Nos anexos de sua colaboração, já homologada pelo
Supremo, corretor afirmou ter buscado R$ 1 milhão em espécie, supostamente
pagos pela empreiteira, no escritório do advogado e ex-deputado José Yunes,
amigo do presidente
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Fabio Serapião e Fábio Fabrini, de
Brasília
13
Setembro 2017 | 13h32
O presidente Michel
Temer ao lado do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Foto: Evaristo Sá/AFP
O corretor Lúcio Funaro disse em sua delação
premiada que o presidente Michel Temer dividiu com Geddel Vieira Lima
(PMDB-BA), ex-homen forte de seu governo, propina da Odebrecht. Nos anexos de
sua colaboração, já homologada pelo Supremo, ele afirmou ter buscado R$ 1 milhão em
espécie, supostamente pagos pela empreiteira, no escritório do advogado e
ex-deputado José Yunes, amigo de Temer. Relatou também ter mandado a quantia
para Geddel, na Bahia.
As declarações de Funaro coadunam com a versão
apresentada pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio
Mello Filho em sua delação. Ele relatou ter negociado com Temer e seus aliados,
entre eles o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), doações de caixa 2 para
campanhas em 2014, no total de R$ 10 milhões. Parte desse valor teria sido distribuída por meio
de Yunes, apontado como um dos “operadores” do presidente. À Procuradoria-Geral
da República (PGR), Yunes já disse ter sido usado como “mula” de Padilha para a
entrega de um pacote.
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Conforme Funaro, dirigentes da Odebrecht usaram o
doleiro Álvaro Novis para fazer com que os valores destinados a Temer chegassem
a Yunes. Ele contou que, na ocasião, recebeu um telefonema de Geddel pedindo
que retirasse R$ 1 milhão, a ser entregue em Salvador.
Geddel “informou que o dinheiro que iria retirar
com José Yunes era referente a uma doação via caixa 2 da Odebrecht, acertada
juntamente (com) Eliseu Padilha e Michel Temer”, diz trecho do anexo intitulado
“Intermediação de Pagamentos de Propinas para Interpostos do Presidente”,
obtido pelo Estado.
“Estes valores eram
de Michel Temer, o qual estava enviando uma parte do dinheiro arrecadado para
Geddel”, continua o documento. Foi Geddel, segundo Funaro, quem lhe passou o
telefone de Yunes. A retirada, segundo ele, foi feita no escritório do advogado
no Itaim Bibi, em São Paulo. No local, após uma conversa com Yunes, na qual
teriam trocado cartões, uma caixa com a quantia acertada teria sido repassada
pela secretária e o motorista do amigo de Temer.
Funaro, então, disse
que retornou com os valores até o seu escritório e pediu para que um
funcionário fosse até a Bahia levar a encomenda para Geddel. “O
dinheiro foi entregue
em Salvador por um funcionário de logística de
transporte de valores
do doleiro Tony, o qual retirou os valores em São
Paulo e, no dia
seguinte, fez a entrega na sede do PMDB da Bahia”, registra o anexo.
Um dos políticos mais próximos de Temer, Geddel
chefiava a Secretaria de Governo até novembro do ano passado, quando pediu
demissão por ter, supostamente, tentado influenciar o Ministério da Cultura a
lhe conceder uma decisão favorável. Ele está preso em Brasília desde a semana passada,
depois que a Polícia Federal descobriu que escondiaR$ 51 milhões em
notas num apartamento da capital baiana.
O Estado procurou
o Palácio do Planalto, que ainda não se manifestou. A defesa de Geddel disse
que não se manifestaria, pois não teve acesso aos anexos.
COM A PALAVRA, JOSÉ
YUNES
Lúcio Funaro, apresentou várias versões sobre esse
fato e mais uma vez faltou com a verdade. José Yunes, advogado com mais de 50
anos de militância profissional e com uma reputação ilibada, tão logo
tomou conhecimento dos fatos procurou a PGR e elucidou os acontecimentos. Lúcio
Funaro jamais recebeu de José Yunes qualquer valor. Ele esteve no escritório de
Yunes, entregou um envelope e deixou o local. É importante registrar, que José
Yunes além de não conhecer Funaro, não tinha conhecimento do que continha o
envelope. Essa é a verdade dos fatos.
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