Em sua coluna na Folha e no Globo, Elio Gaspari fala do processo de recuperação judicial da editora Abril:
Aquela que foi a maior editora de revistas do país suspendeu o pagamento de suas dívidas no dia 15 de agosto. Até aí, é o jogo jogado para qualquer empresa que deve R$ 1,6 bilhão e passa por dificuldades estruturais.
Um mês antes do pedido de recuperação, Giancarlo Civita, o primogênito dos três herdeiros da companhia criada pelo avô, deixou a sua presidência, passando-a a uma consultoria. Ao entrar em recuperação, a Abril deixou no espeto centenas de funcionários demitidos, que tinham a receber suas rescisões contratuais. Coisa de R$ 110 milhões. Algo como a metade disso é devido a 250 jornalistas. Seria novamente o jogo jogado, pois empresas quebram.
O mico vira girafa quando se sabe que uma das costelas da Abril de Victor Civita (o avô), destinada a explorar atividades educacionais, tornou-se uma empresa independente, bem sucedida e bilionária. A família vendeu-a. Segundo a revista Exame, a Forbes americana calculou que os três herdeiros Civita têm um patrimônio estimado em R$ 10 bilhões. Parte desse ervanário veio da venda da costela, que foi parcialmente capitalizada pela editora.
Como diz o velho provérbio do mercado, não se coloca dinheiro bom em cima de dinheiro ruim, mas quem trabalhou na Abril lembra o que ensinava “Seu Victor”: “Nosso patrimônio é essa gente que anda nos elevadores”. Grande VC, criou a empresa e nunca atrasou pagamento.

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