeus; só 15% dos adultos chegam à universidade
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Luiz Fernando Toledo, O Estado de
S.Paulo
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Setembro 2017 | 22h45
Atualizado 13 Setembro 2017 | 00h09
Atualizado 13 Setembro 2017 | 00h09
O Brasil gasta menos
da metade do que gastam os países da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) com o ensino fundamental. Por outro lado, as
despesas do País no ensino superior se assemelham a de alguns países europeus,
como Portugal e Espanha.
O relatório Education at a Glance (Um olhar sobre a educação), divulgado ontem pela
OCDE, analisou a situação de 35 países membros da entidade e de outras dez
economias, como Brasil e Argentina. Os dados analisados se referem a 2014 e
2015 e não refletem, em relação a anos anteriores, os efeitos da crise
econômica no Brasil.
Metade dos brasileiros adultos (entre 25 e 64 anos)
não concluiu o ensino médio; número é mais do que o dobro em relação à média
(22%) dos países da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico
(OCDE). Foto: Sérgio Castro
Segundo o estudo, o
governo federal paga US$ 3,8 mil por ano por aluno para os primeiras séries do
ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), enquanto a média da OCDE é de US$ 8,7
mil.
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Já com o ensino
superior, o valor mais do que triplica: US$ 11,7 mil por ano. O valor é próximo
do pago, por exemplo, em Portugal (US$ 11.813) e Espanha (US$ 12.489). A média
geral da OCDE é de US$ 16.143.
Mesmo com o custo elevado,
o índice de brasileiros que chegam à universidade ainda é baixo. O acesso ao
ensino superior avançou no Brasil, mas ainda está abaixo da média. Somente 15%
dos adultos (25-64 anos) chegam a esta etapa do ensino, abaixo de países como
Argentina (21%), Chile (22%), Colômbia (22%) e Costa Rica (23%. Por outro lado,
o País está à frente de outros emergentes, como China (10%), Índia (11%) e
África do Sul (12%).
O relatório aponta
também a desigualdade regional no acesso à universidade. Enquanto 35% dos jovens
entre 25 e 34 anos chegam a esta etapa no Distrito Federal, só 7% a alcançam no
Maranhão, por exemplo.
Por causa do baixo
índice de aprovados, a diferença de salário entre quem faz faculdade e quem não
faz é maior no Brasil do que em outros países: uma graduação pode render
salário até 2,4 vezes maior no País, ante 1,5 na média da OCDE. Se o
profissional tiver doutorado, a diferença é de 4,5 vezes - mais do que o dobro
da OCDE (2).
Outros dados. O relatório aponta ainda que metade dos
brasileiros adultos (entre 25 e 64 anos) não concluiu o ensino médio. O número
é mais do que o dobro em relação à média (22%) dos países da OCDE. Além disso,
17% não terminaram nem mesmo o ensino fundamental, ante 2% na média da
entidade.
De acordo com o
documento, o Brasil tem uma das piores médias entre os países avaliados, atrás
apenas da Índia, “enquanto na maioria dos países da OCDE e parceiros há apenas
5% dos adultos sem atingir a educação primária (ensino fundamental)”. Além da
dificuldade de acesso, parte dos alunos não consegue concluir a etapa na idade
certa. Só 53% dos adolescentes de 15 anos chegam ao ensino médio - com 34%
deles ainda no ensino fundamental. Na média da OCDE, 90% entre 15 e 17 anos já chegam
a esta etapa.
Procurado, o
Ministério da Educação destacou que a atual gestão “desde que assumiu buscou o
equilíbrio entre os investimentos e reverteu a tendência de queda na educação
básica”. “De 2016 para 2017 houve um aumento do investimento na educação
básica, atingindo R$ 56,3 bilhões em 2017.” O MEC ressaltou que os dados
corroboram a necessidade de implementar a atual reforma do ensino médio e está
implementando “a política de fomento da Escola em Tempo Integral”, com
investimento de R$ 1,5 bilhão.

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