14/05/2018

A origem do Dia das Mães: como o viés comercial da data frustrou até sua criadora



Postado em 13 de maio de 2018 às 4:57 pm
Reportagem de Renata Mendonça da BBC Brasil.
O Dia das Mães pode variar de mês a depender do país, mas são raríssimos os lugares do mundo que não o celebram. No Brasil, a tradição da data já fez com que ela se tornasse a segunda mais importante do ano no comércio, perdendo apenas para o Natal.
Mas poucos conhecem a história que deu início a esse costume de celebrar o amor materno em uma data específica. A tradição veio dos gregos, eles celebravam no início da primavera a mãe de todos os deuses, a deusa Rhea, com homenagens, cultos e presentes.
Mas a oficialização desse costume veio no início do século 20, nos Estados Unidos, por insistência de uma mulher que nunca foi mãe, mas decidiu homenagear a sua com um dia para celebrar sua memória. Anna Jarvis iniciou uma campanha pelo que chamava de “Dia das Mães” em 1905, quando Ann Reeves Jarvis, sua mãe, morreu. Em 1908, ela organizou a homenagem para ela, mesmo sem a oficialização de um “feriado” na data, e passou a militar pela causa.
Sua luta para a oficialização deste dia durou anos. A motivação de Jarvis veio de uma prece que um dia sua mãe lhe mostrou. “Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães, para celebrar o serviço incomparável que prestam à humanidade em todas as áreas da vida”.
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Enquanto ela fazia campanha enviando cartas todos os anos para congressistas, governadores, celebridades e pessoas importantes para reservarem um feriado para essa data, os políticos zombavam da situação dizendo que, se oficializassem o Dia das Mães, teriam que instituir também o Dia da Sogra (“Mother in Law Day”, em inglês).
Até que em 1911, todos os estados americanos reconheceram o feriado – três anos depois, houve a oficialização de que em todo segundo domingo de maio seria comemorado o feriado em homenagem às mães.
O desejo de Jarvis havia se cumprido e ela finalmente poderia se orgulhar de ter sido a “mãe” do Dia das Mães. Mas, em pouco tempo, ela percebeu que havia “criado um monstro”. A data comemorativa virou um excelente pretexto para o comércio, que se aproveitou da oportunidade para estimular a compra de presentes.
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“Jarvis considerava que o Dia das Mães era de sua ‘propriedade intelectual e legal’ e não parte do domínio público. Ela queria que esse dia fosse um ‘dia santo’ que nos lembrasse da mãe que colocou as necessidades de seus filhos antes das suas. Ela nunca quis que se tornasse um dia para dar presentes caros e onerosos, como outros feriados se tornaram no início do século 20”, descreveu Katharine Lane Antolini, autora do livro Memorializing Motherhood: Anna Jarvis and the Struggle for Control of Mother’s Day (Em Memória da Maternidade: Anna Jarvis e a Luta pelo Controle do Dia das Mães, em tradução livre).
Katharine Antolini é professora de história e estudos de gênero de uma universidade em West Virginia. Ela mora a cerca de 45 minutos de Grafton, onde está a igreja frequentada por Jarvis e sua mãe, hoje é o Santuário Internacional do Dia das Mães, e pesquisou a origem histórica da data.
Segundo Antolini, Anna Jarvis criticava os “aproveitadores” do comércio a quem chamava de “infratores de direitos autorais, vândalos do comércio e especuladores declarados”. Ela chegou a liderar protestos contra as floriculturas, que aumentavam os preços das flores no mês de maio. Antes de morrer mergulhada em dívidas e depressão, Jarvis confidenciou a uma jornalista: “Eu sinto muito por ter criado o Dia das Mães”.
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Livro publicado por Katharine Antolini sobre a história do Dia das Mães. Foto: Reprodução

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