
Aumento do número de famílias brasileiras consideradas extremamente pobres e que não recebem qualquer tipo de assistência social – cujo número chegou a 7 milhões de pessoas em 2016 – acendeu a luz de alerta junto à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que teme que o país volte a integrar o Mapa da Fome mundial; "Se o Brasil não voltar a crescer de forma sustentada e não tiver um revigoramento do mercado de trabalho, simultaneamente a uma correção nos valores de transferência de renda, corremos um risco de importante de voltarmos ao mapa da fome", disse o diretor-geral da FAO, José Graziano
18 DE DEZEMBRO DE 2017 ÀS 10:44 // INSCREVA-SE NA TV 247 

247 - O aumento do número de famílias brasileiras consideradas extremamente pobres e que não recebem qualquer tipo de assistência social – cujo número chegou a 7 milhões de pessoas em 2016 – acendeu a luz de alerta junto à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que teme que o país volte a integrar o Mapa da Fome mundial. O País deixou de integrar o Mapa da Fome elaborado pela FAO em 2014, quando menos de 5% da população consumiam menos calorias que o considerado essencial para uma alimentação adequada.
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"Se o Brasil não voltar a crescer de forma sustentada e não tiver um revigoramento do mercado de trabalho, simultaneamente a uma correção nos valores de transferência de renda, corremos um risco de importante de voltarmos ao mapa da fome", disse o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
De acordo com estudos feitos pela FAO, cerca de 2 milhões de famílias viviam com renda inferior a R$ 133,72 mensais por pessoa no ano passado, mas não estavam entre os beneficiários do Bolsa Família e nem do Benefício da Prestação Continuada (BPC). Ainda segundo a instituição, o percentual de famílias consideradas extremamente pobres e sem acesso a quaisquer benefícios de assistência social, passou de 2,9% no primeiro trimestre de 2016 para 3,3% no mesmo ano.
"A fome no Brasil está relacionada ao crescimento econômico, ao nível de emprego e do salário mínimo e às políticas de transferência de renda. É preocupante, no caso brasileiro, o aumento do desemprego, decorrente do baixo nível de crescimento. Nesse contexto, se o Brasil não voltar a crescer de forma sustentada e não tiver um revigoramento do mercado de trabalho, simultaneamente a uma correção nos valores de transferência de renda, corremos um risco de importante de voltarmos ao mapa da fome. De acordo com informação recente do IBGE, o Brasil voltou a crescer. É preciso ver se isso será suficiente para reverter a tendência e gerar empregos formais", disse Graziano.
Para ele, o nível de desemprego atual é uma fonte de preocupação a mais em relação à questão da fome no Brasil. "De acordo com os dados da mais recente PNAD Contínua do IBGE divulgados em novembro, o desemprego da população ativa no último trimestre é de 12,2% - ou mais de 12 milhões de pessoas. Esse número, que é maior em relação ao mesmo período em 2016, representa uma tendência de aumento que tem se verificado ano a ano pelo menos desde 2014. O aumento do desemprego tem afetado particularmente regiões metropolitanas e rurais, ocasionando uma considerável redução do poder aquisitivo. Aliado à redução dos programas de proteção social, isso se torna uma variável que pode afetar muito o desempenho da segurança alimentar. Especialistas da FAO, analisando a última Pnad contínua de 2016, constataram que cerca de 2 milhões de famílias brasileiras - abrangendo mais de 7 milhões de pessoas - estão em condição de extrema pobreza, mas não estavam entre os beneficiários do Bolsa Família e nem do Benefício da Prestação Continuada (BPC) naquele mesmo ano", ressaltou.
"De forma ainda mais preocupante, a porcentagem destas famílias extremamente pobres e sem assistência social subiu de 2,9% no primeiro trimestre de 2016 para 3,3% no quarto trimestre de 2016. Há uma preocupação com os efeitos de uma aparente piora da situação econômica no país, e sobretudo do aumento do desemprego. Mas a FAO não tem ainda dados concretos sobre isso para 2017. O que posso dizer é que seguiremos acompanhando com atenção o caso do Brasil, como de vários outros países na região e no mundo", acrescenta Graziano.
Ele destaca que em épocas de recessão o correto seria ampliar a rede de proteção social uma vez que "os gastos sociais do governo são muito importantes: as pessoas são muitas vezes pobres porque não têm acesso aos bens comuns, como saúde, educação - e não podem pagar por eles".
Leia a íntegra da entrevista.
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